Um outro sentido para islamofobia


Há duas presenças em marcante crescimento no mundo, hoje: a quantidade de conversões ao Islã na Europa e a quantidade de abusos/ridicularizações/provocações/ataques contra o patrimônio cultural cristão no Brasil.

O paralelo me é útil porque, à medida que a insatisfação vai tomando conta do povo cristão – com razão! -, vai também se solidificando um sentimento de que nós não estaríamos dando repostas a esses ataques à altura das retaliações muçulmanas.

E não temos que nos igualar mesmo!
O cristianismo é universal, é real e além do mais, fomos avisados desde o começo que perseguições ocorreriam, não? (Cf. Mt 5, 11-12).
Se fôssemos atirar um avião ou detonar um carro-bomba pra cada blasfêmia que se pronuncia contra nossos símbolos sagrados, eu digo: não haveria mais cristianismo no mundo, pois mataríamos não só os inimigos do Cristo, mas também os próprios fiéis. Nem os protestantes estariam mais por aí…

No mês de maio ocorreu o episódio do sacrílego comercial da marca de sandálias Melissa. Mas apesar de um grandecíssimo despróposito, o caso ficou mais marcado pela irresponsabilidade do administrador do imóvel.
Em setembro último, quase eclodiu uma polêmica por conta de um blasfemo filme que traz, entre outros absurdos, uma personagem católica masturbando-se com um crucifixo. Aqui acho importante anotar que, não obstante as terríveis ofensa e mau uso do símbolo magno da nossa fé, a cruz, além da distorção da imagem do fiel devotado, a película pratica, antes, uma absurda e asquerosa promoção de um vício, dum distúrbio sexual.

Mas a partir de qual ponto a legítima defesa da fé se transforma em paranóia? Não se pode perder de vista a noção de que não só algumas críticas podem fazer uso do bom humor, como em muitos casos torna-se inviável uma reclamação ou uma manifestação contra o uso de símbolos religiosos. Afinal, as religiões permeiam a vida social porque refletem uma dimensão muito real do caráter humano. Vejam o caso da infeliz senhora espanhola que desfigurou a pintura Ecce Homo. Já utilizaram o fato para brincar com um monte de situações. Pesquisando no google para encontrar a figura ao lado eu achei muitas imagens hilárias. Mas é o caso de, digamos, exigir uma retratação pública por parte da mulher? É óbvio que não!

O que dizer do recente problema com a capa da revista Placar, que trouxe o jogador Neymar “crucificado”? As reações foram imediatas e exaltadas. Os responsáveis pela arte gráfica da revista atestaram, para mim, incapacidade intelectual. Fizeram um uso néscio do imaginário popular. A crucificação não foi uma pena exclusiva de Jesus, pelo contrário. Ele sofreu aquela morte por ser uma das mais cruéis e ridicularizantes de que dispunham na época. Mas, o que é pior para os idealizadores da capa: Cristo não foi crucificado porque estava fazendo mal o seu trabalho (como foi sugerido pela matéria). Tampouco o jogador está colocando um império ou uma religião em risco; nem mesmo um time em particular!
Mas realmente tem boboca que trata futebol feito religião…

Para auxiliar no equilíbrio, vale a pena citar a recente vitória judicial da Igreja Católica contra a agência Cinco Entretenimentos que utilizava os símbolos relacionados à celebração eucarística católica, a missa, para promover sua festinha:

Acordo judicial derruba festa “M.I.S.S.A.”

A Associação Arquidiocesana Tarde com Maria conseguiu celebrar acordo judicial com a Cinco Entretenimentos, grupo que realizava as festas denominadas “M.I.S.S.A.”. A partir de agora, o substantivo “missa” não pode ser usado nos eventos produzidos, assim como não pode haver a utilização de indumentária e símbolos católicos nas citadas festas.
Conforme o acordo, a Cinco Entretenimentos “obriga-se, definitivamente, a nunca mais promover, nesta cidade ou em qualquer outro ponto do território nacional, qualquer evento que se identifique pelo substantivo “missa”, ou no qual se utilize essa palavra, de modo a associar o espetáculo à principal celebração da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana”.
Em eventos, materiais publicitários ou shows “qualquer indumentária, dístico, palavra ou verso, símbolo, letra, coreografias, foto, músicas ou outro elemento de qualquer natureza, que possa de algum modo associar a ação à mesma Igreja ou a seus sacerdotes, templos, livros, objetos de culto, ritos ou liturgia” também não será permitida.
A empresa continuará a utilizar a sua denominação “Movimento dos Interessados em Sacudir a Sua Alma”, não podendo dispor das iniciais para compor o substantivo em questão.
(Fonte: Site oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro)

Defendi, nas últimas semanas, a criação de um órgão internacional, diretamente ligado à Santa Sé, capaz de tratar judicialmente dos abusos e zelar pelo patrimônio cultural do cristianismo. Uma associação de advogados e profissionais de cinema/tv/literatura que tivessem autoridade para condenar abusos.
Claro que, com a laicização psicótica das nações, isso figura mais um sonho que uma sugestão consistente, mas é a minha dica.

Em suma: a minha “islamofobia” (vale registrar que acho todos esses substantivos terminados em ‘fobia’ grandes paspalhices, mas preciso me comunicar…) é ver meus irmãos católicos tornarem-se terroristas, adotando o modus operandi dos extremistas (ou mesmo das minorias de cá) em nome de uma defesa da fé mal operada.
Precisamos resistir às ofensas, mas o caminho mais produtivo ainda creio ser o debate, a argumentação e a transmissão da fé cristã católica, sobretudo para nossas gerações mais novas. Geralmente um chato antirreligioso não se sustenta para além da tréplica. Depois da segunda resposta do apologista eles penduram a melancia do “estado laico” e tapam os ouvidos repetindo “lálálá”.

AVISO aos anticlericais de plantão: eu não tenho problema com praticamente qualquer tipo de comentário. Mas também não tenho problema algum em chamar de burro quem assim se comportar.

2 pensamentos sobre “Um outro sentido para islamofobia

  1. O esquerdismo prega o ateísmo fundamentalista e o mais engraçado é defenderem o islã!
    Fazem protestos contra o machismo, a favor da maconha, contra a homofobia mas no Irã enforcam gays em praça pública, tratam mulheres como objeto e são totalmente anti-drogas (nem beber pode)
    É mto paradoxal não?

    • Olá, Sofia.
      É mais que isso: é controverso. E é assim porque na essência do esquerdismo reside o desapego à verdade, o uso pesado do relativismo. Sua escola é o oportunismo, a “verdade” da vez.

      Tudo isso, claro, revestido da máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

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