A conversa JÁ chegou no chiqueiro


“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” – Mt 5, 12-13

Vi, por alto, que uma jornalista chamada Barbara Gancia disparou zombarias contra o papa Bento XVI, mas não dei atenção, logo de cara. Até porque ela é colunista do jornal Folha de São Paulo e, sendo carioca, não o acompanho. Mas após o alerta de um amigo, resolvi conferir seus despautérios.

A primeira coisa que me ocorreu foi a pergunta: Barbara Gancia, o que te fez pensar que o papa estava falando com você? Ou, como costumava ser dito nos meus tempos de escola: “Quem te perguntou alguma coisa?”. Sim, porque quando ela escreve “E vem o papa lavar roupa suja no seu último dia de missa e querer nos convencer de que está muito cansado para continuar”, o leitor é até impelido a acreditar que a jornalista é católica, mas basta continuar a leitura do seu material pestilento que estão chamando de coluna, para ter a certeza de que não passa de uma fulana anticlerical, anticatólica que, inclusive, é bobinha a ponto de achar necessário ressaltar sua preferência homossexual para fazer notar seu desgosto com a Igreja. Além do que segue escrito, uma consulta breve ao seu perfil de twitter (@barbaragancia) ilustrou imediatamente a “piedade” dessa pobre mulher, hoje liberta da “opressão imposta por uma educação católica” (segundo a própria):

barbara-gancia-fila-da-hostia

Barbara “Ganância”  – por atenção e fama, para quem os mais de 349 mil seguidores de twitter não devem bastar, a ponto de precisar tecer comentários tão oportunistas sobre um fato que não lhe diz respeito – queixou-se do papa ter feito o pronunciamento de sua renúncia em latim, obviamente ignorando que os atos maior importância (incluindo os burocráticos) emitidos pelo papa são tradicionalmente publicados em latim, ainda que depois traduzidos para outras línguas. Mas, claro, o “mito Ganância” (ver mais abaixo), provavelmente de dentro do armário (estão dizendo que ela aproveitou a saída de Bento XVI para se declarar lésbica…), tinha dificuldades de saber que a comunidade católica é muito bem servida de veículos de comunicação, como o Zenit e as agências ACI e Fides, que atendem a todos os dialetos humanos civilizados.

A cínica colunista que “detesta se envolver em polêmica” chama a atenção para o espantalho preferido do movimento gay: os casos de pedofilia. Quanto a isso só há duas coisas a se dizer:
1) a maioria esmagadora dos crimes de pedofilia cometidas por sacerdotes católicos constitui-se de casos de relações homossexuais;
2) quando se vê alguém que claramente não gosta de outra pessoa, falando mal dessa, vale sempre a pena procurar segundas e terceiras opiniões sobre o que está sendo dito. Quanto às respostas vaticanas às denúncias de pedofilia, ver [1][2][3][4][5]

Vale dizer também que a colunista, numa evidente contradição, acusa Bento XVI de hipocrisia por “remanejar acusados de pedofilia” ao invés de “entregar os casos à justiça comum”. Mas ela não acabou de reclamar que o papa “lavou roupa suja no seu último dia de missa”?!

A espertalhona Barbara Ganância pode até entender de física, alegando que o papa deveria encher-se de energia quanto mais se lhe recaem pressões as mais diversas, pelo “poder simbólico da resiliência” (!), demonstra ter feito pelo menos uma aula experimental de italiano (ou ser habilidosa no google translator) ao brincar com o naufrágio do navio Costa Concordia, mas evidentemente é incompetente em assuntos de doutrina católica, não sabe diferenciar estola de casula. Escreveu que o papa “abandonou o voto”, ignorando que votos são os do sacerdócio (de pobreza, de castidade, de obediência), aos quais Bento XVI não renunciou. Cala a boca, Barbara!

O restante do lixo digital que o jornal publicou é a velha bobajada homossexual que pretende compreender melhor Jesus Cristo que a religião que O apresentou ao mundo, quando na verdade não passa de egocentrismo rasteiro que acredita ser possível moldar o evangelho para acomodar seus interesses particulares. Erro, aliás, que não é exclusividade dos gays.

