As prostitutas e eu


O deputado federal pelo RJ Jean Wyllys (PSOL) aproveitou os preparativos para a Copa 2014 para investir em seu projeto de lei reciclado de regulamentação da “profissão” de prostituição. Como tem sido noticiado nesses últimos dias, prostitutas estão recebendo – juntamente com empregados de outras atividades comerciais, tais como garçons e taxistas – treinamento em inglês para, err…, melhor atender os turistas.

Basicamente, o deputado deseja que as casas de prostituição sejam regulamentadas, de forma a dar maior segurança às mercadorias empregadas (especialmente quanto à sua integridade física) e, com legislação adequada, proporcionar os ditos direitos trabalhistas de que gozam hoje demais ramos de atividade. Aí mora um certo perigo, aliás: como eu comentei no twitter, Jean Wyllys está certo ao dizer que prostituição infantil não existe, mas sim exploração sexual de menores. Entretanto, uma equiparação da prostituição às demais atividades comerciais, conferindo-lhe os mesmos benefícios e mesmas potencialidades nas relações trabalhistas, é um passo no caminho de abominações como programas de “jovem aprendiz (prostituta)”, programas de estágio para, imagine só!, meninas de 14-17 anos, quem sabe… Portanto, é incoerente falar em combater a exploração sexual de menores quando se procura incentivar a prostituição.

Com certa razão, também, do deputado se queixa de enfrentar barreiras morais e religiosas no caminho rumo à aprovação da imundície. Graças a Deus! Sinal de que ainda há uma resistência que deseja conservar e preservar os bons valores nessa sociedade.

Numa entrevista recente ao site UOL, o deputado comentou sobre a resistência que se encontra também dentro de círculos feministas, dentro e fora do país. Pela forma com que falou do famigerado Femen, acredito que não agrade a Wyllys a inócua atitude de exibir os seios em sinal de protesto. Muito bem: A mulher que usa o corpo como chamariz de protesto não se valoriza. A cidade que usa suas prostitutas como chamariz de turista também não.

Bem, o que me moveu a redigir este novo artigo foi reproduzir uma conversa que tive em outro blog, com um rapaz identificado como Alexandre, onde pude argumentar sobre o porquê de se opôr a essa prática de troca de favores sexuais por dinheiro. Como pode esta atividade, que alguns (inclusive Wyllys) querem fazer crer só dizer respeito às escolhas de vida das prostitutas, afetar várias pessoas e famílias. E como a indignidade de tal atividade sexual imoral representa um defeito e uma miséria não só das mulheres transformadas em objetos, mas dos homens que as procuram.

Com isso reafirmo que a discussão deve ser no campo moral, que pauta os preceitos da convivência em sociedade. E denuncio como pensam os defensores da libertinagem (como Wyllys) para os quais decoro e decência não passam de conceitos superáveis e retrógrados.

OBS: É uma conversa razoavelmente extensa.

***

ALEXANDRE: (…) não há como se comparar tráfico, jogos de azar e corrupção com prostituição e por uma razão muito simples: o que separa a prostituição das demais práticas é o prejuízo. O traficante traz prejuízos financeiros e emocionais as pessoas com eles envolvidas. Os jogos de azar também. Corruptos então, quantos prejuízos não trazem!!!! – E prostitutas? – trazem prejuízo a quem?? – a que??? – sei muito bem a que: ao moralismo disfarçado ora de bons costumes, ora de cristianismo, ora de ideal da família.

EU: Alexandre, o traficante causa prejuízo financeiro e emocional para as pessoas envolvidas diretamente, ou seja, para os que pagam por seu serviço E indiretamente para quem depende deste “consumidor”, como seus filhos, esposa e demais dependentes.
De maneira perfeitamente análoga, a prostituição traz prejuízo emocional e financeiro para a família do “consumidor”. Ou por acaso é mero moralismo condenar o adultério?
As esposas vítimas do adultério deverão sentir alívio quando seus maridos as traírem com prostitutas de carteira assinada?
E este é só um dos pontos de vista desfavoráveis.

