Da cor, do pecado


Por dois dias seguidos me instigaram a comentar a respeito da problemática acerca da discriminação contra negros. No último, apresentaram-me o artigo “Por que é racismo chamar um negro de macaco?“, escrito por Leandro Beguoci e publicado no site Pragmatismo Político.
Achei por bem tecer meus comentários, analisando o artigo, e compilá-los aqui; afinal, “racismo” está mais na moda que matar negro favelado…

racismo-tirinha

No lead da matéria, lemos: “Ao longo da história, a escravidão e o preconceito foram justificados com argumentos semelhantes aos que, no fundo, associam negros a macacos.” – Pff.. Observação besta. Até hoje tem gente que comete a estupidez de associar humanos a macacos! Tem até gente que associa humanos a cachorros e outros animais para justificar o homossexualismo…

O colega que me chamou para ler o artigo também apresentou uns comentários interessantes a outro trecho que, na medida com que concordo, transcrevo:

Olha a argumentação dele (selecionando um trecho):

“Vamos por passos, num caminho lógico, eu e você caminhando nesta longa estrada da vida.
1) Ao chamar um negro de macaco, você está fazendo uma associação entre um humano e um não-humano.
2) Essa associação é feita, principalmente, por causa da cor.
3) Ao fazer essa associação, grosso modo, você está dizendo que um negro está um passo abaixo na escala da evolução. Afinal, você está chamando a pessoa de macaco.
4) Portanto, você está dizendo que negros são animais. Animais têm menos direitos do que homens.”

Vamos por passos também, num caminho lógico:
1) Não existe essa associação. Chamamos pessoas pelos mais diversos apelidos. Inclusive pelo nome de vários animais;
2) Da mesma forma posso falar que a associação de “elefante” é feita a um gordo. Ou de uma “cobra” a uma pessoa venenosa. Sempre foi assim.
(Aqui cabe a ressalva que a pele da maioria dos macacos, na verdade, não é negra, e sim branca – o que é uma grande ironia, afinal.)[1]
(A segunda ressalva é que a denominação “macaco” também pode, biologicamente falando, ser atribuída aos seres humanos. Dessa forma não só o Aranha como todos nós somos macacos.)
3) Bullshit… Todos os animais que hoje coexistem – incluindo seres humanos – estão na mesma escala evolutiva. Seria mais ofensivo para alguém chamá-lo de Neanderthal.
4) NÃO, seu animal…rs Porém, mesmo não tendo dito isso, de fato negros são animais. Brancos também. Todos os seres humanos são.

Cumpre registrar que eu não coaduno com o evolucionismo, que o colega expressou nas respostas 2 e 3, mas não deixa de ser uma contra-argumentação inteligente para o tema.

camiseta-igualdade-redbug

(estampa de uma das camisetas da marca Red Bug)

Ainda no título: “O primeiro passo para aplicar a violência é desumanizar a vítima” – Mesmo modus operandi dos abortistas, a propósito.

Essa parte aqui é a mais interessante, para mim:
“Por alguma razão que se perdeu no tempo, Cam virou antepassado dos negros – embora isso não esteja escrito em nenhum lugar da Bíblia. Os racistas, então, justificaram boa parte do racismo dizendo que estavam apenas se vingando do filho debochado de Noé” – Comentava ontem mesmo com uma amiga:
O problema do alarde contra “racismo”, dessa necessidade de autoafirmação, é que é todo motivado por revanchismo. Pessoas distraidamente (distraídas pelo marxismo, bom que se avise) estão promovendo REPARAÇÃO quando pensam estar – e deveriam estar – promovendo SUPERAÇÃO da condição lamentável à qual os homens das mais variadas nacionalidades foram submetidos no passado.

Estão aí as cotas raciais que não me deixam mentir: toda tentativa de “reparar a defasagem histórica” através de beneficiamento forçado, além de injusta e inadequada (no tocante à qualidade do cenário qualquer que se pretenda melhorar), acentua o sentimento segregador da sociedade.

