O metal e o madeiro – parte 2


Leia também: O metal e o madeiro – parte 1

Saudações!

Devido ao sucesso da parte anterior, continuando o passeio pelas músicas de heavy metal que trazem conteúdo cristão, nesta segunda parte teremos mais uma música da banda Helloween (que é uma das minhas preferidas), uma música de um dos melhores álbuns de outros alemães aclamados pelo público “headbanger”, Blind Guardian, uma música da polêmica “donzela-de-ferro”, Iron Maiden e uma faixa bônus do virtuoso Dream Theater.

É altamente recomendada a leitura da parte 1, para conhecimento dos argumentos que me apoiaram e motivaram estes artigos.

Começo, pegando o gancho da Páscoa, com a música do Blind Guardian. O nome da banda significa literalmente Guardião Cego. A discografia da banda é grandemente inspirada no folclore medieval europeu. Eles até mesmo lançaram um álbum inteiramente dedicado ao mundo da literatura de J. R. R. Tolkien, chamado Nightfall in Middlearth.

Esta música oferece uma idéia da humanidade de Cristo, do seu sofrimento humano, da angústia no Getsêmani, minutos antes da prisão. Olhando de perto, vemos que o compositor quis ilustrar o conflito de Jesus que o levou a pedir o afastamento do cálice (cf. Mt 26, 39).
Um dos pontos mais interessantes para nós, cristãos, é o final da ponte (trecho “Mas realmente justifica…”). O mundo secularizado, por fechar-se para Deus, tem dificuldade de compreender a grandeza do gesto da Paixão, a importância que teve para a raça humana.
Bacana também é notar que o compositor esboçou concordar com o fato de que Jesus, sendo Deus, sabia de tudo. Deixou o trecho “Nós o pegaremos em casa esta noite, é tudo que você precisa saber”, que seria o que foi dito para Judas, quando da combinação da prisão de Jesus.


Sadly Sings Destiny
A wooden cup
And a crown of thorns
Will set up the stage for the cross
I rent a room next door
There is nothing more
No further voices hear
I’ll be free
It doesn’t matter anymore
That somesone’s knocking at my door
I’ve known it long before
The galilean’s on the floor
Shame on me
Shame on me
I’m a tool and nothing moreI can feel it’s getting nearer
Images they’ll turn out clearer
Creeps in and out of you mind
I’m destiny personified
I know there’s something more behind
But is it really justified
To sacrifice
To crucify
The rescue of the human kind?Sadly sings destiny
Sadly sings destiny
“Por ages I’ve been waiting
Now spring is in the air
Let it in”I hear them howling, hear them scream
The raging mob turns mad it seemd
“The king’s in town
we need a crown”
I think we all know
How it ends

“So we’re not going take it longer”
So all I know is I don’t care
“So we’re not going take it longer
Now we are aware”

There I tie the ass
There I tie the colt
Begging for a last chance
I hear the voices say
“We get him home tonight
and that’s all you need to know”
I’m alone

So I can’t stand it any longer
And I don’t want to see it all
Nazarene your vision will come true
Will come true
They’ll get you

Tristemente Canta o Destino
Uma taça de madeira
E uma coroa de espinhos
Irão preparar o palco para a cruz
Eu alugo um quarto vizinho
Não há nada mais
Chega de vozes para se ouvir
Eu serei livre
Não importa mais
Que alguém esteja batendo à minha porta
Eu soube disto há muito tempo
O Galileu está no chão
Eu deveria me envergonhar
Eu deveria me envergonhar
Eu sou uma ferramenta e nada maisEu posso sentir, está chegando mais perto
Imagens se tornarão mais claras
Movendo-se dentro e fora de sua mente
Eu sou o destino personificado
Eu sei que há algo a mais por trás
Mas realmente justifica
Sacrificar
Crucificar
O resgate da raça humana?Tristemente canta o destino
Tristemente canta o destino
“Por séculos eu estive esperando
Agora a primavera está no ar
Deixe-a entrar”Eu os ouço uivar, os ouço gritar
Parece que a multidão raivosa enlouqueceu
“O rei está na cidade
Precisamos de uma coroa”
Acho que todos nós sabemos
Como isso termina

“Então não iremos agüentar mais”
Então tudo que sei é que não me importo
“Então não iremos agüentar mais
Agora estamos atentos”

Ali eu amarro o asno
Ali eu amarro o potro
Implorando por uma última chance
Eu ouço as vozes dizendo
“Nós o pegaremos em casa esta noite
E é tudo que vocês precisam saber”
Eu estou sozinho

Então eu não agüento mais
E não quero ver isto tudo
Nazareno sua visão se tornará realidade
Se tornará realidade
Eles irão te pegar

***

Helloween… Essa banda me diverte bastante. Letras como estas me fazem ver o quanto muitos roqueiros lutam para não acreditar no cristianismo, provavelmente por preconceito com a Igreja Católica. Isso me dá tranquilidade de apreciar seu trabalho sem pôr minha consciência em risco.