Supondo que se regulamentasse a “profissão” de prostituta. Imagina-se que as leis trabalhistas e as “normas de operação do ofício” seriam redigidas de forma a prevenir que uma “funcionária” trabalhasse quando acometida de DST, não concorda? No caso de uma DST incurável, ela deveria ser afastada do “cargo”. Daqui surgem duas hipóteses:
1) ou ela teria que ser qualificada a trabalhar como recepcionista ou operadora de caixa do “estabelecimento comercial” e para tanto teria que se profissionalizar;
2) seria aposentada precocemente;
Ora, se é para deixar de vender o corpo para trabalhar em outra função, não precisa exercer estes cargos administrativos num prostíbulo. Há uma infinidade de estabelecimentos comerciais dignos por aí. Pelo outro lado, criar uma carreira com grande probabilidade de aposentadoria compulsória não é nem de longe uma medida interessante para o governo, financeiramente falando.

ALEXANDRE: Então quando um marido trai a sua esposa com prostitutas, a culpa é das prostitutas? Acho que não é bem por aí, hein!
“Há um infinidade de estabelecimentos comerciais dignos por ai”? Por que um prostíbulo não seria digno? Seria a voz do moralismo(denovo!) classificando o que é e o que não é digno no comércio?

EU: Por mais que você e os demais amorais tentem distorcer e relativizar a decência de um ou outro comportamento, isso não muda o que são em essência.
É, aliás, praticamente um caso de petição de princípio: a alegação principal para se defender a regulamentação da prostituição é dar _dignidade_ às prostitutas marginalizadas. São marginalizadas porque não tiveram oportunidade de ter vida mais digna, com um trabalho que reconheça suas capacidades de produzir verdadeiros bens de consumo ou prestação de serviço moralmente correto para a sociedade. Não podendo sustentar-se de outra forma, submetem-se à prostituição. Ora, é portanto muito mais benéfico para as prostitutas receberem formação, estudo, para que possam mudar de “ramo” do que serem preservadas na situação indignificante. Mas ao invés disso, os amorais defendem que elas devem permanecer na condição de prostituição (à qual, lembre-se, elas chegaram por não terem uma escolha melhor) e que o conceito de dignidade é que deve ser alargado para abranger também o que é imoral.

ALEXANDRE: Quem são essas prostitutas marginalizadas que você citou? – Todas as prostitutas são marginalizadas e se prostituem por não terem uma escolha melhor? – Será mesmo??
Acho que as que são verdadeiramente marginalizadas são as que pertencem a uma certa classe social. Concordo que estas, sim, devam receber estudo, mas também concordo que sua condição de trabalho pode e deve ser melhorada. Agora, quem somos nós para decidir que o ramo em que atuam não é digno?? Quem somos nós para decidir que seus comportamento é imoral?

EU: Ora, Alexandre. Estamos aqui tratando do público-alvo do projeto, ou seja, as prostitutas marginalizadas. Aquelas que não precisam se prostituir, mas optam por fazê-lo por causa, digamos, do ganho fácil de dinheiro, não precisam de amparo. E quem está numa condição destas pode optar por fazer outra coisa, o que ajuda a desvalorizar a proposta de lei.
Ademais, a moça que pode optar por um trabalho decente mas opta pela prostituição é tão desavergonhada quanto o comerciante que adultera o peso de um produto para faturar uma graninha a mais na venda, por exemplo, ou o motorista que pega a tarifa da passagem e manda o passageiro entrar pela porta de desembarque.
Quem somos nós? Não sei quanto a você, mas eu não uso de falsa modéstia para me eximir de fazer juízo de valor acerca de condutas morais. Voltando ao começo da sua argumentação: podemos perfeitamente desqualificar uma atividade que cause prejuízo para terceiros, como a corrupção (de qualquer tipo, em qualquer atividade comercial), da mesma forma a prostituição, como eu apontei inicialmente.
É claro que uma pessoa que não preze o valor da família e da fidelidade conjugal não verá nada de mais no adultério promovido pela prostituição, mas esta negação da verdade não torna o envolvimento com prostitutas uma boa coisa. Tampouco o adultério.
Aí, você pode alegar que nem toda prostituta é alugada por homens casados, e como eu já comentei no artigo, não existe qualquer classe de homem em perfeito juízo que precise alugar uma prostituta. Quem parte para esta “opção de lazer” inegavelmente está buscando alívio ou compensação provocado por alguma desordem (emocional,fisiológica ou social).
A falta de noção da realidade, o vício da relativização das coisas impede que você e outras pessoas vêm benefícios em projetos como este. Isto na melhor das hipóteses, claro, considerando que ingenuamente ou emotivamente pensa-se somente em “fazer o bem” para alguns “pobres coitados”. Na pior das hipóteses, vocês que apóiam a prostituição são gente tão miserável psicologicamente quanto a clientela das
prostitutas. É fácil dizer que o interesse em derrubar o projeto é só de “moralistas” ou “puritanos”, ma vê-se logo que, na verdade, o interesse no projeto é basicamente das prostitutas e dos pervertidos, promíscuos e demais degenerados.

