Lady Day – Dia da Dama, uma elegante proposta antifeminista

Sei que há por aí muitas mulheres que não se identificam – em absoluto! – com o movimento feminista (as mulheres da minha vida, inclusive e felizmente) mas, por diversos fatores, tornou-se difícil suplantar a propaganda feminista e fazer notar a opinião contrária, daquelas que rejeitam a usurpadora representatividade desse movimento antifeminino em essência.

Sendo assim, achei interessante ecoar esta proposta diferenciada – e em certa medida ousada – de contraste ativo ao infame “Dia Internacional da Mulher” (8 de março).

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“O nível de qualquer civilização é o nível de sua feminilidade.” – Arcebispo Fulton Sheen

Dia da Dama, 8 de Março — “Pura Bondade no Trabalho!”
(Tradução do original Lady Day, March 8th — “Pure Goodness at Work!”)

Agitadoras sociais — as mesmas que marcharam em Washington, DC mês passado na muito divulgada e chocantemente vulgar  Women’s March (Marcha das Mulheres) — atacam novamente.

Uma greve geral chamada de “A Day Without Women” (Um dia Sem Mulheres, em tradução livre) está planejada para 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, convocando as mulheres a faltarem ao trabalho para demonstrar apoio ao feminismo igualitário radical e causas sociais danosas como a Planned Parenthood, o aborto e “casamento” de pessoas do mesmo sexo.

Mas quantas mulheres podem realmente faltar ao trabalho? E quanto às mães? E quanto às enfermeiras ou qualquer outra mulher que trabalha na sociedade para ajudar os outros? Nós não podemos faltar! E mais ainda, nós não queremos.

O Dia da Dama é uma resposta positiva, um dia para nós celebrarmos o plano de Deus para as mulheres como puras e boas. E de fato, o lema para este dia especial é “A Pura Bondade no Trabalho!”

O Dia da Dama é dedicado à mais sublime dama de todos os tempos: Maria Santíssima. Em sua maternidade, ela nutriu e criou todos os seres humanos.


Nossa maior dignidade é, como Maria, ser aquilo que Deus nos criou para ser e nossa maior felicidade está em cumprir os desígnios de Deus. Como S. Francisco de Sales diz, “Não queiras ser nada além do que és, e tentes ser isto com perfeição”. O que as mulheres devem ser?

Algumas devem ser mães, exercendo uma presença educadora em seus lares. Outras, que não receberam a graça da maternidade natural, adquirem o privilégio de serem mães em um sentido espiritual, para nutrir a outros com uma infalível pureza, bondade e abnegação.

“As mães estão mais próximas de Deus Criador que qualquer outra criatura; Deus une forças com as mães para realizar este ato de criação…O que mais nesta Terra de Deus é mais glorioso que isto, ser uma mãe?”
– Cardeal Mindzenty

O que podemos fazer no Dia da Dama?

1. Saia para tomar um chá (n.d.t.: ou quem sabe, um cinema seguido de um cafezinho) com suas amigas no dia 8 de Março. Vista-se de uma maneira modesta e elegante para celebrar a feminilidade. Se alguém perguntar porquê você está vestida assim, esteja preparada para explicar que o Dia da Dama é um dia especial para apreciar como Deus fez as mulheres, e abraçar nosso papel divinamente instituído na sociedade. OBS: você não precisa folgar do trabalho. Apenas esteja especial no dia.

2. Publique fotos do seu passeio de Dia da Dama na página de facebook “The Return to Order”. Quando postar, por favor use a hashtag #ladyday.

Esta saída especial para celebrar o Dia da Dama e as fotos irão combater a greve disseminadora de divisões “A Day Without Women”. Ela terá uma boa influência em nossas crianças e nossa sociedade! Você quer se juntar a mim?

Feliz Dia da Dama!
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Colette Zimmerman é uma mãe católica, esposa e escritora.  Ela e seu marido Thomas são apoiadores da TFP.  A Sra. Zimmerman escreve regularmente sobre assuntos relacionados à moda e feminilidade católica em seu Catholic Lady Blog.

