Disse-me-disse na paróquia


Quando eu era criança – e intelectualmente despreparado ainda – errava feio na tarefa de resumir textos. Àquela época, pensava bastar picotar os parágrafos, pegando alguns alternadamente. É obvio que isso prejudicava o entendimento de quem fosse se inteirar sobre o assunto através do meu trabalho.

Com a mesma inaptidão, o fabete blogueiro Vanderlúcio Souza “resumiu” o último hangout da Liga dos Blogueiros Católicos.

vanderluciosz-e-oandrilho01.pngMinutos após trocar algumas mensagens com ele no twitter (conforme ilustrado ao lado) há alguns dias, emiti este parecer: Efeito colateral da briga contra a idiotia: a pessoa torna-se arisca e já não distingue aliado de adversário: trata todos como os últimos.

Quero crer que Vanderlúcio não redigiu seu “resumo” motivado por um sentimento negativo para com nossas pessoas, como resultado do somatório de um amor cego pela figura de padre Fabio de Melo e belicosidade instintiva contra supostos inimigos. Faz-se necessário esclarecer alguns equívocos do rapaz.

Interessado em destacar frases e momentos que pudesse usar como crítica reprobatória, Vanderlúcio ignorou o caráter de bate-papo informal do hangout da Liga. Além de grafar errado o nome do meu irmão Diogo, escolheu chamar o programa de “catequese via web”. Ora, só por que o blog patrocinador da plataforma se chama O Catequista (que, inclusive, é nacionalmente reconhecido pela irreverência, sem prejuízo do conteúdo), toda e qualquer atividade que envolva os responsáveis deverá ser, obrigatoriamente, uma catequese? Faça sua escolha, leitor: pensamento obtuso ou malícia.
Nós, da “Liga”, somos amigos. Não só virtuais, mas também do lado de fora da tela. Uma parcela é carioca e vez por outra nos encontramos. Goste Vanderlúcio ou não, temos intimidade para nos sacanear.

Confirmando o diagnóstico de imprudência, consequência de uma sanha incontida por divulgar o mais rápido possível seu alerta à blogosfera católica, Vanderlúcio grafou errado também o nome do meu blog. A menção, me pareceu, foi para dar um sentido sexualizado, estranho à minha frase. Foi, sim, a minha primeira vez como participante do hangout, porque fiquei de fora da gravação do programa anterior devido a problemas técnicos com o G+. Mas, como participei através dos comentários no youtube, ficou o registro.

Ao falar de Viviane, d’O Catequista, Vanderlúcio contrariou o seu twitt, que evocava o respeito pelo outro, chamando-a de “bispa”. Ora, uma grande ofensa para um cristão é chamá-lo de herege, logo, relacionar uma católica a um título correntemente protestante se aproxima de uma injúria.

Assim falou Vanderlúcio:

“Fabetes” foi  o termo que beira a ridicularização usado para se referir aos católicos que se posicionaram contra o pedido de excomunhão do padre.

Errado. Fabete é uma derivação de tiete, termo que designa o conjunto de fãs mais devotados(as) de um determinado artista.

Na sequencia, ele acusa:

O tempo do Hangout não foi utilizado para catequizar, para falar sobre a fundação da Igreja por Jesus Cristo ou aprofundar o estudo de algum documento eclesial.

Novamente: Vanderlúcio perde-se em um desejo obcecado de criticar de volta o grupo de blogueiros que criticou o padre de seu apreço e torna-se desonesto. Durante o momento em que a pauta eram os deslizes do pe Fábio de Melo, diversas vezes documentos do Magistério foram citados, principalmente por meu irmão Diogo Linhares, para embasar a crítica e explicar o porquê de as colocações do padre terem sido equivocadas – e até perigosas.

Em nenhuma parte da análise de Vanderlúcio houve menção a outros assuntos do hangout: Política e eleições 2014 e as indicações culturais de filme/livro. Eu pretendo selecionar esse trecho e postar aqui, assim que possível.

Numa demonstração de afetação e intolerância a ironias, Vanderlúcio se descabelou com a caricatura que fizemos das “fabetes”. Penso que com a apologia à aceitação do relacionamento homossexual que o padre Fábio de Melo faz, Vanderlúcio deveria ficar bem mais preocupado. Especialmente se consideramos o alcance em audiência do cantor e dos blogueiros.

dissemedisse

(Fonte: momentoscecilia.blogspot.com.br)

Fazendo um papel um tanto tosco, Vanderlúcio ofereceu a seus leitores um festival de desinformação e queixas rasteiras contra um grupo de irmãos católicos que ele parece tomar por concorrentes. Além de trocar nomes quando as citações estavam corretas, fez também atribuições erradas, demonstrando falta de atenção – e, portanto, de respeito para conosco.

A discussão que se seguiu parecia  um encontro   de bispos reunidos julgando um processo onde cada um emitia o voto avaliando  se o padre  deveria ou não ser excomungado. A conversa insalubre serviu para mostrar a desintegração da liga, pois não houve consenso. Mas Diogo o Linhares, além do veredito de excomunhão vaticinou, “só quero que a língua dele caia”.

Foi nada disso, Vanderlúcio! Deu-se, sim, uma discussão acalourada sobre o tema da excomunhão. Deve-se notar que quem defendeu a sentença para o padre Fábio de Melo não o fez levado pela emoção (técnica mui profissional utilizada por você para emitir opiniões), mas pautado por extensa observação das atitudes e produções do cantor. No blog Campo de Batalha, é possível encontrar pelo menos 5 artigos que referenciem “Fábio de Melo” (espero não ter que voltar aqui pra te explicar o uso dessas últimas aspas…); no blog do Apostolado Tradição em Foco com Roma, pelo menos 3.