ALEXANDRE: As mulheres que trabalham na prostituição marginalizada encontram nesta um modo fácil de ganhar dinheiro? – Fácil?? – Discordo o comerciante que adultera o peso de um produto ou o motorista que pega a tarifa da passagem e manda o passageiro entrar pela porta de desembarque pecam pela falta de ÉTICA. O que isso tem a ver com a opção de um trabalho, que por sinal só é indecente para os moralistas?
A prostituição não é desqualificada pelas mesmas razões que são a corrupção. É aí que está o “x” da questão. Insisto: quem é contrário a corrupção, é justamente porque esta traz sérios prejuízos as pessoas. E não, não pode se dizer o mesmo da prostituição.
Acredite, o adultério não será menos pior se o adultero optar por uma “carola” em vez de uma prostituta. O adultério não depende da prostituição para existir. E quem não preza o valor da família e a fidelidade conjugal é o adúltero!
“Quem parte para esta “opção de lazer” inegavelmente está buscando alívio ou compensação provocado por alguma desordem (emocional, fisiológica ou social).” Essa sua tese pode até ser interessante, mas não passa de um simulacro de meias verdades que a ciênica do sexo vem tentando completar: há ainda muita gente fisiologica e emocionalmente sadia, que pertence a classe social de prestígio e solteira, que busca (algumas assumindo, outras nem tanto) esse tipo de diversão.
Não sei porquê, mas não estou surpreso com a sua conclusão moralista. Só queria saber mesmo o que há escondido por tras desse discurso que pretende infundir “ideias tão sãs”.

EU: Sim, uma forma fácil de ganhar dinheiro. Não exige conhecimento aprofundado sobre qualquer ciência. Não requer qualquer estudo, pra ser mais preciso.
A prática do ato sexual não pode ser classificada como um trabalho. Não comporta um plano de carreira e cargos, por exemplo, não consiste numa atividade da qual se pretenda “tirar férias” também. Se for pensar em programa de aprendiz/estagiária então… Isto, aliás, é um dos desdobramentos mais degradantes: a prostituição infantil.
E engana-se quem pensa que regulamentar a imundície como profissão acabará com o problema. Só um insensato ou um cínico imoral e pervertido para defender que haveria fiscalização eficiente.
Podemos ficar até o fim do ano, um de cada lado, a dizer que só condena a prostituição quem é recatado, moralista, conservador (que nem consiste em uma ofensa nem termo pejorativo), ou tenha “culpa no cartório” e que só apóia a prostituição quem é indecente, pervertido, promíscuo, conivente com adultério, etc, mas esta disputa não vai mudar a verdade sobre o fato.
Sua alegação de que apresentei uma “meia verdade” sobre a clientela dos prostíbulos não tem consistência. Os supostos sadios que você definiu caem dentro da mesma categoria de miseráveis que os demais. Não é o estado civil ou a renda mensal que define este estado, mas sim a aceitação ou não do sexo contratado. Nisso realmente o adultério pago não difere do gratuito. A problemática reside em se querer que uma atividade imoral seja profissionalizada e regulamentada.
Me chamar de moralista não torna a prostituição moralmente aceita, tampouco faz dela um ato decente. Eu não preciso da prostituição regulamentada. Só quem precisa e defende são os que aceitam as práticas socialmente (falo da sociedade de bem, obviamente, e não do grupelho dos que gostam de crer que “toda mulher é puta”, por exemplo) condenadas de relação sexual e desejam respaldo legal para suas torpezas e as dos outros.