Quem não precisa do MinC

Se eu fizesse a pergunta “Quem precisa do MinC?” no lugar da afirmação que serve de título para esta postagem, evidentemente a força da sua retórica poderia ser diminuída por uma vasta quantidade de exemplos e argumentos.

O fato que eu quero brevemente ressaltar é apenas o que a assertiva informa: não é preciso um mecanismo de captação e financiamento operado pelo governo para se produzir material cultural no Brasil.

A recente troca de governo que se deu pela aceitação do processo de impeachment no senado, afastando Dilma Roussef, trouxe diversas mudanças (ou tentativas de), entre elas a fusão do Ministério da Cultura (MinC) ao Ministério da Educação (MEC). Esta novidade provocou uma onda de discussão, preocupação e mimimi com o suposto risco de uma diminuição dos investimentos na cultura e com o suposto risco de economia resultante da redução de ministérios, cargos e gastos de dinheiro público.

Nestes tempos em que convocar, organizar e praticar financiamento coletivo – a boa e velha vaquinha – se tornou extremamente simples graças à tecnologia da Internet, parece desnecessário e até mesmo inadequado que o patrocínio à produção de espetáculos e demais artigos culturais seja executado através de renúncia fiscal concedido a empresas, sem um critério com um controle mais firme por parte dos consumidores finais, a população, sobre a prioridade e interesse do que se propõe a ser realizado.

Em resumo: as leis de incentivo à cultura, hoje, permite ao governo abrir mão de impostos que poderiam ser usados para alimentar setores fundamentais, como a saúde , a educação e a segurança e doá-los a produtores e artistas às custas de contrapartidas que estão longe de deixar os espectadores satisfeitos e sentindo-se recompensados – isso se pudermos determinar que os efetivos espectadores dos espetáculos produzidos por esta via são mesmo aquelas pessoas que supostamente precisam dos prometidos benefícios das tais leis de incentivo e supostamente demandam os conteúdos que acabam por ser contemplados.

Enfim, importa saber que o financiamento coletivo é uma forma mais justa de viabilizar projetos culturais, porque Continuar lendo

É, hoje, “O Dia” da baixaria

Gabriel Sabóia, jornalista do “O Dia”, valeu-se de seu posto para desferir impropérios contra a organização da Caminhada Pelas Famílias, utilizando-se de informações incorretas sobre a Igreja. Talvez ele seja daqueles gays que sentem que “nasceram errado”. O fato é que o artigo dele, esse com certeza, já nasceu errado: logo no título ele acusa a passeata de ser “contra a família homossexual”, cometendo diversos equívocos.

Em primeiro lugar, chamar uma união homossexual de família é forçar a barra. O sr. Sabóia pensa que os cristãos estão indo na “contramão” da História (ele grafou a palavra com a inicial minúscula, talvez estivesse se referindo às histórias fantasiosas de dentro da sua cabeça…) mas todo aquele que declara que dois indivíduos do mesmo sexo unidos formam uma família está, na verdade, indo na contramão da Biologia. Afinal, não fossem os pais de dois homossexuais, por sua vez, heterossexuais, a dupla de ofendidinhos não teria chegado jamais a ver a luz do dia.

Em segundo lugar, devo denunciar a má intenção do autor em avisar que “o Movimento LGBT reage”. Como assim reage?! Quem foi que legitimou meia dúzia de militantes a responderem por toda uma parcela da sociedade? O sr. Sabóia zomba dos muitos homossexuais brasileiros que não se sentem representados por aqueles que praticam absurdos em nome da causa e que não pediram, em absoluto, a ajuda de ninguém. O discurso do jornalista é pura incitação à uma fajuta luta de classes. E não é difícil dar razão a estes homossexuais sensatos quando vemos como o chamado “Movimento LGBT” age, seja em suas passeatas gays repletas de ultrajes e atentados ao pudor e ultrajes aos objetos de culto, quando fazem protestos até mesmo dentro de eventos religiosos (como no episódio das masturbações com imagens de santos DURANTE AS ATIVIDADES DA JMJ), quando comparecem a audiências públicas e se comportam de maneira má educada e autoritária, etc. Quem poderia se sentir representado por pessoas que pensam o mundo a partir de seus genitais?