A letra apresenta uma visão crítica de Jesus, um pouco como a anterior, do Blind Guardian. Traz a abordagem de um Jesus como divindade menor, um anjo. Como se Cristo tivesse sido mesmo só um profeta que sofreu e morreu pelo bem da obra de Deus, e que não estaria exatamente satisfeito com isso, hehe. Isto nos conduz também à reflexão do nosso relacionamento de fé com Deus: somos mesmo subservientes  a Ele? Confiamos e aceitamos piedosamente os seus desígnios, ou procuramos manter um relacionamento de “troca justa”, onde só aceitamos dar para receber, e na mesma medida?
Não deixem de notar a menção ao Espírito Santo, aí chamado de “santo fluxo”, numa provável confissão de desconhecimento do real significado da Santíssima Trindade…

The Invisible Man
I am the one who wants to show
You a secret of your cheating world
Wherever I will go – No one can see me
‘Cause I’m the invisible manI’m a creature with one goal
Rise up to heaven when the time has come
I have no body but a soul
Gods law is written on my way, foreverTime by time I think it’s over
The malediction I have got
When the world was younger
I’ve been captured in the name of God
To save people, but who cares?
Since a thousand years
Until the holy land will comeHere I am the invisible man
A lost fallen angel helping mankind where I can
My memories are there to save your world
For you I’m the invisible man

There’s the destiny you don’t know
I’m a guardian angel and wherever you’ll go
You fight through your life not alone
You can’t hear me, nor see me
But trust the holy flow

O Homem Invisível
Eu sou aquele que quer te mostrar,
Um segredo do seu mundo sacana
Onde quer que eu vá – Ninguém pode me ver
Porque eu sou o homem invisívelEu sou uma criatura com uma meta
Ir para o céu quando a hora chegar
Não tenho corpo, apenas uma alma
Leis Divinas estão escritas no meu caminho, para sempreHora após hora eu acho que acabou
A maldição que Tenho
Quando o mundo era mais jovem
Eu fui capturado em nome de Deus
Para salvar as pessoas, mas quem se importa?
Desde uns mil anos
Até que a terra santa viráAqui estou eu: o homem invisível
Um anjo caído perdido ajudando a humanidade como eu posso
Minhas memórias estão lá para salvar o seu mundo
Para você eu sou o homem invisível

Há o destino que você não conhece
Eu sou um anjo guardião e, onde quer que você vá
Você batalha toda sua vida, não sozinho
Você não pode me ouvir, nem me ver
Mas confie no santo fluxo

***

Acatando a sugestão do Jack Leite P, um dos católicos que conheci pela rede do twitter, revisitei esta música do Iron Maiden que só havia ouvido umas duas ou três vezes sem prestar atenção na letra antes. A propósito, o nome da banda, cuja tradução significa “Dama-de-ferro” refere-se a um famoso instrumento de tortura medieval/moderno que consiste num ataúde recheado de pregos que sangram o prisioneiro sem matá-lo logo. É uma crítica à Igreja? Bem, digamos que é uma “alfinetada”, hehe…
Ah! Checando rapidamente a wikipedia, tem-se o apontamento de que acredita-se que o tal instrumento de tortura só tenha mesmo sido criado em meados do século XVIII. Um dos exemplares mais reconhecidos foi encontrado por volta de 1802 em Nuremberg, Alemanha. Ele trazia uma representação de Maria, mãe de Jesus. Não obstante, a mesma wikipedia avisa que Nuremberg tornou-se protestante em 1525 e que até 1806 “nenhum católico podia receber o direito da cidadania local, somente os luteranos”. Não estou querendo jogar a culpa pra cima de ninguém (muitos conhecem meu posicionamento quanto ao protestantismo), mas é só ligar os pontos. 😉