ALEXANDRE: Então uma forma fácil de ganhar dinheiro é aquela que não exige conhecimento científico aprofundado e nem estudo? – poderíamos, dentro desse raciocínio, dizer que as empregadas domésticas encontram no seu trabalho uma forma fácil de ganhar
dinhero ja que não utilizam conhecimento científico aprofundado? Revelador esse seu pensamento, hein!!
A prática do ato sexual não pode ser classificada f-o-r-m-a-l-m-e-n-t-e como trabalho ainda! – E sim, a prostituição infantil é um problema que pode ser combatido pela regulamentação da profissão.
Não existe a tal meia verdade sobre a clientela do prostíbulo? Bem, então indique uma só fonte científica que endosse definitivamente aquela sua tese. Faço questão de conhece-la.
Que a prostituição é tida como ato indecente só por pregadores da paranoia moralizante: isso é um fato e contra fatos pode até haver opiniões, mas não há argumentos.

EU: “Então uma forma fácil de ganhar dinheiro é aquela que não exige conhecimento científico aprofundado e nem estudo?”
Não foi isso que eu disse, mas assim foi a forma que te agradou em interpretar. Como já venho dizendo, para uma mente dada ao relativismo, um conceito pode ser generalizado a fim de se anular uma dada informação.
Estamos discutindo a moralidade e a dignidade da prostituição. Eu defendo que é indigno porque compreendo o sentido pleno da relação sexual, enquanto complemento da relação conjugal não sendo, assim, licitamente nem moralmente aceitável transformá-lo em objeto de comércio. Você, por aparentemente preferir a liberalidade das relações interpessoais, prefere que a prostituição seja considerada aceitável. Por compreender o reducionismo prático que a prostitição imprime na dignidade humana é que sustento que a prostituição, quando tomada como meio de sustento, configura uma forma de optar pelo mais fácil, na contramão da natureza moral humana.
Também por sustentar que as pessoas que praticam a prostituição têm capacidade de elevar seus conhecimentos, suas habilidades, num sentido de agir e integrar-se à sociedade conforme o aceitável e, mais ainda: que isso depende grandemente do exercício de sua vontade e escolha é que concluo que dar-se à prostituição (que é unicamente o comércio carnal, veja bem, e não a mera relação sexual descompromissada, promíscua), contrasta com as formas legítimas de atividade profissional, como a de diaristas e demais empregadas domésticas, repositores de produtos em supermercados, camelôs, vendedores de bala do trem, etc.
Mas, claro, não espero que você, em sua aversão à moralidade e decência, entenda isso.
“Bem, então indique uma só fonte científica que endosse definitivamente aquela sua tese.”
Hmm… não sabia que você era cientista. Seria doutor em “ciências sexuais”? Parece mais ser versado em “boemia prostibular”. De fato eu não tenho como comprovar a minha “tese” até porque, inclusive, não sou frequentador de casas de massagem, casas da luz vermelha, centros de lazer, casas noturnas e demais “lojas” de sexo.
Mas, se você for mesmo um freguês deste comércio e tiver um estudo estatístico – que precisará ser BASTANTE APROFUNDADO NA PERSONALIDADE dos seus possíveis convivas – nos mostre, a fim de contradizer meu postulado de que todo homem que paga para fazer sexo com uma prostituta o faz em decorrência de uma perturbação de ordem moral (sexo sem a dificuldade da conquista da mulher, alternativas sexuais de difícil consenso), social (incentivo dos amigos) ou psicológica (necessidade de autoafirmação, fuga de conflitos emocionais).
Mas claro, isto só vai ser possível fazer isso quando voccê passar a entender de verdade minhas palavras, e não fingir que as entende…