E daí que não houve consenso dentro da Liga quanto à excomunhão, zé??? Por ser justamente uma reunião de blogueiros católicos (inclusive espalhados geograficamente pelo país) é natural que pontos de vista opostos se esbarrem num ou noutro assunto. A diferença é que não saímos do hangout produzindo artigos com críticas desinformadas e desonestas sobre o pensamento do colega. Quem disse “só quero que a língua dele caia” não foi Diogo, fui eu. Somos irmãos de sangue, usamos barba e cabelo parecidos. Para um espectador desatendo, poderia ser fácil confundir. Mas para você que ficou de olho na regatinha do meu irmão, a coisa descamba para uma ótica mais Freudiana, não sei… 🙂
É ridículo ter que explicar para um suposto ingênuo a diferença entre galhofa e maldição. Um correspondente de jornal deveria saber.

Invertendo a confusão que Vanderlúcio faz com os irmãos que NÃO são gêmeos, ele atribuiu a mim a opinião de que padre Fábio de Melo deveria ser excomungado para, considerando que levasse a sério essa pena canônica, atingisse mais rapidamente o arrependimento e retornasse assim ao seio da Igreja Católica de bem (e não tentando, de dentro, fazê-la adoecer). Eu realmente concordo. A Igreja foi inspirada para instituir a pena de excomunhão. Todo aquele cristão que faça pouco caso da acusação de heresia e pertinazmente desafie a Igreja merece um tal castigo, se até tal instância chegar.
Entretanto, vejo que a pena de excomunhão é mais comparável ao “envio para a direção” que à expulsão de um aluno da escola.

Admito que podemos melhorar os hangouts com um cuidado redobrado na exposição das idéias, no tocante à entonação, clareza e objetividade dos discursos. Tivemos até que pular itens da pauta por conta dos imprevistos. Que os próximos assuntos sejam mais agradáveis! E que nosso público seja cada vez mais razoável! :p

Nenhum de nós – e isso Vanderlúcio fingiu não entender – quereria determinar ao Pai a condenação eterna de qualquer filho Seu. Uma vantagem da Liga dos Blogueiros Católicos é que nossos espectadores podem facilmente nos contactar, encomendar artigos que tratem de algum assunto em particular, até mesmo pedir maiores esclarecimentos sobre o tema da excomunhão. Nisso somos, ouso dizer, até mais disponíveis que o padre Fábio de Melo, ou qualquer outro padre que circula pela mídia e pelas redes sociais. Devo lembrar que temos em nossa equipe catequistas com anos de experiência, além de estudantes de teologia e filosofia. A Liga deseja integrar os católicos, não no sentido de homogeneizar as opiniões pautando pela cabeça de um ditador, mas de congregar e ampliar o entendimento da nossa fé, da doutrina. Pior arrogância que achar-se acima de qualquer crítica (o que nem de longe representa o sentimento da Liga) seria julgar incorrigível o irmão antes de se dirigir a ele.

Vanderlúcio Souza, uma regra básica que alguém que se propõe a combater um adversário precisa observar é conhecer o seu inimigo. Respeitar alguém é, também, procurar conhecer o outro, especialmente a obra intelectual do outro. Você, que é imaturo a ponto de precipitar-se e chamar de “lixo” um texto de um irmão católico que outro irmão católico lhe apresenta, talvez leve ainda um tempo para adquirir esse costume saudável.

A necessidade de publicação deste artigo não foi, por mais que possa parecer à primeira vista, dar prosseguimento ao embate entre Vanderlúcio Souza e a Liga. Meus colegas julgaram necessário deixar para lá, não só para não “dar ibope” a ele, como para não fazer publicidade com lavagem de roupa suja. Ocorre eu vejo no comportamento de Vanderlúcio atitudes que não podem nortear a postura de um homem no convívio social, a saber: falta de responsabilidade com os interlocutores, falta de bom senso ao digerir ironias, falta de respeito com o opositor. Estas atitudes são muito comuns de se observar nos inimigos da Igreja, os esquerdistas de todas as matizes. Mas não só o twitter (porta de comunicação direta entre nõs) não seria plataforma adequada para tirar a questão à limpo, como eu creio, sinceramente, que observada a minha apologia, Vanderlúcio faça as pazes em seu coração entre ele e a falsa idéia que fez de nós. Que este relato infelizmente extenso permita a identificação dessas falhas para que nos tornemos mais fortes e sobretudo mais conscientes no diálogo.

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Um pensamento sobre “Disse-me-disse na paróquia

  1. Excelente resposta!

    Aproveito para agradecer suas palavras lisonjeiras. São fruto da sua caridade e não de mérito meu.

    Não custa lembrar que o artigo deste senhor contém material suficiente para um processo judicial por calúnia e difamação, pois lá ele atribui falsamente atos e intenções. Se ele persistir em sua campanha, talvez não haja outro caminho a ser seguido…

    Além do crime, o autor também cometeu um pecado gravíssimo contra o 8º mandamento (Catecismo da Igreja Católica, §§ 2477-2479).

    A mídia freqüentemente é uma ferramenta utilizada pelos inimigos da Igreja. É lamentável, mas não surpreende, que uma pessoa dessa mesma mídia deixe de lado a imparcialidade na qual o jornalismo que diz fazer deveria se pautar, e assuma o papel do que hoje é chamado na internet de “hater”.

    Pax et Bonum

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