O metal e o madeiro – parte 1


Saudações!

Esta é o primeiro de uma dupla de artigos (a princípio) nos quais pretendo registrar que o heavy metal não é feito somente de músicas pagãs criadas por artistas pagãos/ateus/anticristãos. Ao mesmo tempo que é desnecessário dizer que apreciar o rock não precisa ser um ato ofensivo a Deus (e é extremamente claro quando o rock deseja atacar o cristianismo) é divertido notar que surgiram aqui e ali interessantes pontos de vista por artistas que embora não professem a fé cristã, nutrindo certo respeito, admiração ou curiosidade pelo conteúdo da história da Igreja, trouxeram a nós letras com riqueza de detalhes que às vezes faltam até aos músicos dedicados ao serviço do Reino.

Estas manifestações servem para lembrar ao mundo do rock a realidade inegável da Verdade Revelada e do valor da Igreja Católica na história da humanidade. E, por que não, ser degraus que elevem o conhecimento dos artistas para enxergar que o  Deus que eles adoram sem conhecer (cf At 17, 22-34) é o único digno exaltação, fonte da inteligência que proporciona a arte!

Raul Seixas dizia que “o diabo é o pai do rock”. Não se assustem. Ele dizia isso mais por inveja da paternidade do que pra exaltar o “compadre”.

Outro detalhe digno de nota é que todas as três músicas foram lançadas em álbuns não conceituais, ou seja, não fazem parte de uma obra que trata especificamente, nem de longe, de cristianismo.

Das três músicas escolhidas para esta primeira parte, esta sem dúvida é familiar aos admiradores deste estilo musical: Creeping Death da banda Metallica, um de seus maiores clássicos. Um hino para seus fãs!
Concordo que a motivação dos compositores pode até ter sido mais de exaltar a “violência” ou a “maldade” de Deus do que qualquer outra coisa, mas é de se reconhecer que houve um cuidado em estudar nas Sagradas Escrituras, o assunto da saída do povo Hebreu do Egito.
Musicalmente é uma porrada daquelas, datada do segundo álbum de estúdio da banda (e por essa razão mesma, tão cara para os fãs), época na qual, sem dúvida, ninguém poderia vislumbrar a imagem de um James Hetfield magricela e cabeludo sentado lendo a Bíblia, hehe..

Esta letra foi inspirada pela narrativa bíblica das 10 pragas do Egito (especialmente a primeira, a nona e a décima) que Deus aplicou através de Moisés para libertar da escravidão o povo escolhido dos Hebreus. O texto encontra-se no segundo livro da Bíblia, Êxodo: Ex 6, 26 – 12, 34. A quem pegar o texto para ler, sugiro estender até Ex 14, 31 para um conhecimento completa do episódio.

Creeping Death Metallica
Slaves
Hebrews born to serve, to the pharaoh
Heed
To his every word, live in fear
Faith
Of the unknown one, the deliverer
Wait
Something must be done, four hundred years
So let it be written
So let it be done
I’m sent here by the chosen one
So let it be written
So let it be done
To kill the first born pharaoh son
I’m creeping death

Now
Let my people go, land of goshen
Go
I will be with thee, bush of fire
Blood
Running red and strong, down the nile
Plague
Darkness three days long, hail to fire

Die by my hand
I creep across the land
Killing first born man
Die by my hand
I creep across the land
Killing first born man


I
Rule the midnight air the destroyer
Born
I shall soon be there, deadly mass
I
Creep the steps and flood final darkness
Blood
Lambs blood painted door, I shall pass

Morte Rastejante Metallica
Escravos
Hebreus nascido para servir ao faraó
Cuidado
Com cada palavra sua, viver com medo

No desconhecido, o libertador
Esperar
Algo deve ser feito, quatrocentos anos
Então assim deve ser escrito
Então assim deve ser feito
Eu fui enviado aqui pelo escolhido
Então que isso seja escrito
Então que isso seja feito
Matar o primogênito do faraó
Eu sou a morte rastejante

Agora
Deixe o meu povo ir, terra de goshen
Vão
Estarei convosco, arbusto em chamas
Sangue
Correndo vermelho e espesso pelo nilo
Praga
Noite durante três dias, viva o fogo

Morra pela minha mão
Eu rastejo pela terra
Matando os primogênitos
Morra pela minha mãos
Eu rastejo pela terra
Matando os primogênitos


Eu
Comando o ar da meia-noite o destruidor
Nascido
Eu deverei estar lá breve, massa de morte
Eu
Rastejo pelos degraus e trago a treva final
Sangue
Portas pintadas com sangue de cordeiros Eu devo passar