ALEXANDRE: Não foi isso que você disse? – Ah, sim, foi e está registrado felizmente!
Não tenho aversão à moralidade e à decência. Tenho aversão a moralismos, fundamentalismo e práticas discriminatórias.
Não é preciso ser doutor para ter acesso a pareceres científicos. Nem é preciso ser frequentador de prostíbulos para estudar cientificamente a questão sexual. Agora, quando se expôe uma ideia sobre fatos é preciso que ela seja respaldada cientificamente, caso contrário é apênas uma hipótese inútil.
Mas é claro que para embasar suas ideias sua fonte não é científica, né? – Eu já desconfiava…

EU: Seguindo a sequencia lógica:
Alexandre(08:21): “As mulheres que trabalham na prostituição marginalizada encontram nesta um modo fácil de ganhar dinheiro?”
oandarilho01(10:09): “Sim, uma forma fácil de ganhar dinheiro. Não exige conhecimento aprofundado sobre qualquer ciência. Não requer qualquer estudo, pra ser mais preciso.”
Até aqui estávamos falando sobre a mesma coisa: prostituição. Como não foi feito o uso de alguma expressão com o mesmo teor de “toda atividade que não exige…”, eu não incluí, obviamente, as domésticas que você evocou depois. Não incluí também, por exemplo, aquelas pessoas que trabalham anotando as apostas para o jogo do bicho. É um outro exemplo de forma de ganhar dinheiro sem esforço, mas não vinha e nem vem ao caso. Quem pretendeu generalizar foi você quando disse:
Alexandre(14:43): “Então uma forma fácil de ganhar dinheiro é aquela que não exige conhecimento científico aprofundado e nem estudo? – poderíamos, dentro desse raciocínio, dizer que as empregadas domésticas encontram no seu trabalho uma forma fácil de ganhar dinhero ja que não utilizam conhecimento científico aprofundado?”
E conforme eu expliquei na sequência, não _podemos_ dizer a mesma coisa sobre as domésticas. Nem mesmo você _pode_ dizer isso, porque não faz sentido. Você pode até escrever isso, falar isso para alguém, mas é algo da sua cabeça, exclusivamente.
“Não tenho aversão à moralidade e à decência. Tenho aversão a moralismos, fundamentalismo e práticas discriminatórias.” – ok, pense e repita para si mesmo a formulação que mais te agradar. Não importa também.
“Não é preciso ser doutor para ter acesso a pareceres científicos.” – é mesmo? Então não preciso me incomodar em te apresentar qualquer estudo. Você mesmo, “não sendo doutor”, pode pesquisar a respeito, a fim de descobrir se existe mesmo algum estudo de acordo com os prismas que eu apresentei na minha última resposta. O google, alías, é uma ferramenta que não “discrimina” os não-doutores. Fique à
vontade.
“Nem é preciso ser frequentador de prostíbulos para estudar cientificamente a questão sexual.” – outra “brilhante” dedução! Tem certeza de que você não é mesmo doutor?
Por aqui já fica claro que não importa se existem teses, ensaios, monografias ou outros estudos registrados sobre o que quer que seja. Quando surgiu em você o temor de não me convencer, foi necessário exigir uma comprovação descabida. Descabida porque você mesmo só se preocupa em pedir, não se incomodando em se antever e me desbaratar apresentando um possível estudo que você tenha. Afinal, foi você quem evocou o respeitoso título de “ciência sexual”. É patético.
Por fim, dizem que “o gênio é aquele que teoriza o óbvio.”. Vemos que, pelo avesso, infeliz é aquele que é capaz apenas de reconhecer o óbvio.

ALEXANDRE: Ah, então o argumento “falta de estudo” serve para desqualificar prostitutas, mas não outros tipos de profissão porque não vem ao caso?! – Bem convicente, hein!!
Você pode apresentar qualquer estudo desde que seja científico. E de uma coisa eu tenho certeza: não há nenhum que confirme as suas ideias estapafúrdias.
Eu é que tenho que me antever para refutar suas ideias mirabolantes? – Num Estado democrático quem acusa é que prova. E não sou eu quem acusa os frequentadores de prostíbulos de serem portadores de desordem emocional, fisiológica e social. Uma coisa é dizer que “não se gosta de prostitutas” e que “não se gosta de frequentadores de prostíbulos” – isso é juizo de valor. Outra bem diferente é fazer afirmações como as que você fez, que pertencem a um terreno que, como se pode ver, não se conhece muito bem: o científico.
O que seria mais patético do que isso?

