Da imperfeição da lei dos homens

Existe uma lei inscrita na natureza, testemunhada pela própria, cognoscível pela observância da sua essência. A esta, chamamos lei natural. Perfeita, enquanto ordenamento elaborado pelo Criador com objetivo de sustentar e efetivamente dar vida à Sua obra. Seus preceitos conduzem, basicamente, à perpetuação da ordem das coisas; obedecê-la, defendê-la e pautar-se por ela é o segredo do sucesso da humanidade.

Mas há uma outra lei, vulgarmente chamada “lei dos homens”, que corresponde à coletânea de acertos e acordos elaborados pelas sociedades – normalmente independentes e variáveis de nação para nação – visando também o estabelecimento e a manutenção de uma ordem. Porém nem sempre, não em todos os casos, esta lei testemunha, promove ou honra a legitimidade das coisas. Algumas vezes – e temos visto isso deveras – criam-se mesmo dispositivos legais que afrontam a lei natural, com prejuízos inclusive para a dignidade humana (como no caso das legislações que favorecem o aborto, por exemplo). A imperfeição das ideias legislativas humanas é tal que, na intenção de dispensar indivíduos de sua obrigação moral (oriunda do direito natural), o reto cumprimento da lei vigente prejudica inocentes. É o caso que irei comentar a seguir:

A tutela dos filhos é responsabilidade dos pais. Para já combater as vicissitudes da novilíngua contemporânea que “metonimifica” pais em qualquer adulto responsável por um menor de idade, talvez eu devesse aqui preferir utilizar genitores no lugar. Assim como o vínculo entre pais e filhos é naturalmente perene (alguém pode até deserdar um seu descendente, mas é ato meramente de papel), é razoável esperar que ambos os genitores preservem também aquele vínculo afetivo que os uniu até às vias da procriação. Em outras palavras: se houve amor a ponto de o casal decidir por ter filhos juntos, não há sentido em desfazer esta união.

Esta é, claro, a minha lógica, de alguém que preza o casamento, a beleza do amor conjugal indissolúvel. Mas certamente concebo que muitos casos não se desenvolvem e tampouco progridem da maneira correta. Ocorre que, considerando com exagerada complacência esta realidade, as leis humanas foram afrouxando-se ao longo dos séculos, até o ponto de temeridades como o divórcio e a as disputas da guarda dos filhos tornarem-se dispositivos legais – absolutamente “não legais”, desagradáveis… – e passarem a ser desejados, a serem elevados à categoria de direitos adquiridos.

Graves são, pois, as palavras do memorável papa Pio XI, a respeito do casal e dos filhos:

É certo que tanto pela lei da natureza quanto de Deus o direito e dever de educar a prole pertence, em primeiro lugar, àqueles que começaram o trabalho da natureza de dá-los à luz, e eles estão de fato proibidos de deixar não terminada essa tarefa, expondo-a à ruína certa. Mas no matrimônio se encontra provisionado o melhor caminho possível para esta educação das crianças que é tão necessária, pois, uma vez que os pais estão unidos por um laço indissolúvel, o cuidado e auxílio mútuo está sempre ao alcance das mãos. (Encíclica Casti Connubii, 16)

que se aplica não só à sua educação, mas ao cuidado geral deles.

Numa cidade do estado da Bahia, um sujeito chamado Jailson dos Santos tem dois filhos mas, Continuar lendo

Anúncios

Paternidade

Perseu ou Valquíria descansando,

Perseu ou Valquíria descansando.

A paternidade literalmente gera vida.
Foi nítida, quase palpável a vibração de vida, de felicidade, nas palavras, expressões e entonações de meus familiares, ao me parabenizarem pela primeira gravidez de minha esposa.

Todos se sentem mais felizes, mais esperançosos, mais abençoados, mais vivos – enfim! – com a novidade de um novo ente da família, um nascituro, que imediatamente passa a ser tão amado quanto era esperado. Todos querem viver mais (ter a vida mais longa), para desfrutar da alegria de conviver com essa nova pessoa.

A despeito de imperfeições, incapacidades e impossibilidades (que sabemos existirem), certamente o dom de gerar novas vidas é um dos mais preciosos presentes que o Criador nos concedeu.

Mulher-macho

Feministas são como traficantes de porta de escola, só que a droga delas é o seu discurso. – Bruno Linhares

O feminismo hodierno é uma grande fraude, a começar pelo nome. Feminismo não pretende ser uma força antagônica ao machismo. Ele deseja ser uma força MAIS PODEROSA, deseja criar mulheres mais “macho” do que os homens.

Ao invés de lutar pelo respeito dos homens à dignidade da mulher enquanto mãe e esposa, exigindo deles a fidelidade devida, pregam um libertino liberalismo sexual que as torne “independentes” e livres da necessidade de estabelecer um lar ou laço relacional com um homem. Visando “proteger” as mulheres de serem transformadas em objetos sexuais dos homens, as encorajam a torná-los os objetos.

