Por uma PM ainda MAIS militar!


Uma das modinhas atuais entre os esquerdistas é pregar a desmilitarização da polícia militar. Entendem (ou fingem) eles que a população, sobretudo a que mora nas comunidades carentes – dominadas por traficantes e bandidos armados de toda a sorte -, além dos manifestantes mascarados, se beneficiariam de uma força policial menos forte, menos “truculenta”.

blackbloc-versus-pmDiscutindo pelo facebook, recebi como argumento em defesa desse disparate a afirmativa de que alguns PMs seriam favoráveis à tal “reforma”, já que suas condições de trabalho (ambos salários e expectativas de crescimento na corporação baixos) não compensariam os riscos à própria segurança(!).
Além disso, me foi alegado que, apesar de não podermos controlar os bandidos (afim de que sejam menos violentos), ao menos está ao nosso alcance restrigir a agressividade dos policiais(!), pelo bem da população civil – o que, fatalmente, incluiria os meliantes.

A primeira coisa que me ocorre é questionar a esses supostos PMs “desmilitaristas” se eles prefeririam tornar-se civis para correrem menos risco de morte no exercício da profissão e adquirir direito civil de greve OU manter o caráter militar diante de melhor rendimentos e plano de carreira. Sim, porque fazer greve (a despeito do que os garis cariocas entusiasticamente digam hoje) nem sempre resulta em aumento de salário e muito menos no estabelecimento de plano de cargos (que o diga os professores municipais cariocas).

Enxergo um esforço malicioso por roubar à força policial militar a virilidade, honra e mérito que lhe são próprias. Não é à toa que os porta-vozes dessa sandice são os defensores de delinquentes que atendem pelo coletivo “pessoal dos Direitos Humanos” (ou “Direito dos Manos”) e a turma que se traveste de (ou endossa os) Black Blocs; em um número incomodamente elevado de vezes trata-se das mesmas pessoas.

O rapaz quem me interpelou questionouse eu acho correto que um policial corra mais risco de morte do que normalmente correria, caso deixasse de ser militar. É uma pergunta estapafúrdia, já que o grau de agressividade dos bandidos não é regulado puramente pela nossa vontade. Se assim fosse, nem PM nem mesmo Forças Armadas seriam necessárias nesse mundo…
Não obstante, considero, sim, natural que um policial corra mais risco de morte que você ou eu. É precisamente por isso que eles são submetidos a treinamento de combate. E digo mais: essa é a beleza da profissão de policial! Colocar a vida deles em risco pela proteção da nossa.
Não é pieguice afirmar que dar a própria vida para salvar outra é um dos atos mais nobres que um ser humano pode praticar. Aliás, me parece que é justamente a falta de hombridade, a baixa estima pelo valor de si e a falta de compromisso com a sociedade o que permite a um policial conivir com os bandidos.
O próximo passo dos celerados desmilitaristas em sua campanha pela frouxidão humana será, provavelmente, pedir a despensa dos bombeiros da arriscada tarefa de resgatar civis em incêndios. Deixá-los somente para descer gatinhos dos galhos de árvores é bem mais seguro, porcerto…

Seguran硠dos jogos Pan-americanosA redução de riscos para os militares resulta de maiores investimentos em treinamentos e tecnologia – não só de armas, mas de equipamentos de segurança e proteção. E quando se pensa no procedimento de invasão/ocupação de áreas dominadas por traficantes, aí é que o arcabouço militar é mais necessário. Táticas de exploração, aliadas a exercícios de precisão nos disparos podem reduzir cada vez mais as baixas, tanto do lado dos soldados como dos moradores inocentes. Uns caças e uns “apaches” empregados na expulsão de traficantes dos seus covis viriam bem a calhar também…

Fique claro, entretanto, que não desconsidero os denunciados abusos praticados por soldados durante incursões (em especial de busca e apreensão) e missões de ocupação das comunidades carentes. Mas é evidente que a escolha por cometer tais delitos ampara-se no temor produzido pela situação de fragilidade das vítimas; mesmo levando em conta o porte de armas, este não resulta do poderio militar pura e simplesmente, pois até um agente de segurança privada pode obter licença de carregar arma de fogo (quanto ao porte da parte dos bandidos, nem se fala).
A punição e a prevenção para eles depende de reeducação e corregedoria interna das corporações. Não é preciso tratar os soldados como adolescentes retardados com estilingues nas mãos.