***

Kamelot remete à lenda do Rei Artur, mais ou menos da época em que, a propósito, a Igreja Católica começa a se expandir pela Europa, tendo que preocupar-se apenas com algumas feministas, digo, bruxas, digo, feministas. Ah, e com os demais pagãos metidos a duendes.
Atualmente, Roy Khan, vocalista da banda durante mais de uma década, deixou a banda por motivos religiosos, tendo convertido-se a alguma manifestação protestante. Mas, muito antes deste triste fato, a banda nos deu a música Up through the ashes que conta a entrevista de Nosso Senhor Jesus Cristo com o governador romano Pôncio Pilatos, quando da sua prisão pelos sacerdotes e anciãos dos judeus. A melodia é muito agradável, e nela temos o desdém do “juiz” (contrabalançado pelo pedido de desculpas ora infame, ora sincero), a firmeza e determinação do Réu e o clamor do povo – que, para todo cristão sem dúvida é de arrepiar…

Este trecho da Paixão de Jesus Cristo, seu julgamento perante Pilatos consta em Jo 18, 28 – 19, 16 e também nos demais evangelhos, sendo este o trecho mais especificamente inspirador para a letra da música.

Up Through The Ashes Kamelot
So you can hear
They claim with conviction
You’ve got a crowd

So what’s your appeal
Your voice, your predictions
They’re getting loudBut if I let you die, you must forgive me

Raise me up, up through the ashes
(Welcome the paradise you made)
Take me on, into the light

You want to die
Create a sensation
Be makin’ the news

An eye for an eye
My king of creation
King of the jews

Before I let you die, you must forgive me

Give a sign of remorse
(I don’t need your blood)
You will hang on the cross
For playing god

You the people must decide
The self-proclaimed prophet
Or the novice murderer
The king or the convict, It’s up to you
So tell me who’s free to go

(Barabbas, Barabbas, Barabbas)

Raise me up, up through the ashes

(forgive my every sin)
Take me on
Into the light

Através das cinzas Kamelot
Então você pode ouvir
Eles reivindicam com convicção
Você ganhou uma multidão
Então qual é a sua súplica
Sua voz, suas predições
Eles estão fazendo um alvoroçoMas se eu deixar você morrer, você tem que me perdoar

Erga-me, através das cinzas
(Bem-vindo ao paraíso que você fez)
Conduza-me, para a luz

Você quer morrer
Criar uma sensação
Virar notícia

Um olho por um olho
Meu rei da criação
Rei dos judeus

Antes de eu te deixar morrer, você tem que me perdoar

Me dê um sinal de remorso
(Eu não preciso do seu sangue)
Você vai ser suspenso na cruz
Por brincar de Deus

Você, povo, deve decidir
O profeta auto proclamado
ou o assassino neófito
O rei ou o condenado, é com vocês
Então digam-me: quem está livre para ir?

(Barrabás! Barrabás! Barrabás!)

Erga-me, através das cinzas


(Perdoe todos os meus pecados)
Conduza-me, para a luz
Erga-me, através das cinzas
Conduza-me, para a luz

***

Helloween é um nome sem explicação que se possa levar a sério. Já foi divulgada uma suposta frase da própria banda a respeito da origem do nome: “O Halloween é uma única vez no ano. O Helloween você pode ter o ano todo!”. Basta observar o caráter irreverente da banda, que foi vivenciado por todos os muitos membros que passaram por ela, para perceber que a escolha do nome sequer passaria de uma daquelas rebeldias da juventude européia que batizou muitas bandas, álbums e músicas do heavy metal, como “Judas Priest”, “Iron Maiden”, “The Number of the Beast”, etc. Não se assustem. Não se comovam. Falar mal da Igreja VENDE (seja disco, jornal, livro…) e isso já naquela época.

Mas, como a juventude passa, 25 anos depois o Helloween está bem mais amadurecido e envelhecido. Foi-se o seu fundador Kai Hansen (também fundador e atual vocalista/guitarrista da banda Gamma Ray) um notório admirador das sociedades secretas, sobretudo dos Illuminati. E, mesmo com a presença de um guitarrista levemente avesso ao cristianismo: Sascha Gerstner, num álbum chamado “Gambling with the devil – Apostando com o diabo” esta banda que, confesso, é minha favorita, nos concedeu a música Final Fortune: uma perspectiva bem madura do mundo, condizente com a gravidade de seu frontman Andi Deris.
Com guitarras pesadas e muito bem revezadas entre os dois artistas das seis cordas, a música é uma das melhores deste álbum de sonoridade poderosa e que flerta com o mundo espiritual.