O conteúdo da letra é interessante. Basicamente é uma crítica às guerras santas. É comum ouvirmos, lermos ou mesmo recebermos críticas pré-fabricadas às Cruzadas, à Inquisição o ainda à evangelização jesuíta na América. Isto sempre ocorrerá. Diante disso, o bom católico deve estar atento e saber sustentar sua posição do lado da Igreja que, enquanto corpo místico do Cristo Jesus, não falha em sua missão sagrada de redimir a humanidade pecadora. Vemos muitos exemplos de pessoas pretensamente pacifistas. Muitas letras do Iron Maiden (entre outras bandas de heavy metal) cantaram batalhas – por vezes até famosas – por diversas vezes criticando a sede de sangue do homem. No entanto, não podemos cair no erro de relativizar e igualar as guerras santas (especialmente as do passado) com as guerras modernas. Existem pelo menos dois pontos preliminares a se considerar: 1) QUALQUER discurso pacifista sofre o risco de desmerecer as conquistas territoriais da nação do orador. Faz mesmo sentido condenar toda e qualquer guerra, cegamente? 2) Novamente: um católico que realmente ama a sua igreja, que a conhece e confia mais nela que no mundo não pode negar o valor nem das guerras travadas pelo povo hebreu/judeu, pois seria dizer que o próprio Deus estava errado em combater em favor deles, em benefício do Seu plano salvífico (e isso já seria no mínimo uma blasfêmia!), nem da resistência do passado contra o avanço do islamismo, tão prejudicial ao patrimônio histórico da humanidade e ao próprio cristianismo em si.
Enfim, a visão do compositor, olhando bem, nem é lá muito diferente da visão preguiçosa dos nossos rebeldes-sem-causa neoateus intelectualóides da “internê” de hoje em dia… Isto fica muito claro no verso “Você sabe, a religião tem muito a que responder”. Nós podemos até admitir isso, e podemos também responder. E quanto a eles? Conseguem admitir que a Igreja não foi só uma foice que “ceifou a vida de tanta gente inocente”? Os músicos de heavy metal são eruditos. Porém poucos devem saber ou admitir as boas ações da Igreja. Para estes, um pouco do conhecimento histórico que Santo Agostinho nos legou cairia bem. Em sua obra De Civitate Dei – A Cidade de Deus -o bispo de Hipona registrou como o cristianismo foi decisivo para a reconstrução da civilização Romana, após a destruição pelos bárbaros godos (por cerca de 410 d.C.:

Atestam-no as capelas dos mártires e as basílicas dos apóstolos, que em plena desolação de Roma abriram o seio a quantos, cristãos ou gentios, nele buscavam refúgio. Até o sagrado limiar o furioso inimigo banhava-se em sangue, mas nessa barreira a raiva assassina expirava. Para esses lugares alguns vencedores, tocados de compaixão, levavam aqueles que, mesmo fora de tais recintos haviam poupado, para subtraí-los a mãos mais ferozes (…) – Livro Primeiro, Capítulo I

Ao mesmo tempo, pelos versos “E enquanto Ele se encontra no paraíso/ou seria no inferno” o compositor nos revela que em sua opinião obstinada ele não conhece verdadeiramente a Deus, ou o julga de maneira errada. Ainda assim, nas entrelinhas eu leio muita relutância em decidir se Deus é culpado ou não pela “estupidez do homem”. A letra termina com um registro respeitoso do sacrifício de Cristo na cruz. Devemos ter em mente que alguns dos que “nunca lamentaram sua perda” ainda hoje estão entre nós, católicos, cristãos.

For The Greater Good Of God
Are you a man of peace
Or man of holy war
Too many sides to you
Don’t know which any more
So many full of life
But also filled with pain
Don’t know just how many
Will live to breathe againA life that’s made to breath
Destruction or defense
A mind that’s vain corruption
Bad or good intent
A wolf in a sheep’s clothing
Or saintly or sinner
Or someone that would believe
A holy war winnerThey fire off many shots
And many parting blows
Their actions beyond a reasoning
Only god would know
And as he lies in heaven
Or it could be in hell
I feel he’s somewhere here
Or looking from below
But I don’t know, I don’t knowPlease tell me now what life is
Please tell me now what love is
well tell me now what war is
Again tell me what life is

More pain and misery in the history of mankind
Sometimes is seems more like the blind leading blind
It brings upon us more of famine death and war
You know religion has a lot to answers for

And as they search to find the bodies in the sand
They find it’s ashes that are scattered across the land
And as their spirits seem to whistle on the wind
A shot is fired somewhere another war begins

And all because of it you’d think that we would learn
But still the body count the city fires burn
Somewhere there’s someone dying in a foreign land
Meanwhile the world is crying stupidity of man
Tell me why, tell me why