O importante é ter em mente que esse tipo de manifestação não é novidade. A Igreja, como qualquer ente que participe da realidade da sociedade, estará sempre sujeita a críticas, e sempre haverá cadelas ou cães raivosos a babar impropérios contra os filhos da Luz e porcas e porcos a chafurdar num ódio infrutífero à esposa de Cristo (quando não a Ele próprio). Com efeito, comentei recentemente com colegas internautas que não devemos jamais nos espantar quando nos deparamos com ofensas assim, já que é certo que uma multidão de ataques ainda mais asquerosos (como arquivos de mídia pornô reproduzindo orgias fantásticas entre personagens bíblicas, ou utilizando símbolos sagrados cristãos, por exemplo) residem, infelizmente, nos esgotos da Grande Rede e nós simplesmente não lhes notamos o fedor porque sabiamente evitamos revirar os bueiros. A imundície humana não conhece limites.

barbara-gancia-bio

Ah! Uma curiosidade: como toda criatura monstruosa mitológica que se preze, Barbara Gancia goza de uma versão estrangeira, um avatar que se materializou em outra cultura, outro país. Tem até o nome parecido.

Se é fama mesmo que o “mito” deseja, esta foi a minha humilde contribuição para a causa. E ainda dizem que eu não gosto de gays…


[1] http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/28378-igreja-aprofunda-resposta-a-abusos-sexuais-em-simposio-mundial-em-roma-pedofilia-nunca-mais
[2] http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/26374-igreja-belga-fara-acompanhamento-psicologico-dos-seus-seminaristas-como-prevencao-a-pedofilia (informação extraída do portal Terra)
[3] http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=87424
[4] http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u720037.shtml
[5] http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/04/papa-encontra-vitimas-de-pedofilos-e-diz-sentir-vergonha-por-abusos.html

Veja também:

Quem é Bento XVI e quem é Barbara Gancia?

Mais mentira do lobby gay: o papabile que deseja a morte dos homossexuais

Bento XVI e o jornalismo arregão

5 pensamentos sobre “A conversa JÁ chegou no chiqueiro

  1. andarilho, esse comentario nao tem nada a ver com seu post, mas qual é a visao da Igreja para com a clonagem? Minha professora de sociologia comecou a falar que a Igreja nao ajuda na ciencia porque é contra a clonagem… (e eu nao achei “CLONAGEM” no catecismo…

    • Boa tarde, Anna!
      Muito obrigado pela visita e confiança.

      As informações oficiais da Igreja Católica são essas:
      1) Reflexões sobre a Clonagem, emitidas pela Pontifícia Academia Pro Vita: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_academies/acdlife/documents/rc_pa_acdlife_doc_30091997_clon_po.html
      2) Observações a respeito da Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os direitos do homem, redigido por um grupo chamado “Grupo Informal de Trabalho sobre Bioética”: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_academies/acdlife/documents/rc_pa_acdlife_doc_08111998_genoma_po.html

      Basicamente, Anna, a Igreja defende que a vida é um dom de Deus e a sua geração foi concedida à humanidade através da união entre o homem e a mulher (mais precisamente, da união entre seus gametas). Só Deus, por ser o Senhor de nossas vidas tem o direito de dispôr delas e por isso não temos permissão de manipular a vida de outros seres humanos, seja para dar fim a elas (através do aborto, da eutanásia e de todas as outras formas de homicídio) seja para gerá-la artificialmente, de forma indiscriminada.

      A problemática com a clonagem e com procedimentos como a fertilização in vitro é que nesses procedimentos são gerados seres humanos (que passam a existir a partir do momento da fecundação de um óvulo por um espermatozóide) que potencialmente serão descartados depois. Isso configura um grave desrespeito ao direito à vida que todos nós temos. Literalmente eles criam vários seres humanos e os matam, privando-os de completar o desenvolvimento natal. E, dos que porventura nasçam, lesa-se o direito à família, parentesco, afeto, etc.