Ufa! Isso foi só um pouco do que se pode dizer do título e do subtítulo da matéria!
Gabriel começa o corpo do texto afirmando que a marcha vai “na contramão do Vaticano”. Alías, talvez caiba um à parte aqui: em menos de 25 palavras a redação dele utilizou “contramão” duas vezes. Isso significa muitas coisas… arrisco uma avaliação psicológica para dizer que revela um traço de intolerância do autor. Alguém que talvez acredite cegamente que a humanidade só possa ir num único sentido e que revisar suas escolhas e caminhos tomados seja invariavelmente um erro; que não aguentar ser contrariado.

Claro que quando sr. Sabóia escreve que “um Papa, pela primeira vez, flexibiliza o discurso e pede igualdade no tratamento dado aos homossexuais” ele não tem razão. E não é nem porque Francisco não tenha sido o primeiro Papa a dar uma atenção caridosa a eles ou a ter admitido uma necessidade de melhorar o atendimento pastoral desses filhos da Igreja, mas porque – pasmem! – jamais um Papa promoveu ou incitou a desigualdade de tratamento! O jornalista usa de subterfúgios para difamar cristãos, acusando-os de preconceituosos, de terem conduta discriminatória, de hostis. Mas eu sei, não devemos jogar pérolas aos porcos, logo não é tão proveitoso assim adentrar na Doutrina Católica, no Catecismo para recitar todas as orientações (anteriores a Francisco) elaboradas pelo Magistério e ratificadas pelos últimos papas. Afinal, o resmungo do sr. Sabóia tem um fim bastante específico, como se vê avançando na leitura.

Há poucas semanas deu-se na câmara municipal de São Gonçalo uma audiência pública para a discussão de vários temas integrantes do Plano Municipal de Educação. O item mais polêmico sendo a inserção da Ideologia de Gênero na pedagogia escolar. Amigos meus que estiveram presentes relataram que o “Movimento LGBT” daquela vez não esteve tão forte, inclusive sendo surpreendido por uma vereadora que se declarou lésbica E contrária à prática dessa doutrinação ideológica; militantes gays ficaram irados por esta vereadora ter dividido com a audiência que vive a castidade e é cristã… Ah! Recentemente o “Movimento LGBT” fez uma vítima: uma professora chamada Paula Marisa foi expulsa do colégio em que lecionava por ter feito questão de transparência da escola para com os pais dos alunos quanto à uma palestra que abordaria a Ideologia de Gênero e seria ministrada por um representante da secretaria de assuntos de diversidade do município. O testemunho dela pode ser assistido aqui.

O jornalista Gabriel Sabóia desinforma seus leitores quando escreve que Continuar lendo

(Auto) Boicote

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Boicotes às empresas que patrocinam atos de vilipêndio aos objetos de culto cristão, como o da mais recente parada gay de SP (de anteriores também…) funciona? Talvez não. Tampouco zombar publicamente da fé de milhões de brasileiros com a desculpa de estar pedindo respeito é uma atitude funcional.

Há quem sinta que o mais indicado é simplesmente deixar pra lá, não destacar para minorar a divulgação… o bom é que muitos desses escolhem o silêncio combinado com a oração, em desagravo e pelo perdão dos agressores, que é atitude importante.

Um argumento contra o boicote é ser um ato quase inócuo: dificilmente se conseguia mobilizar gente suficiente para deixar de pagar pelos serviços dessas empresas a ponto de causar-lhes um prejuízo significativo. Fora os casos em que abrir mão é simplesmente nada prático ou momentaneamente inviável. Eu, por exemplo, tenho um cartão de crédito da Caixa Econômica, um dos patrocinadores. Por muito menos, no passado, cancelei cartão de outra operadora, mas no momento não posso, eu dependo desse serviço. E aí chego a um ponto interessante: dependência.

Ora, assim como os gays não dependem da aprovação de suas práticas sexuais pela Igreja para realizá-las, nós cristãos também não estamos dependendo, em absoluto, de uma tal Continuar lendo

Meu campus, minhas regras

Ainda sobre a “Semana do Dia Internacional da Mulher” organizada por/para feministas na PUC-Rio.