Please tell me now what life is
Please tell me now what love is
well tell me now what war is
Again tell me what life is

For the greater good of God

He gave his life for us he fell upon the cross
To die for all of those who never mourn his loss
It wasn’t meant for us to fell the pain again
Tell me why, tell me why

Pelo bem maior de Deus
Será você um homem da paz
Ou um homem da guerra santa?
Há muitos lados para se escolher
Não sei mais qual deles tomar
Tantas pessoas cheias de vida
Mas também cheios de dor
Não sei quantos
Irão viver para respirar novamenteUma vida que foi feita para respirar
Destruição ou defesa
Uma mente que se envaidece na corrupção
Boas ou más intenções
Um lobo em pele de cordeiro
Ou santo ou pecador
Ou alguém que acreditaria,
Um vencedor da guerra santaEles disparam tantos tiros
E fazem tantos ataques
As atitudes deles estão além da compreensão
Apenas Deus saberia
E enquanto Ele se encontra no Paraíso
Ou seria no Inferno
Eu sinto que ele está aqui em algum lugar
Ou então está me olhando de baixo
Mas eu não sei, não seiPor favor me diga agora o que é a vida
Por favor me diga agora o que é o amor
Ora, me diga agora o que é a guerra
Novamente me diga o que é a vida

Mais dor e miséria na história da humanidade
As vezes mais parece que o cego está guiando o cego
Isso nos impõe mais pestilência, morte e guerra
Você sabe, a religião tem muito a que responder

E enquanto eles procuram achar os corpos sob a areia
Eles encontram suas cinzas espalhadas pela terra
E enquanto seus espíritos parecem assobiar junto ao vento
Um tiro é disparado em algum lugar, outra guerra começa

E mesmo com tudo isso você pensou que nós iríamos aprender algo
Mas a contagem de corpos continua, a cidade está em chamas
Em algum lugar há alguém morrendo num terra estrangeira
Enquanto isso o mundo chora pela estupidez do homem
Me diga porque, me diga porque…

Por favor me diga agora o que é a vida
Por favor me diga agora o que é o amor
Ora, me diga agora o que é a guerra
Novamente me diga o que é a vida

Pelo bem maior de Deus

Ele deu sua vida por nós, ele caiu perante a cruz
Para morrer por todos aqueles que nunca lamentaram sua perda
Não fomos destinados a sentirmos tal dor novamente
Me diga porque, me diga porque

 ***

Para finalizar esta segunda parte (que eu nem imaginei que ficaria tão grande!) uma faixa bônus (ou duas, pra ser mais preciso). Para quem gosta de metal progressivo, esta música é um petardo. Para quem não gosta, é um convite com argumentação persuasiva para passar a gostar 🙂
Quanto ao nome da banda, pouco ou nada posso dizer, a tradução livre é simplesmente “Teatro dos Sonhos”. Estudei pouco as letras da banda. Até onde vi eles são razoavelmente neutros quanto à religião.
No fim das contas, a motivação para esta música cresceu com o trabalho que desenvolvi com a anterior, do Iron Maiden, pois apresenta um cenário de batalha também, mas numa perspectiva que até me agrada mais (quanto à musicalidade, putz… nem preciso dizer 🙂 )

Esta música é uma bela alegoria da realidade espiritual, com as tentações, a desilusão com Deus, e o reencontro com Ele. O compositor trabalhou de forma bastante artística a dramática sedução de Satanás: “Tudo que eu peço é que você me adore”. A primeira parte conta apenas este momento crítico em que a personagem perde a sua fé, acredita que vai morrer, e é “amparada” pelo demônio, que lhe garante a vida em troca de servidão. A segunda parte, já num momento cronologicamente adiantado (das oito músicas do cd, a primeira faixa é esta parte 1 e a última é a parte 2), narra o encontro dessa personagem com o “Mestre negro” e sua seita pervertida, o envio para o campo de batalha para eliminar os seus inimigos, onde a personagem acaba sendo tocada por Deus e se converte de volta, culminando com o enfrentamento e renúncia ao mestre negro, pouco antes de morrer, não entregando sua alma a ele. Eu destacaria ainda a “confissão” pecaminosa da personagem quando encontra o “mestre negro”. Quantas vezes somos acometidos de tentações e nos entregamos conscientemente… assim são os vícios, pecados mais difíceis de serem eliminados.
Notem que o momento da conversão citado é bem tênue. Destaquei separando na letra, na segunda parte, quando ele diz “Santo”. O compositor inclusive inspirou-se no salmo 22 pra escrever a estrofe que começa com “Senhor”.

