Dor eleitoral de cotovelo


Dor de cotovelo

Quando uma pessoa A sente inveja da outra pessoa B por que essa pessoa A queria estar no lugar da outra pessoa B.

 

Em terra de cego, Andrea Gouveia parece ter pelo menos três olhos, que funcionam só quando convém

Evidenciando o que eu já venho mostrando aqui no blog[1], que socialismo e cristianismo não combinam, tomo conhecimento desta matéria,  que se inicia assim:

Vereadora acusa Paes de usar repasses de verba como mensalão religioso

Em um texto enviado a eleitores por e-mail nesta quarta-feira (19), a vereadora Andrea Gouveia Vieira, licenciada do PSDB para apoiar a campanha de Marcelo Freixo (PSOL), acusa o prefeito Eduardo Paes (PMDB) de usar repasses de verbas públicas para comprar o apoio de entidades religiosas a sua campanha de reeleição. Para ela, tal iniciativa “não deixa de ser uma forma de mensalão”.

Nem vou entrar no mérito de que a dona fez uso do termo “mensalão” aproveitando-se da modinha… Agora: se ela já sabia da coisa toda, por que será que deixou para colocar a boca no trombone só esse ano, esse mês, nesse dia, a tão pouco tempo da eleição? Será que ela só aprendeu a enviar e-mail essa semana?   Oo
Esses assessores, hein!, vou te contar…

Mas a parte que me toca mesmo é essa (resumo escrito pelo jornal):

Os católicos também não teriam ficado de fora: eles já teriam recebido R$ 8 milhões. Além disso, critica ainda a implantação das aulas de educação religiosa nas escolas municipais, “com contratação de professores para ministrar os diferentes credo(sic)”.

Já que a ressentida vereadora (ver ao final) menciona eventos como a “Marcha para Jesus”, e parece tão ciosa do uso do dinheiro público (a-ham…), acredito ser importante frisar que, pelo menos, a Igreja Católica proporcionará para o Rio de Janeiro um evento de importância e abrangência internacional, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) ano que vem e que a última edição do evento (em Madri/Espanha, no ano passado) movimentou 354 milhões de euros e custou, em âmbito organizacional, em torno de 50 milhões de euros advindos de recursos gerados pela própria organização.

Eu não sou fã do Eduardo Paes também. Nosso relacionamento se resume a um aperto de mão e um voto do qual me arrependo. Mas como a briga é entre ele e o Marcelo Freixo, o alvo obviamente não seria seu (ex-?) colega de partido, o candidato Otávio Leite.

O último destaque para o desvario da vereadora é este, extraído do texto original da mensagem eletrônica (repeteco do trecho acima, mas nas palavras originais de Andrea):

Com os católicos, que não contam com padres-vereadores, mas têm seus escolhidos, as vantagens recebidas com nossos impostos passam da casa dos R$ 8 milhões. Para umbandistas, o benefício foi mais discreto, R$ 248 mil.

E o prefeito cometeu o que considero o mais grave: instituiu a aula de religião nas escolas públicas, com contratação de professores para ministrar os diferentes credos.

Caro leitor, torça sempre o nariz para quem usar esta falácia dos impostos. Por acaso nós, que professamos algum credo religioso não pagamos também impostos? Não podemos, porventura, querer que nosso dinheiro seja convertido em difusão da nossa fé, ainda que facultativamente? Essa gente laicista é tão engraçada… O que será que a vereadora fez (porque, dada a revolta dela, acredito que TENHA SE PRONUNCIADO a respeito!) quando colocaram a escultura de Iemanjá na praia de botafogo? Humpf…

E depois: “instituiu”? Como se não tivessem nossos pais, tios e avós estudado religião na escola da “tia Teteca” no passado!

Mas, bem, o que importa é o hoje, não é Andrea Gouveia Vieira? O que importa são as eleições 2012 e o fato de você ter ficado de fora…  O passado (que nem é tão distante), quando a senhora sabia a respeito das “indulgências” do Paes, ficou pra trás, é tempo que não volta mais, não é? Já que o mensalão lhe encanta, não esqueça de conferir o destino que o delator tardio Roberto Jefferson teve no julgamento. 😉

Apesar de sua raivinha com o cristianismo, talvez a bíblia possa servir para lhe dar uma pequena lição:

“Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem.” (Mc 7, 20)
Conforme bem explicou o Mons. Jonas Abib: “Precisamos estar muito atentos a isso, pois o inimigo de Deus nos quer tornar uma chaga só. Ele coloca em nosso interior o desejo de querer tudo e de cobiçar tudo. O maligno está inclemente. Ele quer nos tornar corruptos, suscitando a cobiça em nós. A corrupção vem do profundo do inferno.”

Passar bem!