Tomei conhecimento que um professor de direito (não da PUC, pelo que vi) manifestou-se contra a petição, tecendo muitos comentários no facebook. Em meio a argumentos de matiz esquerdista (como “lógica do privado” e “apropriações capitalistas”) e alusões ao trabalho de implantação das UPPs, comparando o “Política e DSI” à polícia e os alunos filofeministas aos bandidos – pois é… – alguns pontos são interessantes de se analisar e esclarecer:

O tempo todo o professor refere-se a uma fantasiosa tentativa de “dominação espacial”. Isto não é verdade, em absoluto. Primeiro porque, como dito no artigo anterior, eu sou o responsável pela petição e não sou aluno da universidade, não possuo qualquer vínculo. Em segundo lugar, contrariando a hipótese hiperbólica proposta de que “levado às últimas consequências o raciocínio que expuseram, por ser a PUC uma “instituição católica”, ela estaria de portas fechadas aos alunos judeus, mulçumanos, ateus, presbiterianos etc” nada há no texto da petição que hostilize outros credos religiosos (ou a ausência de algum) ou demande a expulsão de alunos (de qualquer tipo). A prerrogativa do pedido de cancelamento do evento é a da inconveniência da sua realização nas dependências da PUC, por carregar em seu programa ideias e seus propagandistas que não só discordam da fé e moral católica como desejam combatê-la, derrotá-la nos corações e mentes dos alunos.

Como eu disse ao rapaz que me procurou ontem, a preocupação com o evento não é uma mera implicância. Duas das “atrações” divulgadas no cartaz original da programação defendem legalização do aborto e estimulam a masturbação e a prática homossexual. Ora, estes assuntos não são meros “tabus” para os católicos e a sociedade em geral. São respectivamente um crime e um pecado; logo, não devem ter espaço numa universidade fundada sobre bases católicas. Discutir alternativas ao aborto, por exemplo, tudo bem. Promover a sua aceitação, jamais. Se os organizadores

#MeuCampusMinhasRegras

#MeuCampusMinhasRegras

centro nacional de cultura católica“, “caráter confessional“, “compromisso com os valores cristãos“. Termos que encabeçam o estatuto da PUC-Rio, solenemente ignorados por alunos e professores laicistas, que a meu ver abalizam a sugestão de cancelamento do evento.

É patentemente sintomática a insistência tanto do professor como dos alunos apoiadores do evento em esvaziar o seu imaginário de uma Pontifícia Universidade Católica do seu caráter católico.

O restante das considerações do professor Continuar lendo

Penetras bons de grito

Faz uns dias, soube da preparação de um evento feminista a ser realizado dentro dos muros da PUC-Rio. Na qualidade de católico que, apesar de não estudar na PUC, compreende que instituição católica não é lugar de promoção de aborto, homossexualismo e masturbação (notáveis bandeiras do movimento feminista), organizei e fiz publicar, em nome do meu grupo de discussão política do facebook “Política e DSI”, uma petição online hospedada na plataforma CitizenGO destinada a chamar a atenção do reitor da Pontifícia Universidade Católica e autoridades eclesiáticas para o descalabro engendrado por seus alunos.

Disseminei a petição para que fosse apreciada pelos amigos católicos e de maneira que atingisse especialmente alunos – mormente as mulheres. Ato contínuo, a organização do evento tomou conhecimento da petição.

cartaz-originalSoube que o cartaz original do evento, este ao lado, foi “vetado pela PUC” (quem, exatamente, comandou, não sei). Aparentemente mentes mais abertas à realidade religiosa do campus também ficaram sabendo da história. Que bom.

O jornal O Globo foi acionado e fazendo contato com o DCE (diretório estudantil) da PUC-Rio, publicou uma matéria mal escrita, cuja manchete foi “Grupo de alunos da PUC-Rio cria petição contra evento que celebra o Dia Internacional da Mulher”. Está bastante errada, pois:
1) O responsável pela petição sou eu;
2) O evento não “celebra a data” (embora a data, por si só, seja ideal do feminismo mesmo), visto que as ações e atividades do movimento feminista NÃO REPRESENTA o pensamento, o sentimento ou os interesses da maioria das mulheres.

