Meu campus, minhas regras


Ainda sobre a “Semana do Dia Internacional da Mulher” organizada por/para feministas na PUC-Rio.

Tomei conhecimento que um professor de direito (não da PUC, pelo que vi) manifestou-se contra a petição, tecendo muitos comentários no facebook. Em meio a argumentos de matiz esquerdista (como “lógica do privado” e “apropriações capitalistas”) e alusões ao trabalho de implantação das UPPs, comparando o “Política e DSI” à polícia e os alunos filofeministas aos bandidos – pois é… – alguns pontos são interessantes de se analisar e esclarecer:

O tempo todo o professor refere-se a uma fantasiosa tentativa de “dominação espacial”. Isto não é verdade, em absoluto. Primeiro porque, como dito no artigo anterior, eu sou o responsável pela petição e não sou aluno da universidade, não possuo qualquer vínculo. Em segundo lugar, contrariando a hipótese hiperbólica proposta de que “levado às últimas consequências o raciocínio que expuseram, por ser a PUC uma “instituição católica”, ela estaria de portas fechadas aos alunos judeus, mulçumanos, ateus, presbiterianos etc” nada há no texto da petição que hostilize outros credos religiosos (ou a ausência de algum) ou demande a expulsão de alunos (de qualquer tipo). A prerrogativa do pedido de cancelamento do evento é a da inconveniência da sua realização nas dependências da PUC, por carregar em seu programa ideias e seus propagandistas que não só discordam da fé e moral católica como desejam combatê-la, derrotá-la nos corações e mentes dos alunos.

Como eu disse ao rapaz que me procurou ontem, a preocupação com o evento não é uma mera implicância. Duas das “atrações” divulgadas no cartaz original da programação defendem legalização do aborto e estimulam a masturbação e a prática homossexual. Ora, estes assuntos não são meros “tabus” para os católicos e a sociedade em geral. São respectivamente um crime e um pecado; logo, não devem ter espaço numa universidade fundada sobre bases católicas. Discutir alternativas ao aborto, por exemplo, tudo bem. Promover a sua aceitação, jamais. Se os organizadores

#MeuCampusMinhasRegras

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centro nacional de cultura católica“, “caráter confessional“, “compromisso com os valores cristãos“. Termos que encabeçam o estatuto da PUC-Rio, solenemente ignorados por alunos e professores laicistas, que a meu ver abalizam a sugestão de cancelamento do evento.

É patentemente sintomática a insistência tanto do professor como dos alunos apoiadores do evento em esvaziar o seu imaginário de uma Pontifícia Universidade Católica do seu caráter católico.

O restante das considerações do professor giraram em torno do velho palavrório eivado de falácias de intolerância religiosa, perseguição, “idade das trevas” e coisas do gênero. Até um delírio travestido de elogio à tolerância do papa Francisco acabou sendo escrito, como se o feminismo moderno realmente agisse pautado pela tolerância e pelo respeito ao papa e à Igreja Católica, como se pode ver bem nessa tentativa de invasão da catedral de San Ruan na Argentina em dezembro de 2013 (portanto posterior à eleição de Francisco), as reiteradas profanações e intervenções desrepeitosas praticadas pelo ícone feminista FEMEN, como a recente tentativa de roubar imagem do menino Jesus do presépio do Vaticano e  – como esquecer?! – a demonstração de ódio do movimento feminista que nos últimos anos vem realizando passeatas na cidade do Rio de Janeiro, chamado “Marcha das Vadias”, que quebrou, profanou e se masturbou com imagens de santos católicos e com crucifixos. Duvido, reitero, que os pais dos alunos da PUC sentir-se-iam confortáveis sabendo que entusiastas deste tipo de liberdade de expressão estão procurando se aproximar de sua prole.

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A petição é dirigida ao Ilmo. Reitor da PUC-Rio. Pesquisando o estatuto (encontro online a versão de 2002, não sei se é a mais recente), encontrei alguns pontos referentes às suas atribuições que possivelmente são pertinentes. Diz o estatuto:

Art 25. São atribuições do Reitor:
(…)
XIII – levar ao Conselho Universitário as representações ou recursos dos membros dos corpos administrativo, discente ou docente, relativos à questão da vida acadêmica da Universidade;
(…)
XV – exercer o poder disciplinar;
(…)
XVII – sustar ex-officio ato de órgãos acadêmicos ou administrativos que lhe parecer contrário aos interesses da Universidade ou infringente das normas que a regem (…)

Cito estatuto ainda, na seção que trata do corpo discente:

Art. 81. Em qualquer caso, caberão aos membros Corpo Discente, individual ou coletivamente, conforme o caso, os seguintes direitos e deveres fundamentais:
(…)
IV – abster-se de atos que possam importar em perturbação da ordem, ofensa aos bons costumes (…);
V – abster-se de fazer proselitismo, dentro ou fora do recinto escolar, de idéias contrárias aos princípios que inspiram a Unversidade;
VI – contribuir, na esfera de sua ação, para o prestígio crescente da Universidade e o respeito às suas finalidades espirituais;

Até o momento da edição deste artigo, a petição contava com 2075 assinaturas, contra cerca de 1.400 “confirmações” na página do evento no facebook. Sabe-se que a quantidade de confirmações em eventos nunca corresponde à real quantidade dos convidados que efetivamente atendem ao chamado. Com efeito, o número de assinaturas da petição reflete um sentimento geral da sociedade em face da proposta da semana feminista. Sei mesmo de não-católicos que assinaram, concordando com a prerrogativa da petição. É certo que parte dos subscritos não são alunos da universidade – como eu, o autor – mas considerem que eu não fiz campanha ostensiva por apoio dentro dos muros da PUC-Rio.

Se os idealizadores do evento feminista honestamente estão abertos ao diálogo, à livre discussão de ideias e opiniões, e reconhecem os princípios do respeito mútuo, deveriam talvez discutir a sua aceitação, francamente, entre os alunos. Se você conhece algum, mostre-lhe a petição, por favor.

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