A terrível idade das pedras


A terrível “idade das pedras”

Essa é a etapa da democracia que estamos vivendo. Milhares de manifestantes ocupando ruas das capitais dos estados da federação para protestar – com quase 20 anos de atraso – contra um aumento de R$ 0,20 na tarifa de ônibus. Claro que, diante do despropósito, os militantes do #vemprarua #ProtestoRJ e #acidadevaiparar já trataram de inserir quilos de outras  “pedras” no sapato da sociedade pra atirar no governo.

PSOL dando seu melhor: chiando e fazendo balbúrdia.

PSOL dando seu melhor: chiando e fazendo balbúrdia.

Manifestantes uniformizados

Manifestantes uniformizados

Manifestantes democraticamente negando o direito de ir-e-vir de terceiros

Manifestantes democraticamente negando o direito de ir-e-vir de terceiros

O resultado dessas passeatas, no Rio e em São Paulo foi um rastro de destruição: vidros de prédios públicos quebrados, igrejas pichadas, pontos de ônibus danificados. Bastava andar pela Avenida Presidente Vargas (Rio) na manhã do dia 14/06 para contemplar imagens como as que vão abaixo, produzidas pelos marginais manifestantes. Assim fica fácil entender os que apóiam a reação firme e incisiva da polícia.

Aqui no Rio, arrancaram, de alto a baixo, o vidro de uma agência do Banco S
antander. Não falta muito para quebrarem os TAA (caixas eletrônicos) e roubarem o dinheiro alheio diretamente (porque já “roubam” indiretamente, causando os prejuízos). Por mais que no meio da turba de manifestantes só alguns sejam os vândalos, as manifestações em si estão sendo convocadas por interessados no vandalismo. Então tem que parar.

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Quando comecei a pagar passagens, no final dos anos 90, a tarifa custava R$ 0,80. Mas o gigante só despertou agora…
Minha discordância é quanto à opinião de que se deva utilizar manifestações para chamar a atenção, seja da mídia, seja do governo, seja dos donos das empresas de ônibus. Até porque, me parece razoável admitir que governo e empresários previam reclamações; logo, já devem estar preparados para simplesmente ignorá-las.
E aí o que sobra para os manifestantes? Causar prejuízos materiais aos responsáveis pelo aumento. O que, longe de ser racional, só justificaria mais aumento, para compensá-los.

Para aqueles que são adeptos da filosofia da omelete, que insistem em apoiar os protestos mesmo com os resultados negativos já obtidos, eu digo que os manifestantes podem e devem tentar impedir o quebra-quebra, desde que realmente, verdadeiramente se importem com o benefício de todos (o que eu duvido), ao invés de estarem pensando apenas no próprio umbigo e estejam profundamente comprometidos com a causa, ao invés de estarem apenas aproveitando o oba-oba (o que parece mais provável).

Já vi gente alegando que a polícia deveria ser menos truculenta, agindo somente contra os baderneiros, poupando os “bonzinhos”. Ora, se quando a professora pede pro baderneiro se acusar, fica a turma inteira calada, por que o policial teria que esperar o vândalo levantar a mão e se acusar? Seu dever é restaurar a ordem e quem está no meio (ainda mais a partir da segunda “passeata”) está atrapalhando.

A via de ação é política, então deve ser tratada no nível dos legisladores municipais e estaduais, o que nada tem a ver ou depende de marchas, passeatas, bloqueios de rua e demais atos nas ruas. Que busquem vereadores e deputados capazes de abrir audiências públicas que resultem em projetos de lei de, por exemplo, subsídios para amortecer os aumentos. Qualquer setor/agremiação da sociedade pode pedir audiência pública, bastando contactar um político simpático à idéia da assembléia, nem precisa ser simpático à reivindicação.

Digo mais: se os marginais e os inocentes-úteis que os acompanham quisessem realmente provocar um incômodo nos responsáveis pelo seu prejuízo (poder executivo e empresários de ônibus) teriam – caso existisse inteligência (também no sentido militar) no motor do protesto – organizado com seus sindicatos e afins paralisação no dia do aumento que, não esqueçamos, não foi aplicado de surpresa.

Observe que eu não sou a favor de greves. Essa hipótese foi levantada só pra demonstrar que há pencas de alternativas às marchas.

Conta-se que no último domingo, manifestantes do “passe livre” que estiveram nos arredores do estádio do Maracanã foram “encurralados” na Quinta da Boa Vista (parque altamente frequentado por famílias, especialmente com crianças, que fica no bairro vizinho e do outro lado da linha do trem). O que faziam os manifestantes dentro da Quinta da Boa Vista? Se refugiaram lá porque havia inocentes, na esperança de serem poupados pela polícia, que os estavam caçando, por causa das arruaças cometidas no entorno do estádio. O que é isso? Tática de guerra! Esse movimento está prenhe de instintos revolucionários e de guerrilha, incutidos pela esquerda. De novo: já não cabe mais dar apoio a isso. É necessário encontrar outra via de ação para se atingir algum benefício.

E eu duvido que os vândalos que picharam a Basílica do Carmo tenham feito aquilo como resposta a uma agressão da polícia. Muito menos os marginais que, em São Paulo, detonaram uma bomba na estação do metrô Brigadeiro agido daquela maneira como forma de defesa contra a ação “truculenta” da polícia.

É evidente que existe uma desproporção entre o poder de fogo da polícia e o poder “de paus e pedras” dos manifestantes. A polícia tem que ser armada, pois os policiais correm muito mais risco de morte que qualquer um. Mas há de se reconhecer uma desproporção também nas atitudes dos manifestantes.

Achar que espalhar o caos, que afeta diretamente pessoas tão “povo” quanto os que comparecem aos manifestos, é “fazer política” é uma grande ilusão. Isso é a vida de gado, o estouro da boiada. A sociedade só vai amadurecer quando parar de botar fogo nas coisas pra amedrontar políticos (que não sentem nem pena desse espernear ridículo) e aprender a ser político. Se instruir para construir e não destruir pra sobreviver.

Só não enxerga quem não quer, que parte dos manifestantes é composta de marginais.
Não passa de estratégia esquerdista: instaura-se o caos, pra que surja um salvador: possivelmente um outro político, a prometer uma redução que nunca virá, ou quem sabe um que logre roubar subsídios dos empregadores. Não aparece um líder do manifesto destacado pra propor um subsídio razoável, ainda que seja na forma de outro imposto, ou projeto de lei para uso de parte, digamos, do montante arrecadado pelas multas do DETRAN, algo assim… Os mais desenvoltos, como os donos do http://www.mpl.org.br defendem mesmo é o fim da tarifa. A idéia é estatizar o transporte público. Grande irresponsabilidade e contrassenso: reclama-se por causa de aumento praticado pelo poder executivo, pedindo-se maior intervenção do Estado.

A propósito: um colega pontuou que o aumento de R$ 0,20 no preço da passagem de ônibus em São Paulo equivale a um aumento real (ou seja, descontada a inflação) de R$ 0,005 – isso mesmo, meio centavo. Vale destacar que nos outros estados (Alagoas, Amazonas, Minas Gerais e Santa Catarina), quando os protestos conquistaram alguma mudança, foi apenas uma redução de R$ 0,10 na tarifa. Fica a pergunta: isso bastará para os vândalos que “despertaram” por causa de R$ 0,20?


Veja também:

De como destruir as instituições democráticas (ou: já vi esse filme antes)

Hino Nacional Arruaceiro

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5 pensamentos sobre “A terrível idade das pedras

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