EU:  Você continua distorcendo ou não compreendendo o que escrevo. “Falta de estudo” não “serve para desqualificar” pessoa alguma. Ser contra a prostituição não é ter raiva das mulheres que infelizmente se prostituem. É, pelo contrário, desejar que vençam esta condição de marginalidade social alcançando a dignidade. Só você que está tentando me acusar de ter raiva ou qualquer outro sentimento depreciativo pelas prostitutas, pessoalmente.
Portanto, eu não quero e nem tento “desqualificar” as prostitutas, mas sim a vontade de promover a atividade ruim que é a venda do corpo em profissão. Afinal, este é o objetivo do projeto, lembra? Não haveria proveito para a discussão avaliar outras profissões no contexto desta discussão e por isso disse que não vem ao caso esmiuçá-las tal como fiz sobre a prostituição mais pro começo da discussão. Questão de procurar ser objetivo.
Com relação às prostitutas, você foi quem procurou levar para o lado pessoal.
Bem, o vitimismo é um comportamento típico das minorias. É, portanto, curioso ver você, que não se apresentou como “profissional do sexo” tomar as dores da “classe”.
Alexandre, por que chamar minha classificação dos frequentadores de prostíbulos de estapafúrdia e mirabolante agora? Lá mais em cima, às 08:21 você não só a considerou uma “tese interessante” como afirmou que seria uma “meia verdade”. Portanto, chamar agora de “estapafúrdia” é falta de coerência. Em tempo: se é uma “meia verdade”, subtende-se que exista outra metade. Eu discordei de você, às 10:09, sustentando que todos os frequentadores, sem exceção podem ser classificados daquela maneira. Eu não vejo essa “outra metade”que você vê. Ora, se existe mesmo uma “outra metade” que, inclusive, só você enxerga, quando você exige uma demonstração da “minha metade”, fica da mesma forma obrigado a demonstrar a “sua metade” que poderia seccionar minha “verdade completa”.
Sim, não foi você quem acusou eles. Mas considerando que você NÃO se encaixe nas classificações que eu enumerei, não estou nem acusando nem ofendendo você. Ou você está me confessando que faz uso de prostitutas? Me avise, pois aí eu talvez me sinta obrigado a trabalhar este viés contigo. Caso contrário, não vejo motivo.
Ora, se eu dissesse que “não gosto” de um ou de outro pura e simplesmente, eu estaria sendo estúpido. Já expliquei sobre as prostitutas logo acima, em não levar para o lado pessoal. Além disso, você teria pedido explicações do porquê de um ressentimento infundado ou pouco claro. Eu, sim, me antecipei e explicitei o porquê de ser contrário ao uso de prostitutas, tratei de elencar os males que provocam (isso bem no começo mesmo, ontem, às 17:18).
Só devo lembrá-lo rapidamente que você, também às 08:21, alegou: “há ainda muita gente fisiologica e emocionalmente sadia(…) que busca(algumas assumindo,outras nem tanto) esse tipo de diversão”. Eu deveria te pedir alguma explicação acadêmica, com referências bibliográficas para tal? Não vejo motivo. Assim, fico desobrigado a te prestar maiores esclarecimentos sobre minha opinião. Se você insistir nisto, vai estar “andando em círculos”.