***

O senhor não teve o apoio da tucana Andrea Gouveia Vieira, uma das vereadoras mais atuantes da Câmara. Ela, inclusive, anunciou o apoio ao candidato do PSOL, Marcelo Freixo, depois de não ser a escolhida do PSDB para disputar à prefeitura. É uma perda para a sua campanha?
No fundo, é um alívio. O problema passou a ser do Freixo. Quem tem de explicar a Andrea agora é o Freixo, porque ela é um problema permanente. A Andrea perdeu em todas as instâncias partidárias e queria que fosse decretado o direito absolutista de ela ser a candidata à prefeitura. É um absurdo e uma falta de respeito às instâncias partidárias. Ela agora é um problema do Freixo por uma razão muito simples: a postura ideológica do PSOL é radicalmente antagônica à do PSDB. Freixo fala muito de alianças espúrias. Então quem tem que explicar a relação entre o socialismo dinossáurico que ele propõe e o capital de uma pessoa que é da elite do Rio de Janeiro não sou eu. É ele. (Otávio Leite, em entrevista à VEJA)

Veja também:

Aprovado Ensino Religioso nas escolas do Rio de Janeiro

7 razões para se animar após Madri

Quando o PSOL bater na janela do teu browser…

4 pensamentos sobre “Dor eleitoral de cotovelo

  1. Pela conduta, se eu fosse do PSDB carioca pediria a expulsão da vereadora. Pelo o que pensa, se eu fosse seu eleitor jamais voltaria a votar nela. Pela malandragem, tenho certeza que ao estar do lado de Freixo ela se coloca do lado certo.

  2. As verbas públicas são escassas para todo programa Constitucional. Sendo assim, tudo que sai dos cofres públicos deve ser bem investido, considerando essa escassez. A destinação de recursos para contratação de professores, permanentes (via concurso, portanto, servidores), a fim de ministrarem aulas de religião (de algumas, claro, e ainda que ao argumento de ser expressiva, essas poucas, da maior parte da população, o argumento é inútil, frágil, sofista e antidemocrático) é exemplo da falta de pessoas sérias na política fluminense, e mesmo no país chamado Brasil. Os milhões de reais gastos na folha de pagamento desses professores, material e estrutura, além de corpo de apoio estão indo para o ralo. A formação religiosa, ou não, do indivíduo se dá no longo caminho da vida, sendo escolha pessoal. Os valores são apreendidos a partir da família, da comunidade e da escola, em pontos e perspectivas diferentes. A escola deve buscar formar no indivíduo os valores democráticos, fundamentais para cidadania. Portanto, aqui, o que temos, é uma necessidade de educação cívica. E não direcionada à religião – qualquer que seja. Mas Brasil é Brasil = um país de tolos. E vamos continuar seguindo por caminhos perversos. Aumento de gasto público com bens e serviços desnecessários, populistas, para atender a determinados grupos da sociedade, necessitando cada vez mais aumentar os impostos para sustentar o Estado cada vez mais pesado, inchado. Viva a ignorância política!

    • Olá, Daniel. Agradeço o comentário.

      Vou pontuar algumas coisas:
      1) Quanto à abrangência das religiões, bem, é um ponto a ser tratado entre os representantes acadêmicos delas. Teólogos cristãos, escritores espíritas e das religiões asiáticas devem conversar entre suas subdivisões (não entre si) para atingir um consenso, quanto a quantas e quais disciplinas poder-se-ia ministrar. A aula de religião católica é fácil de separar de uma possível matéria protestante. Já dentro das protestantes, poderia haver grandes dificuldades, mas aí já é outra história.

      Em tempo: eu defendo que o estabelecimento desta “matéria religiosa” seja feita em conjunto com alternativas (tanto para os ateus como para religiosos que prefiram não estudar religião na escola). Aulas de artes (música, teatro, dança, dramaturgia, etc) poderiam ser encaixadas nos mesmos horários, para que ninguém fique sem opção e com horário vago. Os alunos poderiam, inclusive, variar as matérias de período em período.

      2) O argumento de que o dinheiro pago a professores de religião estaria “indo para o ralo” não procede. O aprendizado moral oriundo das doutrinas religiosas pode e deve ser usado por toda a vida da pessoa. Diferentemente, o aprendizado em algumas das matérias principais dos currículos, este sim, é jogado fora. Fora da cabeça. Para um engenheiro, grande parte (a maior) do ensino de geografia é inútil, por exemplo. Os gastos com a educação acabam sendo mal utilizados, mal dimensionados. Para um profissional das letras, 80-90% do conteúdo ensinado em matemática/física/química é praticamente inútil. É uma discussão válida, a meu ver, o dimensionamento não só do orçamento, mas do direcionamento do ensino em si. Mas determinar que esta ou aquela matéria não deva ser incluída por questões meramente financeiras, não é o caminho correto.

      ***

      De fato a formação do aluno é um trabalho conjunto da escola e da família. O benefício da educação religiosa é reforçar ou mesmo garantir a formação moral que muitas crianças e adolescentes, hoje, já não recebem de suas famílias, por diversos problemas estruturais.
      E embora a religião seja vista hoje como uma “escolha pessoal”, ela normalmente reflete a tradição familiar (quando não a OPOSIÇÃO à esta tradição). Outrossim, os pais têm o dever e o direito de influenciar na educação religiosa dos filhos, influenciar nas decisões. Mas, claro, isso já é papo pra se ter entre dois “crentes” 🙂

      Concordo que os gastos públicos estão muito errados. Mas não só na educação (com seus kits-gays), como na saúde – incluindo aqui, gastos com material de apologia à sexualização precoce introduzidos nas escolas em forma de palestras e campanhas: presevativos, contraceptivos, etc – na infraestrutura, etc. Pra isso devemos votar melhor e cobrar dos responsáveis (os legislativos) para que ficalizem os gastos dos executivos.

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