Adoção: concepção


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Saudações!
Começarei uma série de artigos relatando os passos que seguirei com minha esposa no caminho para a adoção de uma criança (ou duas, quem sabe?). Pode vir a ajudar outros casais interessados, com informações sobre como proceder, que valores precisam ser pagos, etc.

Primeiro passo: procurar a Vara da Infância mais próxima da sua casa. Somos moradores de Bento Ribeiro (Rio de Janeiro-RJ) então, apesar do que informa o site da Vara da Infância municipal, o certo é procurar a da região mais próxima; no nosso caso, fica localizada no fórum em Cascadura (Rua Ernani Cardoso, 2. andar).

A primeira visita é meramente para retirar o formulário necessário da habilitação, que contém uma ficha para o casal, uma ficha onde registra-se o perfil da criança/adolescente desejado e os endereços dos cartórios dos quais os requerentes precisam obter certidões negativas de distribuição criminal e cível, de bens, etc. Aqui começa o desconforto:

Para essa região, recai sobre nós a pesada carga de custear 18 certidões (uma para cada cartório, para cada pessoa do casal)! As certidões para os quatro primeiros cartórios custam: R$ 66,44 (criminal) e R$ 80,38 (cível). Dos demais: R$ 80,38 (sobre propriedade de bens, como imóveis), R$ 60,36 (protestos), mais uma relacionada a bens, ao custo de R$ 67,33 e uma de execução fiscal (seja lá o que signifique…) a R$ 71,68.
Isso representa um custo, só com certidões, de R$ 1894,82
Note, no entanto, que os valores e a quantidade, para a sua região, podem variar (provavelmente para menos).
Vale lembrar também que o marido pode solicitar e receber as certidões pela esposa. Não é necessário que ambos compareçam aos ofícios de notas ou central de certidões.

É absurda a burocracia. Como é possível que um cidadão de bem tenha que pagar tanto para provar que não é criminoso? Se é o Estado quem duvida, ele que pague, ora essa! Quanto às demais comprovações, como a de posse de bens, não deveria ser um pré-requisito, já que a condição financeira de um proponente à adotante sempre será melhor que a situação de uma família biológica que perdeu a guarda de uma criança.

Existe a possibilidade de recorrer à Defensoria Pública para conseguir a isenção desses valores, mas sempre que “justiça” e “gratuita” se unem, demora é outra palavra que sempre acompanha…
Graças a Deus minha esposa e eu temos condição de não depender da boa vontade do Estado (sim, porque já soube de caso de proponente com rendimentos equivalentes aos meus que teve o pedido negado pela Def. Pública), então iremos solicitar as certidões já no começo deste mês de Maio. O prazo mais longo que recebi dos ofícios de notas foi de 8 dias para entrega.

Ah! Em paralelo a isso, é necessário conseguir atestados de sanidade física e mental. Um clínico geral é habilitado a emitir esses atestados, não precisa procurar um psiquiatra ou psicólogo. É, aliás, um passo aparentemente desnecessário, já que o processo de habilitação para a adoção prevê a submissão dos proponentes ao crivo de psicólogos e assistentes sociais. Talvez seja uma estratégia para eliminar os mais fracos, pelo cansaço que a burocracia impõe.

Antes que este texto reúna argumentos suficientes para desanimar outras pessoas interessadas na adoção, finalizarei por aqui 🙂
No próximo artigo da série relatarei um pouco do aspecto sentimental da coisa, pretendotambém comentar alguns eventos concretos (já) ocorridos nos passos seguintes.


Veja também:

Adoção: nidação (parte 2)

Adoção: dizigóticos (parte 3)
Adoção: maturação (parte 4)

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28 pensamentos sobre “Adoção: concepção

  1. Muito bacana meu irmão esta iniciativa em todos âmbitos como casal a constituir uma família, como Cristão e como cidadão. Sempre tive dúvidas como se dar este processo e tals e já de cara vi que é bem tenso. Força e Fé, conte com minhas orações 😉

  2. Pingback: Adoção: nidação | O Legado d'O Andarilho

  3. Por que adotar uma criança? A vida que você tem com sua mulher é tão insuportável para você querer incluir uma terceira pessoa? Caramba, pegue sua esposa e viaje bastante, namorem muito jantem fora quase todos os dias… Viver assim é chato?

