Quem não precisa do MinC


Se eu fizesse a pergunta “Quem precisa do MinC?” no lugar da afirmação que serve de título para esta postagem, evidentemente a força da sua retórica poderia ser diminuída por uma vasta quantidade de exemplos e argumentos.

O fato que eu quero brevemente ressaltar é apenas o que a assertiva informa: não é preciso um mecanismo de captação e financiamento operado pelo governo para se produzir material cultural no Brasil.

A recente troca de governo que se deu pela aceitação do processo de impeachment no senado, afastando Dilma Roussef, trouxe diversas mudanças (ou tentativas de), entre elas a fusão do Ministério da Cultura (MinC) ao Ministério da Educação (MEC). Esta novidade provocou uma onda de discussão, preocupação e mimimi com o suposto risco de uma diminuição dos investimentos na cultura e com o suposto risco de economia resultante da redução de ministérios, cargos e gastos de dinheiro público.

Nestes tempos em que convocar, organizar e praticar financiamento coletivo – a boa e velha vaquinha – se tornou extremamente simples graças à tecnologia da Internet, parece desnecessário e até mesmo inadequado que o patrocínio à produção de espetáculos e demais artigos culturais seja executado através de renúncia fiscal concedido a empresas, sem um critério com um controle mais firme por parte dos consumidores finais, a população, sobre a prioridade e interesse do que se propõe a ser realizado.

Em resumo: as leis de incentivo à cultura, hoje, permite ao governo abrir mão de impostos que poderiam ser usados para alimentar setores fundamentais, como a saúde , a educação e a segurança e doá-los a produtores e artistas às custas de contrapartidas que estão longe de deixar os espectadores satisfeitos e sentindo-se recompensados – isso se pudermos determinar que os efetivos espectadores dos espetáculos produzidos por esta via são mesmo aquelas pessoas que supostamente precisam dos prometidos benefícios das tais leis de incentivo e supostamente demandam os conteúdos que acabam por ser contemplados.

Enfim, importa saber que o financiamento coletivo é uma forma mais justa de viabilizar projetos culturais, porque coloca os consumidores interessados diretamente em contato com os produtores, artistas, escritores, etc. Iniciativas como as campanhas de publicação de livros de editoras como a Concreta, atingem inegável sucesso. Eu tenho dois livros de campanhas que participei. Há vários sites de financiamento coletivo, como o Kickante, o Vakinha e o Catarse.

Um projeto que conheci dias atrás e achei muito interessante é o da produção do documentário “Bonifácio – O Fundador do Brasil“. Os responsáveis postaram até um pequeno vídeo recentemente atualizando sobre o processo:

O potencial criativo dos brasileiros é imenso e quanto mais direcionados e focados forem os investimentos, melhores e mais úteis serão os resultados. Quem sabe assim consigamos encurtar os estimados 30 ou 50 anos de prazo para se reverter o quadro de degradação da educação e da cultura do país, como nos alertaram Olavo de Carvalho e Luiz Felipe Pondé.

E como não é o Estado o ente que deve se ocupar de produzir cultura, acho que podemos deixá-lo aplicar os recursos em áreas nas quais apenas a nossa criatividade não é tão eficaz ou mesmo suficiente.

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