ALEXANDRE: Se não há nada contra as prostitutas, por que ser tão contraproducente? – Por que não permitir que as mulheres que se prostiuem vençam a sua condição de marginalidade grantindo a elas direitos civis, como o da regulamentação da profissão? -O que há de mau nisso? – ah, já sei: as condutas morais!
Apesar de ser uma meia verdade a ideia é estapafúrdia e mirabolante porque não compõe o todo, porque tende para a generalização: considera-se todos os usuários de prostíbulos problemáticos quando nem todos são. Aliás, existe muita gente problemática também da àrea das condutas morais.
Não há a necessidade de se comprovar cientificamente que as pessoas sadias buscam esse tipo de diversão: seria como pedir para biólogos provar que patos têm penas. Uma bobagem porque é fácil de verificar. O problema é que os moralistas têm uma certa “miopia” para enxergar justamente os sadios. Porém quando o fenômeno é sofisticado há a necessidade de ser comprovado: se somente portadores de certa patologia/desvios buscam esse tipo de diversão, isso precisa sim ser comprovado.
Mas você tem razão, não ademos em círculos…

EU: Existem boas atitudes e atitudes ruins. Aquelas que fazem bem para a própria pessoa e as que fazem mal. Há também atitudes e escolhas que fazem mais bem do que mal e vice-versa. Eu estou do lado de quem crê que as prostitutas podem fazer coisas melhores de suas vidas, que lhes causem menos ou até nenhum mal. Eu defendi no meu artigo que sejam dados cursos profissionalizantes para que elas aprendam um ofício de verdade. Você, infelizmente, ainda está lá, muito atrás, na fila da “termas”, praguejando contra quem “tem preconceito” com as prostitutas. Não enxerga (ou não admite) que a condição marginal é a própria prostituição, é vender o corpo, e não o mero fato de não ter carteira assinada, férias remuneradas e fundo de garantia. Não alcança porque não parou pra considerar a condição humana com razoabilidade, reconhecendo o valor da integridade física e moral dos indivíduos. Ou porque simplesmente não dá a mínima, desde que haja sempre uma mulher fácil pra se alugar, e os moralistas “estraga-prazeres” que se explodam…
Sadio é ter uma mulher exclusiva, com a qual se possa se divertir inclusive sexualmente, de graça e sem correr riscos de saúde. É mais logico porque é tambem menos custoso, no minimo, financeiramente.
Opa, você se confundiu, de novo. Veja a lambança que fez: se uma afirmação é meia verdade é claro que ela não compreende o todo! E estritamente por isso ela NÃO é capaz de generalizar coisa alguma. Às vezes parece que você não revisa o suficiente o que escreve, e as idéias ficam atropeladas.
“Área de condutas morais”? Deixa. Nem precisa explicar. Deve ser um termo cientifico…
Concordo. Também não há motivo para comprovar que as pessoas desorientadas e desregradas frequentam. É tão claro que aqui é só você que acha que pessoas mentalmente saudáveis e de boa índole frequentam prostíbulos, Alexandre. E é tão simples de entender que o fato de frequentarem já evidencia a condição primeira… Uma pena que tenhamos que esperar você chegar até esse entendimento. Enquanto isso, felizmente, pode haver gente racional combatendo o despautério nas esferas politicas.

ALEXANDRE: Acho que quem deve decidir se a prostituição faz bem ou mal para si mesmo são as próprias prostitutas. Elas não precisam do policiamento moral para isso. Concordo que elas mereçam atenção especial no que diz respeito a preparação profissional em outras áreas que não a prostiuição, mas isso deve ser decidido voluntariamente por elas. Também nesse caso não é necessário o policiamento moral.
Essa sua noção de “sadio” tem uma parte de verdade, mas também carrega muita ingenuidade. Cuidado!
É meia verdade porque não compreende o todo e não compreende o todo porque é meia verdade. Entretanto é uma meia verdade que VOCÊ generaliza quando atribui a todos os frequentadores o que é de alguns. É uma tentativa sua de estereotipar os frequentadores de prostíbulos.
“àrea das condutas morais” é esse terreninho no qual você vive. Sacou?
Dependendo de onde vem essa afirmação há motivo para comprovação sim. O que evidencia a condição primeira não é o fato de frequentarem, é a convivência com as pessoas que frequentam. Pode ser que você negue que conviva com pessoas que frequentem prostíbulos e afirme que só conviva com os que são “sadios”. Mas lembre-se de que muitos frequentadores não assumem que frequentam..

