Adoção: maturação

Chegamos a mais um capítulo da saga da adoção.

Num último esforço para adiantar a tramitação do nosso processo, visitando a Vara da Infância  em agosto passado simplesmente para questionar o motivo do estacionamento, pedir informações do andamento (como quem não quer nada…), consegui ser atendido por uma das assistentes sociais, que deu a explicação amplamente conhecida: o processo é lento mesmo porque, dado o perfil das crianças apontado, a coisa se arrasta, a fila cresce. A equipe de assistentes trabalha com o máximo de celeridade possível, mas não deixa de estar com déficit de pessoal.

Ela comentou que estavam ainda fazendo a rodada de “treinamento” com candidatos que se inscreveram no ano passado!

Confidencio que ela não deixou de me dar uma impressão de ser partidária da idéia de que nós, postulantes à adoção, somos muito exigentes. Sem surpresa para mim, ela “preconceituou” (vamos lá, me ajudem a desmitificar o termo) que a opção que fiz com minha esposa foi de bebê/branco. Ok, foi, mas não só! Nos declaramos dispostos a acolher uma criança parda também e mesmo irmãos. Fora que não restringimos o sexo.

Ninguém duvidaria que a maioria das crianças que vão envelhecendo nos abrigos apresenta a cor da pele de parda a escura. Mas minha esposa e eu temos a opinião de que faltam adultos, casais pertencentes a essas etnias, com esse “colorido”, que manifestem interesse pelo ato de adotar. Quanto a isso, temos lá nossa bagagem estatística. De maio a outubro do ano corrente frequentamos um abrigo e jamais vimos um casal de negros visitando as crianças. É verdade que passam bebês negros por lá, mas não temos como saber a cor dos adotantes.

Mas vamos à novidade mais significativa resultante daquela visita ao fórum: Continuar lendo

Adoção: dizigóticos

gemeos-dizigoticos

* Os gêmeos bivitelinos são dizigóticos ou multivitelinos, ou seja, são formados a partir de dois óvulos. Nesse caso são produzidos dois ovócitos e esses são fecundados por dois espermatozóides, formando assim, dois embriões. (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAmeos)

“Disse-lhe o seu senhor: – ‘Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.'” – Mt 25, 21

Com essa citação do evangelho de São Mateus, inicio o terceiro artigo da série de adoção, registrando o maravilhoso fato já divulgado no artigo Paternidade: no dia do aniversário de minha esposa (07/05), obtivemos a grata confirmação de que a suspeita de gravidez – que nos deixara apreensivos por mais de uma semana – era, de fato, o início da mais preciosa graça a nós concedida por Deus 🙂

***

Após dar entrada na documentação exigida pela Vara da Infância, fica-se na espera por 15 dias para a efetiva abertura do processo. Ao fim desse período, deve-se retornar à Vara da Infância para receber o número do seu processo, para acompanhamento pela Internet.

OBS: a Vara só libera o número presencialmente.

De posse do número, pode-se acessar o andamento no site do Tribunal de Justiça. Porém, se você tiver alguma dúvida sobre os passos mencionados na página online, as siglas que aparecem, etc, você é obrigado a comparecer na Vara da Infância porque o processo corre sob segredo de justiça, e os funcionários precisam confirmar a identificação da pessoa, se parte ou advogado responsável. Nem a tecnologia conseguiu ainda facilitar a vida e diminuir a burocracia…

No nosso caso, flagrei os seguintes momentos, até agora:

Tipo do Movimento: Conclusão ao Juiz
Data da conclusão: 10/06/2013
Juiz: XXX
Processo(s) no Tribunal de Justiça: Não há.
Localização na serventia: RET CLS

Aparentemente a sigla RET CLS significa que o processo estava, naquele momento, pronto para a conclusão do juiz, como que na mesa dele, aguardando.