In The Presence Of Enemies Pt.1

I saw a white light, shining down before me
Walking to it, I waited for the end
A final vision promising salvation
A resurrection for a fallen man

Do you still wait for your God
And the symbol of you faith
I can free you from this Hell and misery
You should never be ashamed, my son
I can give you power beyond anything
Trust me, you will be the chosen one

I was forgotten, a body scorned and broken
My soul rejected, taken by his blood
Beyond redemption, I said “I’m not worth saving”
Forever taken from the one I loved

Do I still wait for my God
And the symbol of my faith
I can lead you down the path and back to life
All I ask is that you worship me
I can help you seek revenge and save yourself
If you’d like for all eternity

Servants of the fallen
Fight to make the way
For the sacred’s calling
On this wicked day
Through a vail of madness
With a vicious play
One man rises on
Standing in the way

Redemption, redemption for humanity

***

In The Presence Of Enemies Pt.2

Welcome tired pilgrim
Into the circle
We have been waiting
Everyone’s gathered for your arrival
All the believers

Angels fall, all for you, heretic
Demon heart bleed for us

I’ve been waiting for you,
Weary preacher man
You have been expected
Now we can begin
Let this hollow day of judgment break
I have known you father,
And your sacred quest
Blessed soldier fighting
You shall never rest
I have known you, but do you know me?

Angels fall, all for you, heretic
Demon heart bleed for us
(My soul is yours dark master, I will fight for you)
Dark master within, I will fight for you
Dark master of sin, now my soul is yours
Dark master, my guide, I will die for you
Dark master inside…

I cannot see his face
But I could feel despite
A presence from the dead
Abandoned by the light
His shadow will consume you from within
This power that I sense
Been raged behind those eyes
This justice straddling ghost
A spirit deep inside
The body and the soul both frets
For they are one

Angels fall, all for you, heretic

(…)
Dark master, I’m in, I belong to you
Dark master within…

Don’t
Bother trying to find them
They will be coming to you
Fight,
Fight and destroy until you can’t take anymore
Spill,
Hey! Spill the blood of rebels
They are the terror of hell
Flesh,
I’m being dead
Stopping at nothing to kill

Saint,
Caught in a moment of weakness
Ended the greatness of all
Sold,
Half of my soul
And now I’m still waiting for you

I judge us, my eyes see
I judge and I am just
For I speak of the beast
That lives in all of us
Unwelcome ones your time has come

Lord,
You are my god and my shepherd
Nothing more shall I want
Walk,
Through the abyss
Into the shadow of death

Fear,
There is no reason to fear now
While you are with me
My,
Cup overflows
My enemy’s blood
I,
Get in the house of the lord
Forever, amen
Death,
Follow me
All the days of my life

I judge us, my eyes see

(…)

Servants of the fallen

(…)
(It’s time to go, dark lord)

My soul grows weaker
He knows and he waits
He watches over me
Standing at the infernal gates
In the hour of darkness
The moment I feared has passed
The moment I lost my faith
Promising salvation
My soul is my own now
I do not fight for you, dark master

Na Presença dos Inimigos Pt.1

Eu vi uma luz branca, brilhando perto de mim
Andando pra ela, eu esperei pelo fim
Uma última visão me prometendo a salvação
Uma ressurreição para um homem caído

“Você ainda espera pelo seu Deus
E símbolo da sua fé?
Eu posso livrar você desse inferno e miséria
Você nunca deve sentir vergonha, meu filho
Eu posso te dar o poder além de qualquer coisa
Confie em mim, você será o escolhido”

Eu fui esquecido, um corpo desprezado e quebrado
Minha alma rejeitada, levada por seu sangue
Além da redenção, eu disse: “Eu não valho ser salvo”
Pra sempre afastado da única que eu amo

Eu ainda espero pelo meu Deus
E símbolo da minha fé?
“Eu posso guiá-lo pelo trajeto de volta à vida
Tudo que eu peço é que você me adore
Eu posso te ajudar a buscar a vingança e a se salvar
Se você quiser, por toda a eternidade”

Servos do homem caído
Lutando para fazer o caminho
Para o chamado sagrado
Neste dia cruel
Através do véu da loucura
Com uma jogada viciosa
Um homem levanta-se
Ficando no caminho

Redenção, redenção para a humanidade

***

Na Presença dos Inimigos pt.2

Bem-vindo cansado peregrino
No círculo
Nós estivemos esperando
Todos recolhidos por sua chegada
Todos os crentes

Anjos caem, todos por você, herege
O coração do demônio sangra por nós

Eu tenho esperado por você
Cansado homem pregador
Você tem sido esperado
Agora nós podemos começar
Deixar esse dia vazio do julgamento quebrado
Eu conheci seu pai
E sua busca sagrada
Soldado abençoado lutando
Você nunca descansará
Eu conheço você, mas você me conhece?