    • Eu é que te pergunto, Carlos: por que você acha que ter uma criança na família é inconveniente?
      Sua situação financeira é tão precária assim, a ponto de uma criança representar um empecilho para se viajar, jantar fora, namorar, etc?
      Adotar é um grande ato de amor. E é uma resposta a um problema real: há crianças que padecem da falta de um lar, de uma família. É justo e bom olhar por elas e acolhê-las.

      A vida com a minha esposa, a nossa vida, é tão boa, mas tão abençoada, tão foda, que podemos nos dar ao luxo de transbordar essa felicidade acolhendo uma ou duas crianças no seio da nossa família!

      Tomara que um dia você alcance esse nível de realização pessoal.

    • Aí Carlos Aranha fica a dica para você:

      “Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, embora passando a vida numa longa luta de ignorância, eles dão o nome de paz a um estado tão infeliz.” (Sabedoria 14, 22)

      Ahh e se uma criança é um empecilho para você, corra e peça desculpa aos seus pais, pois, pelo seu ponto de vista você foi um grande empecilho para eles ^^

  4. Minha situação financeira é excelente. Mas não é muito melhor fazer tudo isso a dois, sem crianças? Pode-se ter muito mais privacidade e liberdade.

    • Não. Não é melhor. O grande barato do casamento é viver pela felicidade do outro. Por isso levamos nossas esposas para jantar, viajar, damos-lhes presentes. E elas, por sua vez, nos cumulam de mimos e carinhos. Logo, poder proporcionar felicidades, dar agrados para mais pessoas, é duas, três, n vezes melhor.

      Além disso, poder criar um novo indivíduo, transmitir-lhe bons valores e educá-lo para ser uma pessoa justa e correta é uma honra.

      No mais, desde que inventaram porta com tranca, toda a “privacidade e liberdade” se tornou garantida. Obviamente, decoro e pudor são indispensáveis para usufruir dessas necessidades básicas.

      • Eu sei que foi um comentário “en passant”, mas privacidade é muito mais do que trancar a porta…

      • E o que seria, então? Seja mais específico.
        É poder fazer sexo sem se preocupar com os barulhos? Sendo assim, você não pode ter crianças e nem vizinhos.
        É poder andar pelado pela casa e/ou espalhar conteúdo pornográfico pela casa? Sendo assim, você não pode ter crianças nem amigos.

  5. Carlos Aranha,
    Seria bom que você refletisse sobre essa frase:
    “A família é a fábrica que produz a humanidade, e o inimigo do amor e da família é o próprio EU. O individualismo é uma ilusão de adolescente. Alguém declara seu amor e pede em casamento a mulher amada propondo-lhe se ela quer ajudá-lo a livrá-lo de si mesmo”.

    – G. K. Chesterton, “El amor o la furza del sino”.

    E mais: se alguém, um dia, não tivesse reninciado a muitas noites de sono, não tivesse deixado de se divertir muitas noites para cuidar de nós, ou seja, se alguém não tivesse nos desejado, nos deixado vir ao mundo e nos amado, não poderíamos estar nos casando e curtindo a companhia de quem amamos. Retribuir isso ao mundo é uma forma de mostrar que o amor não morreu em nós, mas que o nosso coração, a terra semente do amor caiu, era fértil e deu frutos.

  6. Serei mais específico, Andarilho: não ouvir batidas inoportunas de crianças na porta do quarto onde minha mulher e eu temos nossa cama.

    Quanto a fazer barulhos na hora do sexo, só um casal disposto a ser acintosamente escandoloso conseguiria acordar vizinhos (onde moro há apenas 1 apartamento por andar). Quanto a amigos, meus camaradas só aparecem em minha casa com prévio aviso, pois pessoas de bom senso não fazem visitas-surpresa. Evidentemente, não deixo revistas – pornográficas ou não – espalhadas pelo apartamento porque sou um homem asseado e organizado.

    Fiz VASECTOMIA. Minha mulher também não deseja crianças e fica feliz em poder dispensar o anticoncepcional.

    • Bem, se vocês têm parentes com quem se relacionam (a menos que sejam duas pessoas excepcionalmente insuportáveis), talvez até que dependam de vocês, como pais, estão sujeitos a incômodos piores e mais inoportunos que os arroubos de uma inocente criança. É uma pena não terem estômago ou saco para tal. Sinto muito pelos seus.

      Também lamento pela opção de esterilização que vocês fizeram. Acho que só alguém que despreza demais a vida, em si, poderia fazer um esforço tão hercúleo para não dar prosseguimento à própria linhagem.

