Múltiplas facetas de escravidão


A Campanha da Fraternidade 2014 da CNBB aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.

cf2014-AUm dos graves problemas para o qual o texto-base da campanha aponta é a exploração sexual. Muito se fala a respeito do assunto, inclusive sobre a regulamentação da “profissão” de prostituição.

O blogueiro Leonardo Sakamoto divulgou um texto no dia 05 que teria sido escrito em conjunto do frei Xavier Plassat (da Comissão Pastoral da Terra), como sendo para lançamento da campanha. Dentre outras coisas, consta lá: “O Brasil é tido como um dos grandes exportadores de mulheres a serem exploradas sexualmente, particularmente na Europa.“. Aparentemente Sakamoto não se incomoda com a prática da prostituição. Tenho muitos motivos para crer nisso, desde a forma indiferente como trata do assunto em seus artigos, passando pelo seu discurso de esquerda que apóia o homossexuaismo/gayzismo – e sabe-se que é comum homens/garotos travestirem-se para venderem seus corpos – enfim de “todo” o preconceito, exceto aquele contra o conservadorismo.
A impressão que os defensores da legalização/regulamentação da prostituição me passam é que lhes importa alcançar um arranjo onde todos saiam ganhando, tanto o “trabalhador” como o governo. Sendo assim, o mal não é que o Brasil exporte mulheres para exploração sexual, mas que nem o Estado arrecada impostos com esse comércio, nem as vítimas mercadorias senhoritas podem gozar de benefícios trabalhistas.

A ótica burocrática de Sakamoto, Jean Wyllys e demais pretensos defensores de direitos humanos seria, no entanto, apenas um viés da questão (e viés socialista!). Enxerga tão somente um prejuízo mercadológico que aquelas pessoas estariam sofrendo. Atacam uma, digamos, “escravidão capitalista”. Porém, a escravidão grave mesmo, é a escravidão do pecado.

Faço uma pequena digressão, voltando ao texto pra CF2014: Sakamoto afirma que o Brasil recebeu 5 milhões de africanos traficados “com as bênçãos da religião”, o que significa jogar pra cima da Igreja Católica uma acusação de conivência com todas as atrocidades que o imaginário popular possa supor ao pensar nos escravos negros que movimentaram o país durante mais de 300 anos; não é de surpreender o anticristianismo de um indivíduo com opiniões como as dele. Quem estudar o fenômeno do tráfico de escravos, em qualquer época da História, perceberá que um dos flagelos que acometia (e hoje ainda se repete) esses seres humanos é o sofrimento familiar, a separação de membros de uma mesma família, bem como o afastamento da tribo. Ora, é inerente à condição de escravo ser privado e privar os seus do tão saudável convívio filial, fraternal e conjugal.

Obviamente não é só o trabalho escravo que apresenta essa mazela. Um indivíduo que se encontre preso a determinadas condições, hábitos e vícios, pode desenvolver idêntica relação de privações. Os dependentes químicos afastam-se de seus lares, provocando grande sofrimento e tribulação para seus familiares. Um pai de família escravizado pelo vício do adultério ofende gravemente a sua família e constrói ao redor de si uma barreira de isolamento equivalente a um cárcere, dificultando o livre acesso de sua esposa ou filhos à sua intimidade.

Esta faceta de escravidão é solenemente ignorada pelos militantes de “direitos humanos”. Ao invés de promover um caminho que liberte as pessoas da indignificante ocupação da prostitução e assim alcance aquelas outras pessoas (os familiares) que indiretamente são afetadas, acenam – com seus sorrisos diabólicos – para pessoas geralmente já em estado de marginalidade, estendendo mãos que carregam cordas de enforcamento.

Cinicamente, pouco antes do fim, o texto diz: “Face à idolatria que sacrifica a dignidade e a liberdade no altar do lucro, ressoa a pergunta feita a Caim: ‘Onde está teu irmão?’“. E quanto à idolatria do sexo, da libertinagem, praticada pelos Sakamotos e Jean Wyllys de nosso Brasil? Quem defende a legitimidade da prática da venda do próprio corpo, dos serviços sexuais, defende a comercialização da intimidade das pessoas, transformando-as em meras mercadorias.

O texto-base da Campanha da Fraternidade (esse é oficial) contradiz logo de saída (grifos meus) a visão materialista de Sakamoto:

O tráfico humano é um crime que atenta contra a dignidade da pessoa humana, já que (…) despreza a sua honra, agride o seu amor próprio, ameaça e subtrai a sua vida (…)
O Concílio Vaticano II já afirmava que “a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e jovens (…) com as quais os trabalhadores são tratados como simples instrumentos de ganho, e não como pessoas livres e responsáveis” são “infames”, “prejudicam a civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam” e “ofendem grandemente a honra do Criador”. – Texto-base, páginas 11 e 12

Quem consome a prostituição escraviza homens e mulheres, muitas vezes menores de idade. Sujam-lhes com a imundície de seus próprios pecados. A escravidão, aliás, é sempre resultado da ação pecaminosa de um sobre o outro, seja pela ganância do lucro, truculência da dominação pelas mais variadas alegações, danos à saúde dos usuários negligenciado pelos traficantes de drogas, etc.

Em tempo: acusa-se reiteradas vezes patrões de escravizarem operários em condições opressoras, visando altos lucros. Mas optar pela prostituição, em detrimento de tantas outras oportunidades de se ganhar a vida honestamente, é também uma busca por altos salários, para além da média, com baixo comprometimento (de prazos e horários, por exemplo). Poderia mesmo chamar essa atitude de gananciosa.

cf2014-BA mensagem evangélica crucial, caro leitor, é a de que a verdadeira escravidão – para da qual nos libertar Cristo deu a Sua vida – é a do pecado. Um homem pode ser senhor de terras, de outros homens, mesmo que licitamente, e ainda assim estar acorrentado à mais abjeta imoralidade, ao mais degradante servilismo ao pecado (tudo isso longe de ser uma questão restrita à sexualidade). E antes de rebelar-se contra seu senhor, um escravo tende a descontar suas frustrações naqueles que lhe acompanham na servidão. Estudando a escravidão pela História vê-se que não era incomum os negros no Brasil lutarem por melhores posições dentro da hierarquia das fazendas, por exemplo. É bastante conhecido também, agora, a continuidade da prática de subjugo praticada mesmo dentro de quilombos, como o de Palmares.

Guardemos as palavras de Nosso Senhor Jesus:

“Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Se portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.”. – Jo 8, 34.36


Veja também:

As prostitutas e eu

Anúncios

Um pensamento sobre “Múltiplas facetas de escravidão

  1. Pingback: Ex-prostitutas atacam ONU e Anistia Internacional por tentarem legalizar a prostituição | O Legado d'O Andarilho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s