Alguns dias depois, apareceu: Continuar lendo

Entre mortas e feridas, tentam salvar o aborto

Comentários ao artigo de Flavio Morgestern: http://flaviomorgen.blogspot.com.br/2011/09/aborto-questao-de-coerencia.html

Comecei a seguir Flavio Morgenstern no twitter por causa de recorrentes RT de mensagens suas praticados por contatos que prezo. Com efeito li um artigo de elevada qualidade escrito por ele, que me levou à decisão de seguí-lo. O texto tecia uma crítica mordaz ao blogueiro Sakamoto, mais especificamente ao seu pensamento sobre um determinado artigo. Só a motivação já seria o bastante, mas o conteúdo é mesmo interessante.

Contudo, por ocasião do avanço na tramitação do Estatuto do Nascituro, percebi que Flavio, apesar das fontes que lho recomendaram a mim passivamente, defende o exercício do aborto. Gentilmente ele me indicou um antigo texto seu onde foram registrados alguns argumentos, e este presente artigo d’O Legado do Andarilho é uma contra-argumentação a alguns pontos relevantes.

feminaziEm meados do sexto parágrafo, Flavio Morgenstern assume – dando razão às feministas – que “se as mulheres sofrem injustamente com a gestação(…), é uma questão de saúde pública.“. Ok, então todo estado de saúde causador de desconforto, pouco importando que seja inerente à natureza humana – ou ainda, decorrente de atividade voluntária – deve ser estabelecido como “assunto de saúde pública” (com toda a carga tributária, logística, social, etc, que esse “superstatus” possa gerar para a população)?
Partindo desse raciocínio, o sr. Flavio talvez venha a defender (me admiraria se se recusasse a abraçar a causa) que a fimose ou a doença de Peyronie também sejam declarados casos de saúde pública! (OBS: recomendo discrição na abertura do link, devido ao conteúdo sexual, ainda que de um ponto de vista clínico)

É bem verdade que ninguém morre em “clínicas clandestinas” ao tentar se livrar do desconforto causado por esses dois quadros clínicos do exemplo, mas também não correm o risco de morte as mulheres que optam por não se submeterem ao aborto.

Mais à frente, o autor faz uso de uma hipótese à la Huxley (, Aldous – escritor de Admirável Mundo Novo),  Continuar lendo

Adoção: nidação

Continuando a série “Adoção”, que conta a trajetória da conversão do meu casamento em família, quero tratar neste segundo artigo de aspectos emocionais do tema.

* Nidação é o momento em que, na fase de blástula, o embrião fixa-se no endométrio. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nida%C3%A7%C3%A3o)

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Mas antes, preciso fazer um adendo ao texto do artigo passado:
Falei da exigência de um atestado de sanidade física e mental. Em cinco minutos de conversa o médico o assina; conferirei, mais à frente, se a avaliação médica se fará mais abrangente e específica. Senti falta de uma bateria de exames visando atestar a condição de portador de doença crônica e/ou terminal, por exemplo. Suponho que seja algo que afete diretamente os interesses da criança.

Fato é que quanto mais nos dedicamos à habilitação, quanto mais conversamos com amigos e familiares a respeito, mais arraigado em nosso coração se torna o projeto da adoção. Ainda é curioso observar a resistência que as pessoas (mesmo dentre nossos familiares) apresentam à ideia de alargar o círculo familiar com tão generoso gesto.

A principal alegação, que ganha disparada, é feita num impulso talvez até lisonjeiro: surpreendem-se com a nossa “juventude”, protestando amigavelmente ser uma atitude precipitada, precoce. Do alto de nosso um ano e meio de matrimônio, com mais dois anos de namoro, ainda parecemos jovens demais, aos olhos de nossos convivas para “desistir” de contrair uma gravidez natural.