Fui procurado por um rapaz que também ficou sabendo da repercussão interna da PUC . Ele era favorável à realização do evento, foi bastante polido e na conversa pude argumentar e justificar o porquê de ser contra a sua realização, quais pontos conflitam com a doutrina católica. De acordo com o que falamos, pelo que entendi, até foi aventada a possibilidade de abertura para a opinião divergente durante a programação. Pode ser uma atitude louvável, como lhe disse. Porém, ainda pesam sobre o evento os agravantes que ferem o caráter católico da universidade.

Em tempo: recebi solicitação Continuar lendo

Da imperfeição da lei dos homens

Existe uma lei inscrita na natureza, testemunhada pela própria, cognoscível pela observância da sua essência. A esta, chamamos lei natural. Perfeita, enquanto ordenamento elaborado pelo Criador com objetivo de sustentar e efetivamente dar vida à Sua obra. Seus preceitos conduzem, basicamente, à perpetuação da ordem das coisas; obedecê-la, defendê-la e pautar-se por ela é o segredo do sucesso da humanidade.

Mas há uma outra lei, vulgarmente chamada “lei dos homens”, que corresponde à coletânea de acertos e acordos elaborados pelas sociedades – normalmente independentes e variáveis de nação para nação – visando também o estabelecimento e a manutenção de uma ordem. Porém nem sempre, não em todos os casos, esta lei testemunha, promove ou honra a legitimidade das coisas. Algumas vezes – e temos visto isso deveras – criam-se mesmo dispositivos legais que afrontam a lei natural, com prejuízos inclusive para a dignidade humana (como no caso das legislações que favorecem o aborto, por exemplo). A imperfeição das ideias legislativas humanas é tal que, na intenção de dispensar indivíduos de sua obrigação moral (oriunda do direito natural), o reto cumprimento da lei vigente prejudica inocentes. É o caso que irei comentar a seguir:

A tutela dos filhos é responsabilidade dos pais. Para já combater as vicissitudes da novilíngua contemporânea que “metonimifica” pais em qualquer adulto responsável por um menor de idade, talvez eu devesse aqui preferir utilizar genitores no lugar. Assim como o vínculo entre pais e filhos é naturalmente perene (alguém pode até deserdar um seu descendente, mas é ato meramente de papel), é razoável esperar que ambos os genitores preservem também aquele vínculo afetivo que os uniu até às vias da procriação. Em outras palavras: se houve amor a ponto de o casal decidir por ter filhos juntos, não há sentido em desfazer esta união.

Esta é, claro, a minha lógica, de alguém que preza o casamento, a beleza do amor conjugal indissolúvel. Mas certamente concebo que muitos casos não se desenvolvem e tampouco progridem da maneira correta. Ocorre que, considerando com exagerada complacência esta realidade, as leis humanas foram afrouxando-se ao longo dos séculos, até o ponto de temeridades como o divórcio e a as disputas da guarda dos filhos tornarem-se dispositivos legais – absolutamente “não legais”, desagradáveis… – e passarem a ser desejados, a serem elevados à categoria de direitos adquiridos.

Graves são, pois, as palavras do memorável papa Pio XI, a respeito do casal e dos filhos:

É certo que tanto pela lei da natureza quanto de Deus o direito e dever de educar a prole pertence, em primeiro lugar, àqueles que começaram o trabalho da natureza de dá-los à luz, e eles estão de fato proibidos de deixar não terminada essa tarefa, expondo-a à ruína certa. Mas no matrimônio se encontra provisionado o melhor caminho possível para esta educação das crianças que é tão necessária, pois, uma vez que os pais estão unidos por um laço indissolúvel, o cuidado e auxílio mútuo está sempre ao alcance das mãos. (Encíclica Casti Connubii, 16)

que se aplica não só à sua educação, mas ao cuidado geral deles.

Numa cidade do estado da Bahia, um sujeito chamado Jailson dos Santos tem dois filhos mas, Continuar lendo

Entrevista com Leonardo Giorno, integrante do novo DCE da PUC-Rio

Se é verdade que o pior que pode acontecer no ambiente acadêmico é o sufocamento da pluralidade de opiniões – e esse é um alerta insistente que escuto de meus amigos universitários – era de se esperar que em algum momento surgisse uma resistência. Hoje trago a breve entrevista que fiz com um dos integrantes da chapa vencedora da última eleição para o DCE da PUC-Rio. A julgar pela repercussão na rede social facebook que a vitória teve e, conhecendo o ambiente cultural e político recente da instituição, parece-me uma mudança há muito desejada e muito bem vinda.