Anjos caem, todos por você, herege
O coração do demônio sangra por nós
(minha alma é sua, Mestre Negro, eu lutarei por você)
Mestre Negro dentro de mim, eu lutarei por você
Mestre Negro do pecado, agora minha alma é sua
Mestre Negro meu guia, eu morrerei por você
Mestre Negro dentro de mim…

Eu não posso ver seu rosto
Mas eu poderia sentir o despeito
Uma presença dos mortos
Abandonado pela luz
Sua sombra te consumirá de dentro
Este poder que eu sinto
Raiva atrás daqueles olhos
Esse fantasma de justiça que não toma seu lado
Um espírito profundo aqui dentro
O corpo e a alma, ambos destruídos
Eles são um

Anjos caem, todos por você, herege

(…)
Mestre Negro, eu sou, eu pertenço a você…
Mestre Negro dentro de mim…

Não
Se preocupe tentando encontrá-los
Eles virão até você
Lute
Lute e destrua até que você não possa mais ser pego
Derrame
Hey! Derrame o sangue dos rebeldes
Eles são o terror do inferno
Carne
Eu estou sendo morto
Parando a não ter o que matar

Santo
Pego em um momento de fraqueza
Terminou a grandeza de tudo
Vendida
Metade de minha alma
E agora eu estou te esperando

Eu nos julgo, meus olhos vêem
Eu julgo e eu sou justo
Para eu falar da besta
Que vive em todos nós
Importunos, seu tempo chegou

Senhor,
Você é meu Deus e meu pastor
Nada mais eu quererei
Ando
Através do abismo,
Nas sombras da morte

Medo
Não há nenhuma razão pra temer agora
Enquanto você estiver comigo
Meu
Cálice transborda
Sangue do meu inimigo
Eu
Pego na casa do senhor
Pra sempre, amém
Morte
Me segue
Todos os dias da minha vida

Eu nos julgo, meus olhos vêem

(…)

Servos do homem caído

(…)
(É hora de ir, Mestre Negro)

Minha alma vai ficando mais fraca
Ele sabe e ele espera
Ele presta atenção em mim
Parado nas portas do inferno
Na hora da escuridão
O momento que eu temi passou
O momento que eu perdi minha fé
Prometendo salvação
Minha alma é minha agora
Eu não luto por você, Mestre Negro

***

E agora, caro leitor: você conhece alguma outra música (só vale metal) que também trabalhe o tema do cristianismo de forma interessante? Quem sabe com a sua colaboração não surge uma parte 3?

ATUALIZAÇÃO: Acompanhe a discussão sobre o tema neste fórum: http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t1161-influencia-crista-no-rock

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12 pensamentos sobre “O metal e o madeiro – parte 2

  1. Pingback: O metal e o madeiro – parte 1 « O Legado d'O Andarilho

  2. Bem, muito bom seu texto, meu caro! E já que você falou bastante do Halloween, vou ouvir mais pra conhecê-los haha.
    Bem, sobre as análises, gostaria de fazer algumas ressalvas. O nome “Iron Maiden” não surgiu de alguma cogitação ou algo acerca da Igreja, mas sim por causa do filme “O Homem da Máscara de Ferro”, que Harris havia assistido, na década de 70. Neste filme há referências sobre esta máquina de tortura e Harris viu que seria um bom nome para uma banda de heavy metal haha. Sobre a letra da música, realmente apresenta vários pontos clichês, onde se culpa “religiões” por muitas coisas… confesso que não havia notado muito essa parte, que é praticamente a música toda, pois eu sempre focava no final da música, que tem uma estrofe lindíssima, primorosa e fantástica, que me deixa sempre feliz e mais em comunhão com Deus quando a ouço. Enfim, certas músicas, mesmo não sendo cristãs, são capazes de me mostrar a maravilha de Deus e o amor de Cristo para com cada um de nós, por isso, continuarei ouvindo e aprofundando meus conhecimentos gerais e minha fé. Parabéns pelo texto, meu caro! Que Deus vos guarde e vos proteja com a intercessão da Virgem Santíssima.

