Papa Francisco fala ao CELAM


LogoCELAMAo final da JMJ, Papa Francisco teve um encontro com os dirigentes do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano) – uma espécie de “CNBB das CNBBs” da América Latina e Caribe. Há quem poderá ver, nessa expressão que eu penso ter acabado de criar, uma verdade sublime… espero que não.

O tema do discurso do Santo Padre foi a aplicação prática das diretrizes emanadas da V conferência, realizada em Aparecida/SP no ano de 2007, da qual ele participou como arcebispo de Buenos Aires. A íntegra do pronunciamento foi publicada no blog do Carmadélio, da Comunidade Shalom, aqui. O artigo do Carmadélio, inclusive, está recheado de grifos assaz oportunos.

Falando francamente sobre a atividade missionária da Igreja, Francisco destacou muito bem uma verdade comumente negada pelos católicos progressistas, que parecem considerar a própria fé católica como uma mera feliz coincidência: “Uma posição como esta (do discípulo de Cristo, que não pode ficar isolado na própria “espiritualidade intimista”), que começa pelo discipulado missionário e implica entender a identidade do cristão como pertença eclesial, pede que explicitemos quais são os desafios vigentes da missionariedade discipular.“. Já ouviram a frase “fora da Igreja não há salvação”, né? Pois é…

Referindo-se a esses desafios, o papa destaca dois: renovação interna da Igreja e diálogo com o mundo atual. Antes que a mídia progressista-modernista consiga difamar o pronunciamento, alardeando que “o Papa falou sobre profundas mudanças na Igreja”, é importante destacar que a respeito da “renovação”, o discurso tratou apenas de uma refrescante melhoria do procedimento pastoral. Admitam, jornalistas: os 6 itens elencados no tópico possuem um caratér por demais “técnico” para seu conhecimento parco e limitado do organismo Igreja Católica. Procurem ficar quietos!

Dirigindo-se diretamente aos bispos da Igreja na América Latina, Francisco lançou interrogativas deveras pertinentes:

Neste sentido, é necessário que nos interroguemos, como Pastores, sobre o andamento das Igrejas a que presidimos. Estas perguntas servem de guia para examinar o estado das dioceses quanto à adoção do espírito de Aparecida, e são perguntas que é conveniente pôr-nos, muitas vezes, como exame de consciência.

1. Procuramos que o nosso trabalho e o de nossos presbíteros seja mais pastoral que administrativo? Quem é o principal beneficiário do trabalho eclesial, a Igreja como organização ou o Povo de Deus na sua totalidade?

2. Superamos a tentação de tratar de forma reativa os problemas complexos que surgem? Criamos um hábito proativo? Promovemos espaços e ocasiões para manifestar a misericórdia de Deus? Estamos conscientes da responsabilidade de repensar as atitudes pastorais e o funcionamento das estruturas eclesiais, buscando o bem dos fiéis e da sociedade?

3. Na prática, fazemos os fiéis leigos participantes da Missão? Oferecemos a Palavra de Deus e os Sacramentos com consciência e convicção claras de que o Espírito se manifesta neles?

4. Temos como critério habitual o discernimento pastoral, servindo-nos dos Conselhos Diocesanos? Tanto estes como os Conselhos paroquiais de Pastoral e de Assuntos Econômicos são espaços reais para a participação laical na consulta, organização e planejamento pastoral? O bom funcionamento dos Conselhos é determinante. Acho que estamos muito atrasados nisso.

5. Nós, Pastores Bispos e Presbíteros, temos consciência e convicção da missão dos fiéis e lhes damos a liberdade para irem discernindo, de acordo com o seu processo de discípulos, a missão que o Senhor lhes confia? Apoiamo-los e acompanhamos, superando qualquer tentação de manipulação ou indevida submissão? Estamos sempre abertos para nos deixarmos interpelar pela busca do bem da Igreja e da sua Missão no mundo?