O Legado d’O Andarilho: Nos fale sobre você: Quantos anos tem, qual o curso você faz na PUC e em qual período está?

leonardoLeonardo Giorno: Meu nome é Leonardo Giorno, tenho 22 anos e vou para o último período de Filosofia na PUC-Rio. Estou à frente da Ouvidoria, que faz parte da Diretoria de Transparência do DCE, eleito agora em novembro de 2014, criada para que haja uma maior clareza e lisura nas ações que tomamos, coisa que sentíamos falta da última gestão, que não prestava contas aos alunos.

OLA: Conte-nos como foi a disputa para o DCE, o que o motivou a entrar na chapa, quais as dificuldades e a receptividade dos alunos.

LG: A gestão passada do DCE estava já no poder há 6 anos. Era uma gestão de viés estritamente de esquerda e que muito pouco fazia pelos quase 13 mil alunos que a instituição possui. Por outro lado, se envolvia demasiadamente com a política partidária.

Nesse sentido, um grupo numeroso de alunos, descontentes com esse cenário, decidiu se unir em prol de eleger um DCE eficiente, que, para isso, precisaria ser acima de tudo apartidário, para dar conta de representar todos os estudantes, que pensam de modo diferente. Assim, criamos a chapa Muda DCE e aos poucos foram se somando mais e mais alunos que iam aderindo a esse movimento de mudança.

Diante da proximidade das eleições deste ano e a polarização nacional PSDB x PT, começaram a nos tachar de direita e nos acusar de querer promover na PUC um terceiro turno das eleições presidenciais, uma vez que a chapa da situação fazia campanha de modo categórico à presidente Dilma. Logicamente, pensaram, se fazemos oposição a um DCE que faz campanha para Dilma, logo somos de direita. Falácia que tentaram, mas não conseguiram empurrar goela abaixo dos alunos. Acontece que nossa chapa foi um movimento que conseguiu a adesão de alunos tanto do campo da esquerda quanto da direita, bem como os de centro (que são a maioria). Conseguimos a proeza de unir liberais, conservadores e socialistas. Tudo isso, em vista de uma causa maior: o bem da comunidade universitária. O resultado foi o esperado, uma disputa acirrada, mas uma vitória que muito significa para o período que estamos vivendo hoje no Brasil. A chapa Muda DCE foi eleita com maioria dos votos, principalmente dos alunos de cursos que historicamente nunca se envolveram em peso com as eleições, como o curso de engenharia. Isso revela que mesmo aquelas pessoas que antes não se preocupavam muito com política, agora estão se dando conta de que precisam participar.

OLA: Na sua opinião, que temas se mostram mais importantes e necessários de serem abordados, atualmente, no ambiente acadêmico? Por vezes, alguns católicos até se sentem constrangidos ou chocados com a recorrência de atividades de promoção de opiniões e costumes contrários à moral cristã nas faculdades…

LG: O que tem acontecido, hoje, no meio acadêmico, é algo completamente avesso ao espírito universitário. As universidades nasceram justamente para poder confrontar as diversas formas de saberes com o intuito de se chegar à Verdade, mas o que tem acontecido é o efeito contrário. No confronto de ideias, não se tem conseguido chegar um lugar comum. Diante desse problema, Continuar lendo

Gladiadores de Belathron – Jogo de tabuleiro arrecadando apoio

Saudações..
Poderia dar muitas explicações para esta intervenção fora dos padrões, mas deixo a mais curta: estou movimentando o blog.

O estúdio brasileiro de desenvolvimento de jogos Behold Studios está com uma campanha de arrecadação virtual (vaquinha/crowdfunding) para o seu novo empreendimento: Gladiadores de Belathron.

Descrição copiada do site da campanha:

“Gladiadores de Belathron”: um jogo de tabuleiro, todo em português, voltado especialmente para o Brasil baseado nos jogos MOBA (Multiplayer Online Battle Arena).

