Natal e política


presepio-icone(Publicado originalmente no blog Vagápolis em 21/12/2014)

Sob alguns aspectos podemos considerar que vivemos um período natalino também na política brasileira. A palavra natal refere-se a nascimento, basicamente. O termo é amplamente difundido devido à celebração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo – aliás, cumpre relembrar à sociedade que este é o verdadeiro motivo para se comemorar a data: a chegada do Filho de Deus que se encarnou para nos trazer a salvação para nossas almas. Compras e demais gastos materiais, celebrações, folgas, momentos de afetividade entre amigos e parentes, tudo isso é secundário.

Mas, bem, dois detalhes do natal me remetem ao cenário político atual: a figura do bebê e a realização profética.
Um bebê traz alegria. Um bebê também inspira muitos cuidados, na alimentação, no asseio, na proteção, na educação… Um bebê, por natureza, chora, faz barulho para ser notado e conseguir o que deseja. Um bebê é a melhor aposta de futuro que alguém pode, literalmente, conceber.

Para alguns, a reeleição da presidente Dilma foi um parto. Entretanto, quem nasceu no procedimento, foi uma oposição renovada, não só no Congresso, como no meio do povo. Fala-se muito mais sobre política hoje, nos círculos sociais (virtuais ou não) que por ocasião do pleito passado. As pessoas estão aprendendo não só a opinar como a resgatar, pelo menos, o passado recente da política. Como aquele bebezinho, esse sentimento de insatisfação precisa ser alimentado, com informações verdadeiras, honestamente prestadas (a propósito, a mídia não é a mãe desta criança, não esperem o leitinho dela…). Também precisa ser cercado de cuidados, para que não caia nas armadilhas do caminho, posto que o mundo oferece muitos perigos, e ele pode ser ingenuamente manipulado para fins espúrios. Como toda criança, este movimento de oposição que ora berra nas ruas, clamando por justiça, retidão e probidade, renovação política, precisa ser muito bem educado, cuidadosamente instruído, para que possa desenvolver todo o seu potencial e se torne saudável, prestativo e útil à sociedade no futuro, e que seja motivo de orgulho para seus genitores. Tal qual um infante manhoso, no entanto, não pode ter todas as suas reivindicações acatadas – como sói acontecer com as exigências de meninos e meninas mimados, muitas vezes a demanda é irrefletida e egocêntrica – nem ficar abandonado sem a direção de uma liderança, sob pena de perder-se. Sim, refiro-me aos intervencionistas, mas também aos black blocs.

Da parte da realização profética, temos que essa renovação de fôlego e ares não é senão a materialização do que os teóricos conservadores previram e pela qual trabalharam durante anos. Gente como Plínio Correa de Oliveira e Olavo de Carvalho – para citar apenas dois conhecidos e emblemáticos – foram capazes de enxergar não só a luz no horizonte em meio à névoa escura na qual o Brasil foi sendo envolvido ao longo do século passado até aqui, como pavimentar estradas por onde possamos alcançá-la. Uma restauração cultural, a derrocada da hegemonia marxista-gramsciana que, como um rolo compressor vai achatando, nivelando por baixo as esferas, as faces diversas da sociedade, não só é possível – se reunidas as ferramentas e defesas necessárias – como já mostra seus primeiros sinais visíveis. Como os profetas do Antigo Testamento que anunciaram a mensagem de esperança na redenção futura, estes e tantos outros homens escrevem, ainda hoje, e suas obras são vastíssima e valiosa fonte de instrução para a nova geração politizada e, inclusive, de renovação de ânimos e fé na humanidade e sua capacidade de recuperação moral, social. E tal como na bíblia encontra-se o conteúdo necessário para entender o grande significado do nascimento de Jesus para a humanidade, através dos livros dos escritores conservadores, dos cientistas políticos imunes ao (ou curados do) esquerdismo, podemos obter fundamental conhecimento para compreender como chegamos a este momento da história do nosso país e como devemos encará-la e lidar com ela.

Seja, pois, esse fervilhar de justa indignação e posicionamento mais que nunca vigilante e ativo – como o que se viu nas últimas semanas, desde as primeiras manifestações pró-impeachment até as aglomerações de cidadãos desejosos de acompanhar bem de perto as discussões acerca da desobediência da meta fiscal – o João Batista a aplainar os caminhos da chamada Contra-Revolução.

Em tempo: que o recém-nascido movimento de restauração da política – conservador, liberal, de direita ou não exatamente (tudo) isso – adote um terceiro aspecto Natalino bastante salutar: a humildade de Jesus Cristo. Embora Deus feito homem, encarnado para realizar uma tarefa excelsa, divina, magnânina, o menino, adolescente, jovem Jesus teve a humildade de desenvolver-se sem soberba. Ele que era e que é a salvação dos povos, não furtou-se jamais de dialogar com todos – entretanto sem jamais corromper-se.

 

Feliz Natal!

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