EU: Não, não nego que conviva com frequentadores de prostíbulos. Não teria porque negar ou ocultar este fato afinal, conviver, no trabalho, não significa nem aprovar, nem ser conivente, nem participar. Tampouco me dou à amizade com eles. Apenas convivo.
Outrossim, eu não os considero sadios justamente porque sei o que fazem, ouço seus relatos. Eles não se importam de divulgar. Já se eu convivo com alguns doentios frequentadores que não assumem, não divulgam, não seria um caso de ingenuidade, mas de simples desconhecimento, ignorância.

ALEXANDRE: Conviver não significa viver fisicamente no mesmo espaço, é mais do que isso: há quem diga que é aproximar-se psicologicamente, emocionalmente da pessoa. É exatamente aí que se quebram os preconceitos, os estereótipos; e também é exatamente aí que se derrubam os mitos cultivados no moralismo. Mas para isso não é preciso aprovar, ser conivente ou participar dos interesses da pessoa. Basta deixar o olhar moralista de lado para enxergar que essas pessoas têm muito mais em comum com quem julga do que se imagina. Repito, não é preciso concordar com ela, ser como ela. Mas cuspir na cara dela valorer morais pedindo decência(ou o que se acredita ser uma) e em seguida emitir juizos de valor classificando segundo critérios próprios quem é doente, quem é sadio já é, por natureza, atitude que depõe contra a própria noção de decência do moralista.
Para mim indecente mesmo é quem é contrário aos direitos civis de algumas pessoas porque estas são tidas como “imorais”. Mais indecente ainda é quem diz fazer ou apoiar “corretivos” contra crianças que demonstram ter sexualidade menos convencional porque isso é tido como “imoral”. E Indecente ao cubo é quem explora comercialmente a fé das pessoas em nome do criador, que faz guerra em nome do criador, e que julga e bate o martelo em nome do criador. Pra mim tudo isso é indecência…lamentavelmente a indecência que os moralistas e tantos outros “istas” não enxergam.

EU: Alexandre, não acredito que isso que você disse era pra causar alguma comoção… que bobagem sentimentalóide! Então, para deixar de ser “moralista” e “preconceituoso” eu devo procurar me conectar emocionalmente às pessoas para assim, compreendendo melhor suas psiquês, passe a apreciar ou, pelo menos, respeitar as indecências que elas cometem? É mesmo muito ridícula a relativização que você tenta fazer. Para pessoas como você não existe certo ou errado, bom ou ruim. E com quem persiste em relativizar conceitos e a verdade fica difícil manter um diálogo.
Quem é contra “direitos civis” das pessoas? Por acaso eu ou o Bolsonaro defendemos que as mulheres prostituídas não têm direito de trabalhar EM PROFISSÃO ALGUMA? Não. Sustentamos que prostituição não é dignidade e que elas podem e devem desempenhar uma ocupação decente e adequada. Mas, como você mesmo já disse, isso é lá com elas. É escolha delas exercer seus “direitos civis”, agindo como qualquer outra cidadã, como qualquer outra mulher de bem, ao invés de colocar-se na contra-mão da sociedade.
Infelizmente você parace que jamais será capaz de dissociar a prostituição da prostituta. Você acusa algumas pessoas de preconceito, mas se aprisiona em um comportamento reducionista. Não consegue pensar na prostituta como pessoa, apenas como prostituta, como corpo a ser comercializado. Já te falei, Alexandre: você está muito atrás, muito distante na compreensão deste assunto.
Tomando emprestadas as palavras da música “Apaixonado” da banda Ultraje a Rigor:
“Existe uma parte da anatomia da gente que os médicos chamam de corpo cavernoso (…) mas parece que o sangue que enche tal tecido vem logo do cérebro, que fica um pouco perdido.”
“sexualidade menos convencional”. pff…
Hmm.. a Igreja é imoral? Vai lá combater a igreja, seu “puritano às avessas”… Não me faça rir com insinuações pueris.

***

Veja também:

Garotas de programa não querem registro na carteira de trabalho

Por um país de “filhos da puta!”

O dia em que Jean Wyllys me chamou de mentiroso

2 pensamentos sobre “As prostitutas e eu

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