Bolso furado


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O jornal O Dia noticiou que o presidente da ALERJ, Jorge Picciani (PMDB) aumentou em R$ 1.200 o salário dos estagiários de nível superior da casa. Conforme bem destacou o jornal, o salário (de, agora, R$ 2.800) para uma carga horária semanal de 20 horas é maior que o valor pago para os professores da rede estadual, que devem trabalhar 30 horas por semana: R$ 2.211,25.

É preciso observar o seguinte: os estagiários são estudantes, ou seja, pessoas ainda não completamente formadas. Os professores precisam ter, no mínimo, a graduação completa para serem admitidos nos concursos. Muitos deles investem mais tempo e dinheiro e especializam-se (concluindo pós-graduação) com o objetivo de aumentar seus rendimentos, o que não acontece em todos os casos. A discrepância na remuneração, e mais ainda, no reconhecimento dos profissionais e de sua relevância é aguda.

Estamos vivendo momentos de insatisfação e indignação latente dos professores, conforme notícias chegadas recentemente vindas do Paraná. É uma, portanto, uma escolha perigosa, ainda que (como informado pela matéria) seja para evitar processos judiciais.

Claro que, por outro lado, não são apenas os professores os membros do funcionalismo público estadual que passam a ser vítimas de tão amarga ironia (receber menos trabalhando mais e em funções bem mais importantes que outros). Nesta mesma semana veículos de comunicação avisaram que o efetivo de policiais militares sofrerá redução – drástica, pelas minhas contas – devido a cortes nas vagas do RAS (Regime Adicional de Serviço, programa voluntário de horas extras). E, a despeito da justificativa dada pela liderança da corporação (ociosidade de vagas), diz-se que o motivo real é a falta de verbas.

Convenhamos que é uma desculpa exdrúxula: se se tratavam de vagas ociosas,

é porque supostamente havia dinheiro para pagar voluntários que não se ofereciam. Logo, não se perdia dinheiro algum com essa alegada ociosidade. Do lado de cá da luneta dos chefes da PM, a criminalidade só aumenta e a necessidade é diametralmente a oposta: captar mais recursos para incentivar uma maior procura dos praças por serviço extra.

O poder executivo argumentaria que não há tanto dinheiro assim para isso? Não faz muitos meses a ALERJ doou 70 milhões para investimentos em segurança pública. Uma reportagem de 10 de abril último conta que a Secretaria de Segurança alega ter aplicado 30 milhões deste montante nas polícias. Será?

No início do ano eu cheguei até a elogiar alguns movimentos da nova presidência da ALERJ, no sentido de economizar recursos públicos, cortar gastos da assembléia. No entanto os deputados devem ter os bolsos furados: poupam, poupam, mas no fim o dinheiro cai de seus bolsos muito perto de si.

Permanece a sensação de administração deficiente do dinheiro público. A quem muito foi dado, muito será cobrado…


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