Algumas reações incluem até mesmo a sugestão de que procurássemos tratamento de fertilidade, inseminação artificial antes de lançar mão do que lhes parece ser um “último recurso”, a ser considerado quando tudo mais falhar. Gosto de crer que tudo não passe de bondade, compaixão para com um jovem casal ansioso por ampliar sua família; tremo ao pensar que em alguns casos as recomendações são inspiradas pelo vício hodierno de não acreditar na concretude e indissolubilidade do casamento…

Em paralelo, correm também, infelizmente, discriminações deveras equivocadas. Ouvi num consultório médico Continuar lendo

Adoção: concepção

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Saudações!
Começarei uma série de artigos relatando os passos que seguirei com minha esposa no caminho para a adoção de uma criança (ou duas, quem sabe?). Pode vir a ajudar outros casais interessados, com informações sobre como proceder, que valores precisam ser pagos, etc.

Primeiro passo: procurar a Vara da Infância mais próxima da sua casa. Somos moradores de Bento Ribeiro (Rio de Janeiro-RJ) então, apesar do que informa o site da Vara da Infância municipal, o certo é procurar a da região mais próxima; no nosso caso, fica localizada no fórum em Cascadura (Rua Ernani Cardoso, 2. andar).

A primeira visita é meramente para retirar o formulário necessário da habilitação, que contém uma ficha para o casal, uma ficha onde registra-se o perfil da criança/adolescente desejado e os endereços dos cartórios dos quais os requerentes precisam obter certidões negativas de distribuição criminal e cível, de bens, etc. Aqui começa o desconforto:

Para essa região, recai sobre nós a pesada carga de custear 18 certidões (uma para cada cartório, para cada pessoa do casal)! As certidões para os quatro primeiros cartórios custam: Continuar lendo

Programa Mãe Fluminense

Na esteira dos esforços de prevenção ao aborto, buscando alternativas a serem oferecidas às gestantes em situações de dificuldades, alguns bons projetos vêm sendo criados por deputados verdadeiramente comprometidos com o bem estar das mulheres e dos nascituros. Um destes projetos é o Programa Mãe Fluminense, de autoria de Samuel Malafaia (PSD-RJ).

Confira a entrevista concedida pelo deputado ao blog na qual ele dá mais detalhes sobre o programa:

samuel_malafaiaLegado do Andarilho: Poderia, para começar, nos contar um pouco da sua motivação para a criação da lei 6397/13 – Programa Mãe Fluminense?

Samuel Malafaia: Há muito tempo nos deparamos com tristes notícias de mães que abandonam seus filhos recém-nascidos em locais que colocam em risco suas frágeis vidas. Infelizmente, essas ações tornaram-se comuns em todo o Brasil, e me incomodavam muito. Sempre pensei em fazer algo que mudasse essa realidade em nosso Estado e, por sorte, li uma matéria sobre um programa semelhante no Estado de Pernambuco, implantado pelo Tribunal de Justiça daquela região. O programa apontava índices bastante favoráveis, e me trouxe motivação para criar o Programa Mãe Fluminense no Estado do Rio de Janeiro.

LA: Considerando que além das dificuldades de ordem psicológica e social (conforme artigo 2 parágrafo I) muitas gestantes enfrentam também as de ordem financeira, existiria alguma possibilidade de viabilizar ajuda de custo para essas mães atendidas pelo Programa Mãe Fluminense, como pacotes de fralda, outros itens higiênicos, remédios, etc (à semelhança do que ocorre com medicamentos controlados e preservativos, por exemplo), ainda que em quantidade e por período de tempo limitados?

SM: Existem programas sociais em todas as esferas de governo com objetivo de erradicar a pobreza. No âmbito federal, por exemplo, temos o Bolsa Família, no Rio de Janeiro, o Renda Melhor. A ideia é que as mães sem condições financeiras para arcar com essas despesas sejam orientadas para receber e fazer jus a tais benefícios.

LA: Além destes subsídios, em caso de gestantes desempregadas, o senhor vislumbra alguma possibilidade de interação desse público com iniciativas tais como as creches populares? Há alguma negociação com o governo municipal nesse sentido?

SM: O objetivo primordial do programa Continuar lendo