Segundo turno no Rio, segundas chances


Uma característica bacana da democracia representativa, de voto direto, é que qualquer pessoa comum pode discutir as opções de candidatos sem arriscar causar prejuízo para o sucesso da campanha. Um escritor do site do Instituto Mises Brasil já disse nunca comparece às urnas porque o voto individual vale nada; valeria apenas se a eleição fosse decidida por apenas um voto.

Em conjunto com amigos igualmente interessados no cenário político, estamos nos esforçando para aprender e contribuir mais ativamente com o processo eleitoral e de acompanhamento dos mandatos. Identificamos uma estratégia para o primeiro turno esse ano, no tocante ao cargo de governador, que foi a de optar pelo voto em Luiz Pezão (PMDB) considerando que é o que terá menos tempo de governo (não poderá concorrer à reeleição, por já ter assumido o mandato oficialmente no início do ano corrente). Entendendo que nenhum dos candidatos é suficientemente bom para nós, seria o mais viável, torcendo para que quatro anos bastassem para o surgimento de algum candidato melhor.

Porém, com a determinação do duelo de segundo turno entre Pezão e Marcelo Crivella (PRB), particularmente vejo uma oportunidade de reavaliar o posicionamento. Honestamente, apesar dos apontamentos feitos aqui no início do ano, admito que não tenho ainda muito mais para recusar Crivella que o preconceito religioso. Sim, porque nem todo preconceito é mau, vale ressaltar. O alinhamento do candidato com a seita protestante conhecida como “Igreja Universal do Reino de Deus” e mais que isso, sua relação íntima com o fundador da seita, o famigerado Edir Macedo, prontamente acendem um alerta na cabeça de qualquer carioca, pelo menos, cristão ou não. No entanto, também na qualidade de cristão, não evito acusar o preconceito alheio. Temos que ir além desse juízo de valor. Como disse numa discussão mais cedo: não vejo correlação entre a sanha financeira de um líder religoso protestante e uma hipotética má administração do dinheiro público.

Pezão, por sua vez, tem Sergio Cabral, ex-governador, por padrinho. Até onde sei, ele poderia ter renunciado se enxergasse algo errado na gestão de seu antecessor, mas não o fez. Sobre estes dois candidatos restantes, pesam suspeitas de corrupção ativa ou conivência. Vale investigar. E também é útil ler suas propostas (aquelas protocoladas junto ao TSE). Todos os políticos fazem promessas, quais têm maior potencial de realização? Acaso não é saudável descartar o vício de achar que político é mentiroso e nunca cumpre o que diz? E, se isso ainda é verdade persistente, deveríamos estar pesquisando meios de revertê-la. Fato é que, até o momento da investidura só o que temos são os compromissos, as palavras.

Por fim, já que surge a necessidade de dar um novo voto, já que agora as opções foram reduzidas a ponto de mais detalhes das propostas poderem vir à luz, fica para mim o exercício de estudá-las mais detidamente. Às vezes a escolha nem é lá tão difícil. Mas o importante é a consciência de que o interesse não deve terminar com a divulgação do resultado da apuração.

Cumpre não se deixar levar pela ignorância de pensar que um Crivella governador avançaria uma agenda de favorecimento à IURD ou mesmo de aplicação de seus planos doutrinários – até porque a IURD não é um exemplo de ortodoxia cristã mesmo, nem Crivella tão inflexível quanto a profissão de fé cristã exige. O chefe do executivo não tem tantos poderes assim. É mais razoável esperar um deputado ou senador que um governador “fundamentalista”. Quem saca argumentos desse tipo precisa estudar melhor as atribuições dos cargos políticos. E para formar expectativas sobre um “segundo mandato” de Pezão, sugiro sondar a nova turma da ALERJ, eleita agora no primeiro turno, afim de indentificar à qual distância do governo Cabral-Pezão os deputados estão. Alguns fizeram campanha, inclusive, prometendo defender projetos da atual gestão.

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