      Para piorar, a clonagem (como você poderá ler no primeiro texto indicado) vai além da manipulação dos gametas de forma artificial: utiliza-se apenas o núcleo de uma célula, que contém o DNA do ser originário (a ser clonado), fundindo-o, enxertando-o num óvulo sem núcleo (ou seja, sem o DNA da fêmea de onde foi extraído). É um delírio à altura do Dr. Frankenstein! Se estamos falando de clonagem humana, é uma verdadeira aberração.

      À parte do aspecto científico biológico, não se pode desconsiderar que as características psicológicas e espirituais (embora este lado só interesse à Igreja) do clone jamais poderiam ser idênticas às do ser originário. A própria ciência experimental não domina o campo psicológico com a precisão da patologia clínica, por exemplo.

      É importantíssimo sempre se observar com cautela os avanços científicos, sobretudo aqueles que interferem diretamente na vida humana. Do contrário, corremos o risco de nos desumanizarmos. Se é horrível a realidade do tráfico de órgãos, dada a violência com que se matam ou prejudicam profundamente as vítimas, como não ver com perplexidade e horror uma hipótese de reprodução laboratorial de seres humanos com fins exclusivamente de extração de órgãos e tecidos? Isso é completamente contrário à ética. Mas, infelizmente, coisas desse tipo não estão longe de acontecer e, de fato, algo semelhante já foi até comentado aqui no blog: https://oandarilho01.wordpress.com/2011/07/20/diagnostico-genetico-pre-implantacao/

      Agora: dizer que “a Igreja não ajuda na ciência” é uma falta de caráter muito grande da sua professora. Infelizmente os professores de ciências humanas (história, sociologia e afins) sofrem uma lavagem cerebral pesada para se formarem como verdadeiros anticristãos. Sua professora ignora que muitos dos expoentes da ciência, de todos os tempos não só foram cristãos como também religiosos, padres e monges. O próprio Gregor Mendel (que der início às pesquisas genéticas, já que estamos falando nisso) era monge agostiniano.
      A desculpa dela deve ser a ignorância sobre as pesquisas com células-tronco. Pode avisar a ela que os experimentos com as células-tronco embrionárias estão sendo descartados por terem resultados insatisfatórios, enquanto as experiências com células-tronco adultas (aceitas pela Igreja) avançam a cada dia. Mais detalhes:
      3) Geron, grande pesquisadora de CTEs desiste de trabalhar com elas devido a resultados praticamente inexistentes: http://www.nytimes.com/2011/11/15/business/geron-is-shutting-down-its-stem-cell-clinical-trial.html?_r=0 (e em português: http://brasilsemaborto.wordpress.com/2011/11/27/15-anos-e-150-milhoes-de-dolares-depois/ )
      4) Ganhadores de Nobel de medicina voltam-se para pesquisas com células tronco ADULTAS: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE89706I20121008

      Desculpe a quantidade massiva de informações, já nessa primeira resposta, mas quis cobrir já o assunto de forma abrangente.

      Paz e Bem

  2. Viva Cristo Rei!

    Só complementando o que o Bruno falou a respeito da relação entre Igreja e Ciência, essa idéia de que a Igreja seja contra a ciência na verdade tem dois problemas: um de princípio e um de constatação da realidade concreta.

    Tratando do princípio, simplesmente não existiria ciência moderna se não fosse pela Igreja. Pois foi com o advento das universidades, que são invenções da Igreja, e o desenvolvimento das teorias filosóficas de figuras como Santo Alberto Magno e Roger Bacon que pôde surgir até mesmo o conceito de ciência, pra não falar dos métodos, como a entendemos hoje.

    Olhando pra realidade concreta, se pegarmos só a ordem dos Jesuítas fez mais contribuições à ciência que todos os materialistas juntos. E ela é só uma das muitas ordens religiosas da Igreja!

    Infelizmente os professores de hoje não são como Santo Alberto. Eles preferem respostas simplistas a questões complexas, o que é totalmente oposto a uma atitude “professoral”. Imagina: pegar uma questão tão pequena como a clonagem e, a partir dela fazer uma afirmação tão geral como “a Igreja é contra a ciência”! Depois são os católicos que são obscurantistas…

    Pax et Bonum

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