Ao invés de promover a natureza da mulher em sua plenitude, incluindo a maternidade, exigindo melhor estrutura familiar que permita até uma mulher optar por ser mãe e não trabalhar (por que não?), tendo um lar digno, com um pai, chefe familiar, provedor, e para isso também exigir todo o suporte às gestantes, incitam as mulheres a fazerem uso cada vez mais ostensivo de anticoncepcionais e demais contraceptivos que só prejudicam a saúde delas e, dada a sua inegável ineficácia (pela imperícia ou negligência no uso), empurram mais e mais mulheres para o aborto (quando não para a esterilização) para resolver um “problema” que o próprio estilo de vida promovido por elas cria; mais e mais incitam as mulheres a tomarem o seu lugar no mercado de trabalho, incentivando o enfraquecimento dos laços afetivos da mãe presente no lar.

Ao invés de exigir da sociedade homens mais dignos e que cumpram seus papéis sociais, culturais e sexuais, promovem o homossexualismo, que faz dos homens como que espécies de mulheres imperfeitas.
A propósito, toda relação sexual entre lésbicas é também fraudulenta porque pode até excluir a figura do homem, mas jamais conseguiria eliminar o ato da penetração.

A figura materna é tão importante que elas desejam exaltar nas mulheres tudo antes da maternidade. E por quê? Porque o senso de moral começa a se perder na desobediência aos pais, em especial à mãe.

Aos pouco, felizmente, Continuar lendo

Sacramento do matrimônio

Dentro de poucos dias comparecerei diante de Deus e de alguns amigos e parentes para pronunciar o sim mais importante desta minha fase adulta.
Não digo aqui que o casamento irá “mudar a minha vida para sempre” porque, além de ser óbvia a diferença na rotina (e portanto desnecessária a constatação), o matrimônio será a concretização de muito do que eu acredito, será pôr em prática, em plenitude, boa parte dos aspectos do meu caráter.

E eu desejo muito isso, porque eu sou capaz de entender que um dos maiores bens do ser humano é a família e que uma das dádivas mais benditas a nós concedidas pelo Criador é a capacidade de reproduzirmos. É também evidente que ambas as realizações só funcionam realmente bem juntas: reprodução orientada para a constituição de família, e família embasada no compromisso do matrimônio.

Desde anos atrás fiquei certo de que ficaria chateado se minha caminhada nesta terra viesse ao fim antes que eu pudesse realizar estes grandes projetos particulares: casar e ter filhos.

É por amor à Rita que escolho me casar com ela. Por querer dedicar-me à felicidade dela, representando o papel de esposo fiel, carinhoso, protetor, provedor. Porque amar é ofertar-se para servir, também no âmbito conjugal. Amar não é meramente querer por perto alguém de quem receber devotado afeto, com a cega e automática conseqüência de retribuição. Caso-me não tanto por ser bom ter a esposa, mas especialmente pela oportunidade de ser o marido.

E também por amor a Deus. Sim, não só por amor à minha companheira! Quero casar por amor ao sacramento do Matrimônio, instituído por Nosso Senhor Jesus (cf. Mt 19, 5-6).
Porque desejo respeitá-Lo e também melhor serví-Lo.
É evidente que a vida matrimonial está sujeita a tentações. Mas é inegável que a de solteiro é sitiada por tentações e vícios, sendo estes últimos flagelos mais vorazes. Tais tentações e vícios conseguem afetar mais livremente a pessoa solteira porque não há a contraparte, não há a presença do sexo oposto que contrabalance os desejos, que vigie o comportamento amparando os vacilos e refreando os impulsos. Esta é a razão pela qual dois representantes do mesmo sexo jamais podem ser tidos como casal, como exemplo de matrimônio: são duas forças que fluem no mesmo sentido, incapazes de anular com plenitude a força do outro. Sujeitas aos mesmíssimos desejos (especialmente sexuais); mais tendem à disputa, à superação, do que ao equilíbrio.
Prova deste conceito? Observe um casal normal. Quando o homem trai e a mulher opta por “dar o troco”, quem é capaz de negar a visível empresa daquela mulher em “agir como o homem”, “deitar-se com qualquer um”, “fazer pouco dos sentimentos próprios e dos alheios, como o homem”?
Do mesmo modo, quem nunca soube de um marido traído que tenha desabado em lamentações e pranto, fragilidades comuns às mulheres?

Darei um passo na direção de uma vida plena, feliz. Que Deus nos abençoe e nos conceda sermos um casal exemplar, que testemunhe ao mundo que é possível sim exercer a fidelidade, o amor conjugal sincero e todos os demais valores belíssimos do casamento. E demonstrar, a cada dia, e daqui a décadas, que tudo isso será sempre contemporâneo, atual.

Muito mais poderia ser escrito em honra deste sagrado compromisso, no entanto, a ideia aqui foi passada. A empolgação com a viagem me impele a sair do virtual para cuidar do real.
Hã? Não … não falava do passrio de lua-de-mel. Me referia à magnífica viagem que está apenas começando, na estrada chamada vida.