Curiosidade: Conta-se que em 2011 foi publicado um documento com diretrizes táticas nos EUA para o US Army (exécito americano) para tratar do assunto conhecido como GLO – Garantia da Lei e da Ordem que incorporou alguns aspectos de táticas desenvolvidas pelo exército brasileiro, especialmente nas operações de ocupação das favelas. Uma matéria publicada no site DefesaNet fala, inclusive, que estaria sendo criado um “regimento de polícia militar” no US Army para desenvolver o controle ostensivo da ordem em concentrações urbanas.

Para além dos argumentos bélicos, vejamos porquê mais um reforço ou restauração do caráter militar da polícia é bem-vindo:

Nos meus tempos de infância e adolescência, a carreira militar era o sonho de pelo menos 5 em cada 10 pais das famílias brasileiras (muitas vezes dos filhos também). Eu mesmo cheguei a prestar concurso para o Colégio Naval. Inclusive, professores de escolas e cursinhos que foram formados por essas academias (ou mesmo que lecionavam lá paralelamente) figuravam entre os mais respeitáveis dos corpos docentes.

(Fonte: G1)

(Fonte: G1)

Ainda nos dias atuais os concursos para ingresso em tais estabelecimentos são disputadíssimos. Colégios militares repetidas vezes colocam-se entre as instituições mais bem sucedidas em exames nacionais, como o ENEM[1][2][3][4].
Os pais viam na formação militar precoce, além disso, oportunidade de disciplina e educação superior para seus filhos. De quebra, ainda conquistavam para eles uma carreira tida como sólida, equivalente à do serviço público “concursado” de hoje, que ano após ano lota cursinhos preparatórios. Não sem razão os militares levaram por décadas a fama de bons partidos, derretendo os corações das senhoritas (muitas delas, respeitáveis senhoras do século XXI, já rodeadas de netos).

Se atualmente a bandidagem se regala no desprestígio e baixa moral da polícia (além do perigoso desarmamento da população), é a nobreza militar quem pode ajudá-la a restituir a (im)posição perdida. Outrossim, se é inegavelmente indigno, vergonhoso e prejudicial a todos um indivíduo ingressar numa vida de crimes, resulta automaticamente que – cumprindo-se obviamente os objetivos com honestidade – é uma honra ingressar em carreira de polícia militar, sentinela e guardião da paz e da ordem no cenário urbano, bem como é, ao menos pela teoria, uma honra servir ao país nas fileiras das tropas das forças armadas.

Se não for o bastante, acrescento a menção honrosa da resistência do bravos militares de 64 que salvaram o país do domínio comunista, pelo menos por um tempo.

PM-anjoEm suma: quem está à frente da marcha pela desmilitarização da PM é a turba de arruaceiros que arroga para si o falso dever de salvador da pátria. Ocorre que nós, cidadãos, pagamos, na forma de impostos, pela segurança pública desempenhada pela força policial. Nenhum contribuinte paga (exceto as ONGs do PSOL , PT e afins) para os marginais se confrontarem com as tropas de choque, só para depois se fazerem de vítimas de truculência. Eu não paguei pelo rojão que tragicamente vitimou o cinegrafista Santiago. Eu paguei foi pelo taser, pelas balas de borracha, cacetetes, bombas de efeito moral, spray de pimenta e algemas, que devem ser colocados em serviço da ordem e da preservação da integridade física não só dos cidadãos, dos transeuntes, mas dos próprios policiais. Eu nunca financiei (pelo menos não conscientemente) camisas pretas usadas como máscaras, garrafas, vinagre e isqueiros/fósforos. Eu contribuo é com o custo dos coletes, capacetes, escudos e viaturas que a polícia militar precisa utilizar no seu serviço em área urbana, transformada em cenário de guerra por um punhado de cretinos.

E os malditos manifestantes ainda fazem desviar o teu e o meu dinheiro de impostos – que poderiam ser investidos em educação, saneamento, saúde ou mesmo disciplina policial – para a restauração de calçadas (de onde eles extraem pedras para seus ataques) e limpeza de prédios públicos grafitados pelos arruaceiros que supõem-se serem dotados veia artística.

E quem quiser sugestões para o benefício dos PMs (e demais servidores militares), por ora são essas: pressionar os parlamentares para que votem e aprovem logo a PEC 300 e investir num maior ingresso de militares nos quadros legislativos do país, para que mais melhorias sejam defendidas.

