Política e participação


Ontem à noite assisti ao final da sessão do plenário da câmara dos deputados federal onde pretendia-se votar a derrubada do decreto 8243 da presidente, que quer instituir a, assim denominada, Política Nacional de Participação Social (PNPS).

Pois sim! O que mais me chamou a atenção, depois do desfile de firulas filosóficas dos deputados, tão versados em futebol – aliás, como se fossem eleitos e pagos para opinar sobre assunto tão vulgar*! – foi que, encerrada prematuramente a sessão (a fim de que a votação não acontecesse), no intervalo de 3 segundo em que tirei os olhos da TV para uma garfada do jantar, o salão literalmente foi esvaziado!

É um assombro que “a casa do povo”, a casa das leis, onde boa parte do futuro da nação é oficializado, seja deixado para trás com rapidez maior que os estádios de futebol ao final dos jogos. É sinal da decadência do país.

Essa celeridade na retirada dos debatedores me remete ao decreto em si. Quer-se dar voz aos movimentos sociais, em nome de uma suposta carência de representatividade do povo nas pessoas dos parlamentares. Mas, veja:

se os próprios deputados, cujo ofício é inteirar-se dos assuntos de estado, planejar, deliberar, poupam-se de maneira tão oportunista e desonesta, que esperar de homens e mulheres deficientes do múnus representativo?

Com qual comprometimento podemos contar das camadas humildes da sociedade, capaz de acompanhar 3 meses de novela mas incapazes de dedicar 1 mês a um livro?
Instintivamente sou levado a crer que pode haver confiança na figura da liderança, todo movimento social tem a sua. Qual! Quem passeia pelas veredas virtuais, em especial do facebook (que acaba ganhando do twitter em caracteres e, ato contínuo, estultice) não demora a perceber que gente engajada em “representar”, tem pouca paciência para o diálogo.

Bem, continua a torcida para que o decreto seja derrubado nesta terça. Até lá, recomendo informarmo-nos assistindo ao hangout patrocinado pelo blog Moral Política, que reuniu alguns senhores do povo para falar a respeito dessa idéia de PNPS e de um mau exemplo de “participação social” que vem se solidificando: o “levante por um plebiscito popular”:

* Evidentemente, o sentido que se dá à palavra é o primário, de coisa popular, do vulgo. O que, aliás, torna a atitude de “conversa de boteco” dos deputados para com o presidente da mesa ainda mais tosca.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s