6. Os agentes de pastoral e os fiéis em geral sentem-se parte da Igreja, identificam-se com ela e aproximam-na dos batizados indiferentes e afastados?

Como se pode ver, aqui estão em jogo atitudes.

Já com relação ao diálogo com o mundo atual, quero dar destaque a este trecho, tão significativo para mim e para aqueles que compartilham das experiências de dialogar sobre o mundo atual dentro dos muros da Igreja:

A resposta às questões existenciais do homem de hoje, especialmente das novas gerações, atendendo à sua linguagem, entranha uma mudança fecunda que devemos realizar com a ajuda do Evangelho, do Magistério e da Doutrina Social da Igreja.

papa-Francisco-missa_de_envio_280713Quantas vezes nos deparamos com irmãos que seletivamente descartam prerrogativas de um desses pilares (especialmente dos dois primeiros) para dar razão às imprudências, incoerências e insanidades do mundo!

E para justamente essa “classe” de católicos (eles gostariam de ser englobados dessa forma, hehe), a sequência do discurso, na parte chamada “Algumas tentações contra o discipulado missionário”, traz um inequívoco alerta, uma inquestionável condenação da pra sempre inútil e pra sempre pestilenta Teologia da Libertação:

4. Algumas tentações contra o discipulado missionário
A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações. É importante saber por onde entra o espírito mau, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair à caça de demônios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma Igreja “tentada”. (…)
1. A ideologização da mensagem evangélica. É uma tentação que se verificou na Igreja desde o início: procurar uma hermenêutica de interpretação evangélica fora da própria mensagem do Evangelho e fora da Igreja. (…) Existem outras maneiras de ideologização da mensagem e, atualmente, aparecem na América Latina e no Caribe propostas desta índole. Menciono apenas algumas:
a) O reducionismo socializante. É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até à categorização marxista.
Quem tem olhos, veja!
Me pareceu que a alínea “1.d” da mesma seção trouxe um alerta para um eventual tradicionalismo exagerado e pouco produtivo. Toda a empreitada que eu, particularmente, considero muito útil para o resgate do senso e respeito ao sagrado, na restauração das tradições litúrgicas abandonadas desse lado do Atlântico (confessionários, missas tradicionais, paramentos clássicos, cantos clássicos, uso do véu, comunhão de joelhos, etc) devem ser conduzidas com bastante tato, de maneira a não prejudicar a atitude missionária. Esse equilíbrio é, sem dúvida, fundamental.
A conclusão do discurso exortou os bispos a reforçarem seu papel de pastores, “capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas sobretudo para cuidar da esperança”. Que a nossa CNBB e nossos bispos sejam também inspirados pela visita do Vigário de Cristo e passem a atentar com maior carinho para as reivindicações e pedidos de auxílio dos fiéis sob sua responsabilidade, caminhando corajosamente à frente.
Finalizo com a citação de uma brilhante frase contida no discurso:
“O ‘hoje’ é o que mais se parece com a eternidade; mais ainda: o ‘hoje’ é uma centelha da eternidade. No ‘hoje’ , se joga a vida eterna.” – Papa Francisco

Veja também:

3 pensamentos sobre “Papa Francisco fala ao CELAM

  1. A MORTE DE UM REI IMORTAL:
    (MT.23.1) Então, falou Jesus às multidões e aos discípulos, (EX.1.16) Dizendo: (JB.12.23) É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem: (MT.15.10) Ouvi e entendei: (JB.3.27) O Homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada: (EC.37.28) A vida do Homem se encerra num certo número de dias; porém os dias de Israel são inumeráveis: (AT.20.10) Não vos perturbeis, que a vida nele está; (JB.5.26/27) porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo; e lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem:(LC.13.27) Mas ele vos dirá: (JB.10.28) Eu lhes dou a vida eterna: (GL.2.20) Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim: (RM.6.19) Falo como Homem, por causa da fraqueza da vossa carne:
    Agora que o meu corpo já se curva sob o peso da idade, e já não dispondo de visão ocular suficiente para este Trabalho; penso que já é hora de retornar para a casa do nosso Pai Eterno, pois sinto que já estou pronto para voar rumo à glória infinita; (LC.22.37) pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito:
    (JB.5.41) Eu não aceito a glória que vem dos homens, (SL.78.22) porque não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação: (SL.14.3) Todos se extraviaram e juntamente se corromperam, não há quem faça o bem, não há nem um sequer: (2PE.2.3) Também, movidos por avareza, farão comércio de vós com palavras fictícias: IRRESIGNAÇÃO: Para eles, o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme:(LE.3.17) Então, disse comigo: (IS.14.14) Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo; (SL.18.22) porque todos os seus juízos me estão presentes, e dos seus estatutos não me desviei:
    (SL.122.1) Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor(1PE.4.7) porque a ocasião de começar o juízo pela Casa de Deus é chegada: (EC..41.5) Não temas o decreto da morte: Lembra-te de todos aqueles que foram antes de ti e dos que virão depois de ti; este é um decreto que o Senhor pronunciou contra toda a carne: (JÓ.5.26/2) Em robusta velhice entrarás para a sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo; (1SML.12.17) não é agora o tempo da sega do trigo?
    (DT.10.12) Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? (SL.74.18) Lembra-te disto: (LC.2.26) Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte, antes de ver o Cristo do Senhor: (GN.15.13) Então lhe foi dito: (EZ.2.3)) Filho do Homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim, eles e seus pais prevaricaram contra mim até precisamente ao dia de hoje: Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração, eu te envio a eles e lhes dirás: (ÊX.3.14) Eu sou o Senhor que me enviou a vós outros, (JD.1.15) para exercer juízo contra todos e para fazer convictos os ímpios de todas as obras impias que impiamente praticaram, e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele:: (Z.39.22) Desse dia em diante os da casa de Israel saberão que eu sou o Senhor seu Deus: (PV.1.23) Atentai para a minha repreensão, eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu Espírito e vos farei saber as minhas palavras; (JB.6.45) e serão todos ensinados por Deus: (SL.1.5) Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos;(EZ.12.24) porque já não haverá visão falsa nenhuma, nem adivinhação lisonjeira, no meio da Casa de Israel: (JB.20.22) Recebei o Espírito Santo:
    (DT.29.25) ) Então se dirá: LC.19.9) Hoje houve salvação nesta casa; (LC.19.10) porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido:(TG.2.23) E se cumpriu a escritura a qual diz: (1CO.15.54) Tragada foi a morte pela vitória: (1JB.5.4) E esta é a vitória que vence o mundo: A nossa fé: (JB.15.13) Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos: (EC.11.24) A benção de Deus se apressa a recompensar o justo, e numa rápida hora o faz crescer (LC.22.69) Desde agora estará sentado o Filho do Homem à direita do Todo-Poderoso Deus:
    (JB.8.19) Eis em que deu a tua vida! E do pó brotarão outros; (LS.3.11) porque desgraçado é o que rejeita a sabedoria e a instrução, e a esperança deles é vã e os trabalhos sem fruto, e inúteis as suas obras: (JÓ.4.20) Nascem de manhã e à tarde são destruídos, perecem para sempre, sem que disto se faça caso:(JB.5.44) Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, contudo, não procuram a glória que vem do Deus único?(EC.32.20) Aqueles que temem ao Senhor conhecerão o que é justo, e farão luzir as suas boas obras como farol: (OS.14.9) Quem é sábio, que entenda estas cousas; quem é prudente que as saiba; porque os caminhos do Senhor são retos e os justos andarão neles, mais os transgressores neles cairão: (AP.22.11) Continue o injusto fazendo injustiça, o imundo ainda sendo imundo;o justo continue na pratica da justiça, e o Santo continue a santificar-se…
    .

  2. Pingback: Quando um burro fala… | O Legado d'O Andarilho

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s