Atualização: aproveite para votar e opinar na página da PEC 51/2013 no site VotenaWeb (que repassa a repercussão para o autor): http://www.votenaweb.com.br/projetos/pec-51-2013

Quem não deve, não teme. Não vejo motivos para o cidadão de bem não ser contra a desmilitarização da PM.


[1] Ranking ENEM 2011, http://jestudante.blogspot.com.br/2011/09/ranking-enem-rio-de-janeiro.html
[2] Colégio Militar de Salvador entre os 20 melhores do estado, em 2012: http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/11/26/enem-por-escola-2012-colegio-militar-e-unico-publico-entre-melhores-da-ba.htm
[3] Colégio Militar de BH em 49° e de Juiz de Fora em 79° em 2012: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-500-melhores-escolas-do-pais-no-enem?page=2
[4] De Porto Alegre em 104° http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-500-melhores-escolas-do-pais-no-enem?page=3


Veja também:

Desvalorizar a polícia poderá nos custar muito caro

Salários de policiais e bombeiros pelo Brasil

A terrível idade das pedras

Hino Nacional Arruaceiro

11 pensamentos sobre “Por uma PM ainda MAIS militar!

  1. Olá Bruno, muito bem escrito, se foi você parabéns. O que eu penso que mais preocupa os comunistas é o fato deles saberem como a instituição funciona. Eu tenho um grande amigo que é Gen Bda e que me deixa saber como as instituições funcionam e como eles pensam. Polícia Militar é do Exército, não do governo estadual como muita gente pensa, é como se fosse uma braço das FFAA, e na hora do pau eles andam junto. Neste momento em que estamos, diferente de 64, não tivemos nenhum evento de quebra de hierarquia, que é um dos pilares que regem estas instituições, assim como o sentido de missão a cumprir. Quando você fala sobre isso com um civil, estes valores parecem tão abstratos que normalmente tomam você por tonto, mas o fato é que não são. Se você chegar para um soldado 190 e tentar demove-lo de alguma coisa, você vai ver a força que você terá que fazer simplesmente para que ele ouça e aceite qualquer argumento que esteja fora do “procedimento”. Isso é hierarquia, doutrina militar e a comunalha conhece isto muito bem. Não há possibilidade de se desenvolver o que eles pretendem sem mudar completamente a estrutura que sustenta estas instituições, e por isso estão em campanha permanente para desestabilizar as polícias militares e as FFAA com as ferramentas que já conhecemos. Hoje de uma coisa eu tenho certeza, e já comentei isso com o Leandro algum tempo atrás, já não é mais caso de se, isso já está estabelecido, é só uma questão de quando, no andar que as coisas estão indo. Eu já vi muita gente clamando ou xingando os militares e as polícias, mas a verdade é que isso não tem o menor efeito sobre as instituições. Eles são os garantidores, e na hora que entenderem que é o momento, independentemente do que os outros acham, eles farão o que for necessário, para garantir a nação, para servir, proteger e cumprir a missão.

  2. Pingback: A terrível idade das pedras | O Legado d'O Andarilho

  3. Pingback: O que não mata, depreda | O Legado d'O Andarilho

  4. Bruno, bela análise
    trabalho em empresa pública, na manutenção predial, e em uma das manifestações de 2013 pela Presidente Vargas, vi o bandidos destruindo as portarias do prédio que eu trabalho.
    O p´redio, por precaução havia recebido tapumes metálicos no dia anterior e estes foram danificados, vidraças foram destruidas e, entre outros danos houve o furto de uma bandeira do Brasil.
    O prejuízo foi de algo entre 50 e 100 mil reais….

    • Olá, Philipe!
      Eu trabalho na Pres. Vargas também. Você se refere aos prédios em frente ao da Embratel? No artigo que linkei ao final, “A terrível idade das pedras”, coloquei algumas fotos que tirei na época.

      Olha, eu acho que se os responsáveis por esses prédios, inclusive os donos da loja da Claro que fica no térreo do da Embratel, tivessem contratado vigias particulares naquele período de manifestações constantes, os prejuízos seriam bem menores.
      Faltou senso crítico. Devem ter acreditado, inocentemente, que foram manifestações legítimas, pacíficas, com meros efeitos colaterais desculpáveis.

      • Não trabalho perto da prefeitura, no extremo oposto. Onde a maioria (para não dizer todas) das manifestações terminou em quebra-quebra

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  9. O grande problema do militarismo é justamente o publico interno, vc sabem muito bem do que estou falando, abuso, do publico interno com subordinados, e não com o civil…..

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