      Mas assim é, não duvido: há pessoas que, pelos mais variados motivos, não foram capacitados para serem pais. Felizmente, outros que foram, como eu, podem não só gozarem da felicidade da paternidade como da felicidade de doar-se por outros. Além de achar graça de quem considera tudo isso loucura, ou desperdício sabe-se lá do quê. 🙂

      • Tenho pai, mãe e irmã. Eu eu os amo. 🙂 Eles têm ótima saúde e independência econômica, não precisam morar na minha casa. Meus pais moram num belo imóvel próprio e minha irmã, ainda solteira, também tem o apartamento dela.

  7. Ainda sobre interferências de terceiros: se meus pais morassem em minha casa prejudicariam bem menos a minha vida conjugal do que um filho pequeno, que é um indivíduo em formação e, portanto, possui muito menos maturidade, “desconfiômetro” e traquejo social.

  8. Pingback: Jovens, levem sua alegria aos abrigos de crianças! « O Catequista

  9. Carlos Aranha…
    Pelas suas palavras, creio que todas as pessoas que te conhecem e as que também não te conhecem se sentem felizes e agradecidas por você não poder ter filhos, não querer ter filhos, pois a vida mais insuportável que uma pessoa pode ter seria ao lado seu e da sua esposa.;… sem amigos… sem presença de Deus… sem família…. esperamos que, já que você não ve utilidades em filhos, quando você tiver uma doença que te impossibilite de comer, beber, tomar banho sozinho, (pois não terá filhos né)…. seus enfermeiros desconhecidos não sejam daqueles que te agridam ou esfreguem merda da sua cara….

    • Junior, eu só não mando você à merda, porque você já está enfiado nela até o pescoço, seu filho da puta!

      Fale-me mais acerca dos idosos abandonados em asilos POR SEUS PRÓPRIOS FILHOS, seu babaca!

      • Ao Junior:

        Acho mais fácil você ter uma doença degenerativa e incapacitante do que eu…

        Se você acha que seus filhos cuidarão de você, prepare-se para ir para um asilo bem sujo e desumano.

      • Carlos Aranha,

        não adianta você mandar o Junior à merda. Por que você prefere espernear e dar ataque quando é confrontado? Se não tem capacidade de conversar civilizadamente, não traga suas palavras imundas para a Internet.

  10. Pingback: Adoção: dizigóticos | O Legado d'O Andarilho

  11. AO Carlos Aracnofobia

    Como eu disse, as pessoas se sentem felizes por vc não ser Pai… Seria uma tristeza na vida da criança… tanto isso é verdade que vc se doeu com esta afirmação…
    Não acho dificil pais serem abandonados pelos seus filhos, uma vez que eles são como vc… Idiotas, egoístas, desamados…
    Se um dia eu tiver doença degenerativa, o amor que hoje dou aos meus filhos será recompensado com seus cuidados!

  12. Fiquei estupefata com a quantidade de certidões e o valor .Você colocou que são 18 para o casal, todavia disseram 16. Estou ainda no processo de documentação e confesso que estou pensando em desistir. Tenho dois filhos e sempre desejei uma filha. Também moro em Bento Ribeiro.
    Parabéns por tudo!

    • Olá, Esperança!
      A conta deve ter variado por causa das certidões da Polícia Federal, imagino, as que se tira pela Internet.
      Dependendo do seu planejamento, pode ser válido recorrer à Defensoria Pública, não? Para nós, foi um pouco de “extravagância” na época; gasta-se tanto dinheiro ao longo da vida, com coisas dos mais variados níveis de relevância, por que não gastar com isso, né? Tínhamos pressa e, como ainda não temos filhos, cabia no orçamento acelerar as coisas desse jeito.

      Para te animar, aviso: o processo não é tão demorado como imaginamos. Já estamos avançados, passando pelas etapas específicas (“treinamentos”, participação nos GAA, entrevista com psicólogo, etc). Achamos que até o fim de Janeiro já estejamos habilitados e inscritos no Cadastro Nacional de Adoção.
      Estou nos devendo parar para redigir um novo capítulo desse diário, comentando os eventos que se deram após o terceiro artigo da série.
      Até meados de Dezembro sairá atualização, fique ligada.

      Boa sorte no seu processo e no que precisar, estou por aqui.

      Paz e Bem

  13. Pingback: Adoção: maturação | O Legado d'O Andarilho

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