Fora que a doutrina que sugere a autoafirmação para os negros (e incluo as mulheres, já que o autor da matéria também o fez) traz embutida a proposta de que, na ausência de tal exercício, não abandona-se uma hipotética condição inferior. Quem é que verdadeiramente diminui essa gente, então?

Falando em autoestima, no primeiro dia dessas discussões recentes em que me envolvi, uma amiga mostrou o texto racistóide de uma conhecida dela que afirmava que brancos não podem ter orgulho de sua cor. Até acho besteira medir forças com esses bordões, mas o pior foi ler que

(…)o seu coleguinha tem que resistir a uma porção de preconceitos plantadíssimos na sociedade todo dia, preconceitos diretamente ligados a cor dele e que afetam todas as esferas da sua vida, da autoestima baixa até correr maior risco de ter uma morte violenta. O orgulho negro faz sentido porque numa sociedade que historicamente (e ainda hoje) o coloca como inferior, se orgulhar da própria cor é um ato de resistência. Não precisa ter vergonha de ser branco. Mas eu consideraria ter vergonha de sair por aí dizendo que tem orgulho de ser branco.

Respondi:
“‘Correr maior risco de ter uma morte violenta’? Isso não vale nem se estivéssemos falando em PMs, já que em ambos os casos, o risco é presumido.
Opa, não explicitei qual seria o ‘outro caso’, né? Falo de negros e mestiços que abraçam o crime sabendo dos riscos.
Geralmente quem usa a falácia do ‘extermínio dos negros’ cuidadosamente omite essa informação, pra dar a entender que mata-se negros por esporte…

Mas calma que, de volta para o futuro, ainda há outras falhas de lógica no texto do Pragmatismo Político. A falha mais cretina e que berra por sua contumaz ocultação é a de convenientemente deixar de lado a informação de que, pasmem!, negros escravizaram negros também. Não só entre as tantas tribos africanas, ao longo de séculos, mas aqui mesmo no Brasil. Se eu tiver leitor(a) da área de História, deve poder confirmar: hoje já se afirma com segurança, no círculo dos historiadores, que Zumbi dos Palmares fizera escravos ele próprio.

Que pensar, então, da miséria africana contemporânea, com seus Idi Amin da vida e tantos outros negros que oprimem negros? Disso os defensores dos afrodescendentes jamais falam.

racismo-professor-claroAh! O texto traz:
“Portanto, é preciso combater alguns xingamentos nos estádios, até mesmo os mais ingênuos.” – Olha, eu não sou torcedor. Jamais assisti uma partida em estádio. Mas quando li alguém comentar, por aí, que é irreal afirmar que o goleiro poderia, durante o jogo e com toda a algazarra característica, ter escutado o xingamento, não tive dificuldade em concordar.

Mas leiamos outro trecho:
“Por isso que macaco não é folclore do futebol, como chegou a dizer um ex-presidente do Grêmio. Ele é só uma forma fossilizada de dizer que negros, no final das contas, são pessoas inferiores.” – Já aqui, não tenho dificuldade em discordar🙂
O que eu enxergo. no impulso em xingar, é a patológica impaciência comum aos torcedores. O autor do texto se dedicou tanto à ótica da discriminação que acabou por fechar-se à observação mais simples do fenômeno em si: a paixão futebolística, a sua natureza competitiva, são tais que não admitem erros, falhas e se ressentem profundamente – como sói os apaixonados – da decepção. E quando a frustração é patrocinada pelo adversário, mais aguda se torna a ira.

Nâo estamos ainda muito racistas. Estamos é cada vez mais boçais, mais animalescos em nossas paixões. Quem foi rebaixado à irracionalidade não foi o goleiro pela alcunha provocativa, mas a própria torcedora, que optou por um expediente debilóide – afinal, que diabos ganharia ela, na prática, com a vitória do seu time?!

Arrisco dizer que toda essa celeuma em torno do caso da partida, antes de contribuir pro benefício dos negros, inflama é o meu preconceito contra torcedores de futebol.

[1] De fato, os pelos das mais variadas espécies de primatas, em sua maioria parecem mesmo NÃO serem negros. A Wikipedia traz uma coleção de imagens que corrobora: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_primatas_do_Brasil

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