    • Salve! Chegou a visitar o fórum? Tem mais informações sobre o Helloween por lá. Daria até pra fazer um artigo só com letras deles, hehe.

      Agradeço a atenção em comentar. Fique com Deus.

  3. Amigo, embora não concorde com algumas coisas que escreveste, não vou entrar em discussão porque, embora eu me considere cristão, não sou uma pessoa muito religiosa e nem tenho conhecimento sobre a Bíblia. O que percebo, porém, é que alguns apreciadores cristãos do gênero “metal” tentam às vezes “limpar a barra” de alguns artistas ou bandas, sendo que muitas vezes a menção a questões ocultas é evidente (Iron Maiden é campeão nisso, tanto em letras com temática cristã quanto em temática ocultista). Eu não me preocupo com isso porque não sou religioso, mas imagino que pessoas mais crentes possam vir a ter mais dificuldade em lidar com isso, pois considero essa situação um pouco conflituosa.

    No mais, listo abaixo algumas músicas que têm alguma relação com isso. Penso que você tem muito mais propriedade para analisá-las do que eu:

    Helloween – Hey Lord
    Helloween – Lavdate Dominvm (se você não conhece essa, certamente vai se surpreender)
    Iron Maiden – Sign of The Cross
    Edguy – Land of The Miracle
    Angra – Spread Your Fire

    • Fernando, te agradeço pela atenção dispensada, e pela participação.

      Espero que meu artigo não tenha soado para muita gente como uma mera tentativa de aliviar a consciência de quem quer ser cristão e ouvir rock 🙂
      Não acredito que exista lá uma necessidade de se conciliar o gosto musical com a crença, tampouco comungo da preocupação que algumas pessoas mais prudentes apresentam de que ser muito flexível na apreciação da arte secular possa causar prejuízo para a fé ou para o testemunho particular.
      É claro que, no tocante às artes (não só a música, mas a literatura, a cinematografia, etc) há muito material não só profano (tomando a acepção mais básica da palavra, ou seja, aquilo que não faz referência à religiosidade) mas também blasfemo, hostil às religiões, sobretudo à cristã. Aí eu até acredito não seja de muito proveito dar tanta atenção a este último tipo. Por isso não fiz questão de incluir músicas e artistas que inspiram-se na religião cristã para apresentá-la de forma ridicularizada. Penso que não haja defesa para isso, até porque esta expressão de repúdio não comporta defesa ou argumentação.

      A ótica que eu peguei para apresentar estas letras e artistas foi justamente a de que nem sempre a crítica feita à religião na arte é motivada por ódio. Penso que estes artistas são mais elevados e respeitáveis que grande parte dos que se vendem como “black metal” simplesmente porque enxergo na forma como eles as apresentam um mínimo de respeito pela religião em um ou outro aspecto (valores espirituais, valores sociais, etc) e que, uma vez não tendo um ódio infundado e pueril da religião, expressam um sentimento para com ela no sentido de que: “Po, é verdade que tem muito cristão bom mas, cara, é difícil engolir o catolicismo por isso, isso e isso…”, compreende?

      E, claro, quis testemunhar sobretudo para os pagãos que o cristianismo não cega nem deixa alguém bitolado. É claro, pra carteira de leitores do Whiplash eu pareci ser apenas um “carola”, um “crente” maldito que cismou de ir pregar no meio deles. E as manifestações deles só fizeram justificar o objetivo do artigo, hehe.

      Vamos às sugestões…
      Pois é, o Helloween tem muita música que beira a aproximação com a religião. É bem interessante. Eu tomei conhecimento depois de publicar estes artigos de uma música chamada “I Believe” que é do álbum Chameleon. A este e o anterior, “Pink bubbles go ape” eu não dei ainda a devida atenção, mas esta letra, que foi escrita pelo Kiske (e figurou no último álbum da banda com ele) traz uma espécie de confissão bastante sincera sobre a condição de pecador. E a postura dele, em procurar se afastar do heavy metal (e mais do que isso: dissociar a imagem dele do metal) corrobora com a interpretação preliminar que eu fiz da letra.
      Realmente dá para fazer um “metal e madeiro” só com letras do Helloween! 😀

      Admito que não parei para analisar a “Sign of the Cross” do Maiden. Mas além dela lembro que há a “Hallowed be thy name” que rapidamente se ira contra Deus. Enfim, tudo isso mostra como o legado do cristianismo está presente de muitas formas, provocando as reações mais adversas.