Aqui, as batalhas mais emocionantes são travadas em uma arena intergalática projetada para competições, confrontos e para colocar um fim a velhas rivalidades. Você irá disputar as melhores batalhas já realizadas nesta arena, testando todas as suas habilidades táticas e seu jogo em equipe. Uma aventura sempre emocionante cada vez que você joga.

O público brasileiro merece jogos de tabuleiro de qualidade. Com Gladiadores de Belathron, estamos dando nossa total atenção ao jogador nacional, unindo a nossa experiência em criar jogos dinâmicos e estratégicos com uma produção de alto nível, realizando parcerias com empresas internacionais renomadas na produção de jogos de tabuleiro.

detalhe_gbelathronEu conheci o trabalho do estúdio através do seu jogo para plataforma android “Knights of pen and paper“, que é uma interessantíssima abordagem para jogos de RPG, onde o jogador (você) faz as vezes tanto dos “players”, os jogadores virtuais, como do mestre da partida de RPG. E um dos detalhes mais legais para nós: está disponível inteiramente em português brasileiro.

Essa nova investida do estúdio é muito feliz também, porque Continuar lendo

Legalizar a maconha JÁ(mais)

maconha-naoMaconha, a erva, de pronto, me evoca duas expressões populares:

1) A grama do vizinho é sempre mais verde

Defensores da legalização do consumo e venda baseiam-se em exemplos e experiências de outros países, embora não raras vezes eles fecham os olhos para o fato de que o ícone legalize queridinho dos maconheiros, a Holanda, hoje se arrepende de seu progressismo. Fato igualmente não desprezível é a diferença cultural entre nós e eles. Você pode achar que a grama do vizinho é mais bonita, mas é porque provavelmente ele dispõe de mais recursos para tratá-la. Talvez você sequer devesse tentar ter um gramado por enquanto…

2) Se mudar a cor da grama, o burro morre de fome

Percebo que há advogados da cannabis avançando na argumentação, defendendo supostos benefícios terapêuticos. Além de ser um viés controverso (dada, por exemplo, a existência de drogas psiquiátricas já longamente desenvolvidas), evidentemente não é a alegação principal que sustenta o movimento pela legalização. A juventude que ora se encanta com os “arautos do tapinha” quer mesmo é desafiar o sistema e salvaguardar seu prazer mas, claro, comprarão qualquer bagulho barulho que lhes ajude a confrontar os conservadores. Grande parte dos ideais da juventude – talvez em todas as gerações – são formados por bandeiras bovinamente defendidas, sem perspectiva, muitas vezes sem respaldo familiar, ou seja, sem a aprovação dos pais e portanto desligados da própria educação e tradição que receberam.

De dentro dessa nuvem escura, têm dificuldade de enxergar as implicações de uma tal medida irresponsável. Analiso alguns argumentos da discussão:

I) A ilegalidade da venda propicia a corrupção, pelo contrabando

Não é porque existe corrupção que deixa abertas as fronteiras para o tráfico que legalizar vai acabar esse foco de corrupção. Ter fronteiras vazadas, para contrabando de drogas, armas e quaisquer outros produtos é um problema em si, que deve ser combatido independentemente de que objetos passem ilegalmente.

II) Legalizar a venda geraria recursos para serem investidos em saúde, educação, etc

“Legalizar e usar impostos em educação” não é factível. Primeiro porque aumentando o uso, aumenta o abuso e com isso a demanda por tratamentos (sejam contra a dependência sejam colaterais, de outros aspectos da saúde) logo, esses impostos teriam de ir pra saúde – e não educação -, mas em caráter de socorro e não de investimento. Segundo que o Brasil precisa de uso racional e honesto da arrecadação que já faz, não estamos carentes de mais impostos, ou seja, de mais dinheiro público captado.

III) Com a venda e o consumo liberados, a compra nas favelas vai ser reduzida e com isso a guerra do tráfico também

Quanto à “guerra das drogas”, “aviõezinhos do tráfico” e demais efeitos sociais do tráfico, digo que o problema não acabaria com um esgotamento da demanda pela droga comprada dos traficantes.

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