Final Fortune Helloween
We try to force our final fortune
As if we knew the final score
And we pretend to know things better
In our madness we ignore
How small we are
We are
Far above this ignorance
A higher force you’ll find
Forever giving answers to the blind

When fate comes calling you
You don’t know what to do
Behind the world we’re living in
Is so much more than we do know
There’s ONE who loves you so
Behind the world we’re living in
There’s so much more than we will ever get to know

Protecting nations, wealth and soldiers
Collecting fame and victory
Inventing star-ships, tanks and rockets
But still we don’t know how to see
The love in our hearts
Our hearts

Far from all this ignorance
A higher force would share
Verity and hope
But we don’t care

When fate comes calling you
You don’t know what to do
Behind the world we’re living in
Is so much more than we do know
There’s ONE who loves you so
Behind the world we’re living in
There’s so much more than we will ever get to know

Fortuna Final Helloween
Nós tentamos forçar nossa fortuna final
Como se nós soubemos a marca final
E nós fingimos saber melhor coisas
Em nossa loucura nós ignoramos
Como pequeno nós somos
Nós somos
Distante acima desta ignorância
Uma força que mais elevada você encontrará
Para sempre dando respostas os cegos

Quando o destino vier chamando o
Você não sabe o que fazer
Atrás do mundo nós estamos vivendo dentro
É tanto mais do que nós sabemos
Há UM quem o ama assim
Atrás do mundo nós estamos vivendo dentro
Há tanto mais do que nós nunca conheceremos

Nações, riqueza e soldados
Coletando a fama e a vitória
Inventar naves, os tanques e os foguetes
Mas ainda nós não sabemos ver
O amor em nossos corações
Nossos corações

Longe de toda esta ignorância
Uma força mais elevada compartilharia
Verdade e esperança
Mas nós não nos importamos

Quando o destino vier chamando-o
Você não sabe o que fazer
Atrás do mundo nós estamos vivendo dentro
É tanto mais do que nós sabemos
Há UM quem o ama assim
Por trás do mundo em que nós estamos vivendo dentro
Há tanto mais do que nós nunca conheceremos

 ***

Uma característica inerente ao rock, que o heavy metal não recusou em sua fundação é a personalidade forte. Estes artistas, possivelmente devido à suas culturas, formações, educações, não ficaram revestidos de falsos pudores. Assim podem expôr seus pontos de vista e questionamentos.
E quando um não-crente (se) questiona sobre nossa religião cristã, é natural que se nos aguce a curiosidade e o desejo de melhor defender a fé, e evangelizar. E para tanto, é necessário que conheçamos a imagem que a Igreja tem por aí afora.

Logo retornarei, com outras três músicas.

Este artigo é dedicado ao meu irmão Diogo, minha noiva Rita, e a “@Jack_LeiteP”, três bons católicos esclarecidos, que não têm medo do rock ‘n’ roll.

Veja também:

O metal e o madeiro – parte 2

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6 pensamentos sobre “O metal e o madeiro – parte 1

  1. Aaaaaah, nem sabia que você tinha feito este post, meu caro! Aliás, este post está ótimo! Sempre que alguém vê que sou católico verdadeiro e que gosto de heavy metal, as pessoas estranham, acham como se fosse água e óleo haha. Acham mais estranho ainda quando digo que minha banda favorita é o Iron Maiden hahaha. Pois bem, como sempre faço com as coisas que consumo e aprecio, eu faço uma filtragem, elimino qualquer coisa que seja contra algo que vivo, contra minha fé, afinal, como poderia eu gostar de algo que difama e humilha minha fé ou meus posicionamentos!? Baseado neste raciocínio, fui eliminando bandas que não fossem boas para mim. Eliminei System of a Down(banda que me fez gostar de rock/heavy metal) e os eliminei sem o menor problema, mesmo gostando muito do som deles. Mas eu jamais ouviria uma banda que tem blasfêmias em suas letras. Com isso, fui fazendo esse filtro e hoje minha banda favorita é o Iron Maiden. Ainda há quem pense que sou um herege ou algo do tipo, mas sou mais do que seguro do meu gosto e de que não há interferência negativa alguma em minha fé, quando ouço Iron. Pra falar a verdade, há músicas que me fazem exaltar e glorificar mais ainda Deus, quando as ouço. Músicas como Rime of the Ancient Mariner (vide seus últimos versos) e a maravilhosa For the Greater Good of God, que exalta o sacrifício de Cristo e critica as guerras religiosas. Bem, isto é o que penso e como vivo. Não sou um headbanger “doidão”, vivo minha fé e moral cristã, não deixo nada sobrepor-se a isto, por isso, curto meu Iron de forma sadia haha.

    Quero aqui agradecer a dedicatória e o elogio, meu caro! Que Deus vos guarde e vos proteja sempre, e que Ele inspire mais ainda os post, com a intercessão da Virgem Santíssima.

    Atenciosamente, Jackson Leite, o “@Jack_LeiteP” hahaha

    • 😀

      Estou planejando lançar a parte 2 semana que vem. Deve trazer mais 4 músicas. Ainda não parei para ouvir essa música do Iron que vc tinha me indicado, mas ela está na lista.

      Amém. Deus abençoe!

      Até a parte 2..

  2. Pingback: O metal e o madeiro – parte 2 « O Legado d'O Andarilho

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