      Não conhecia esta do Edguy, vou pesquisar. Você conhece o Avantasia, certo? A primeira fase (Metal Opera partes 1 e 2) é um conto épico com ácidas críticas clericais. E por ser ficção tem o meu respeito. Não é nada para se alarmar. Não é caso de excomunhão, hehe.

      E quanto à “Spread your fire”, não é só esta música. O álbum todo “Temple of Shadows” é conceitual também e traz críticas. Pegue a música maior, “The Shadow Hunter”. A personagem, já completamente descontente com Deus por ter perdido tudo que amava, diz: “ao fim da guerra santa (como em deixando a guerra santa de lado), Jesus era um homem (…) com uma alma tão divina como a sua”.
      Analisando rapidamente: isto é blasfemo? Não. Pode ser herético, mas se considerarmos o contexto, e o fato de ser uma obra de ficção, pode ser aceito como uma afirmação UNICAMENTE da personagem, embora possa ser tomado como uma opinião do compositor extravasada através da personagem. Praticamente tanto faz. No entanto, a igreja Católica lidou nos seus primórdios com gente que procurava convencer multidões de que Jesus era unicamente humano, apenas mais um profeta. E também combateu quem defendia que ele era só divino, tendo sido a morte na cruz uma “encenação”.

      Penso que tudo isso enriqueça principalmente a nós, cristãos. É importante saber como a Igreja, como o cristianismo é vista pelos olhos do mundo. Foi isso que eu tentei captar.

      Paz e Bem
      Volte sempre!

    • Esqueci de falar da Laudater Dominus. É mesmo sensacional. Eu aprecio muito o metal cantado em línguas diferentes do inglês. Há uma entrevista em que o Weikath diz que essa música foi uma homenagem aos fãs latinoamericanos. Ou ele acha que por causa da origem nós entendemos latim amplamente, ou se apegou mesmo ao conhecimento geral da expressiva fé cristã do povo daqui.

  4. Olá oandarilho01,
    Parabéns pelo excelente post. Sou um amante do Rock in Roll e concordo com seu posicionamento de que ouvir Heavy Metal, lógico que com alguma prudência, não influência em minhas convicções religiosas. E, pensando em prolongar essa temática que muito me agradou deixo algumas dicas de músicas que podem ser analizadas por você e postadas num próximo artigo:

    1 – GRAVE DIGGER – The Last Super.
    Se trata de um Hevy Metal muito bem executado com direito a refrão grudento e tudo. A música aborda a passagem bíblica da última ceia e sobre a traição de Judas. Esta é uma grande banda que indico a todos.

    2 – IN EXTREMO – Ave Maria
    Esta banda executa um Folk Metal (estilo que me identifico bastante) belissimo e emana medievalidade. A música trata, como sugere o tema, da Virgem Maria mais precisamente da Anunciação do Anjo Gabriel. Um verdadeiro Hino de Veneração à Grande Mãe de Deus.

    (Abaixo uma versão acustica que ficou perfeita)

    Para concluir deixo algumas indicações de bandas de Metal Cristão/Católico (vi seu post no forum sobre o interesse em conhecer mais sobre o Eterna e o Iahweh):

    1- União – Banda de Heavy Metal brasileira;

    2- Ceremonya – Banda de Rock/Heavy liderada pelo antigo vocalista do Eterna Danilo Lopes

    3- Illuminandi – Banda de Folk Metal polonesa que que excuta um som épico muito bem elaborado.

    4- Icarus – Um Heavy Metal muito bom de El Salvador

    Valeu cara, até a proxima.

    • Olá, nuneskosta!

      Fico muito grato pelo seu comentário e principalmente pelas sugestões. Vou escutar cada música assim que tiver tempo. Tenho um amigo que fala muito bem do Ceremonya.

      Fique com Deus!

  5. Falando na Donzela… A origem do nome também é uma referência à finada ex-primeira-ministra inglesa conhecida como Dama de Ferro (Iron Lady). Ela chegou a ser retratada na capa de um dos primeiros singles da banda. Os músicos a detestam.

    Entendo que os integrantes têm alguma formação cristã (não católica) e respeitam a fé, mas, um pouco pela rebeldia do gênero e um pouco pelo conhecimento superficial optam por fortes críticas a práticas erradas ou polêmicas (guerras, cultos protestantes ou hipocrisia) ou por bobagens infantilóides (o Número da Besta descreve um sonho bobo que não tem nada a ver com o Apocalipse, embora a passagem do 666 seja citada no início da música).

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