O debate da Compadecida

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Mais um interessante debate entre os candidatos presidenciáveis dessas Eleições 2014, desta vez mediado pela CNBB, realizado no santuário de Aparecida do Norte.

Desta vez, além de Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Eduardo Jorge (PV), Everaldo Pereira (PSC), Luciana Genro (PSOL), Levy Fidélix (PRTB) e Marina Silva (PSB) tivemos a participação do candidato Eymael (PSDC). A Igreja, como é mais generosa, arranjou um púlpito a mais 🙂
Inclusive, os três candidatos excluídos por significarem pouco ou quase nada na disputa, foram ao menos citados na abertura. Não recordo se essa gentileza foi feita nos outros debates.

A mediação foi a mais competente dentre os debates, interrompendo os candidatos rigorosamente e praticando a igualdade de oportunidades dos recursos solicitados – embora, a meu ver, não houvesse a mínima necessidade de Dilma ganhar mais tempo para defender o indefensável.
As perguntas dos bispos tiveram lá a sua pertinência, algumas até respondidas com a pertinácia de um ou outra candidatos, nada fora do esperado. Já os jornalistas foram um pouco esquisitos, qualquer coisa desinformados ou descolados da continuidade dos debates, ingênuos, condescendentes com suas perguntas.
Restou boa uma sugestão feita no acompanhamento da hashtag #DebateAparecida (que não foi minha): deveria ser praticado o escrutínio da cartela de presidenciáveis, pergunta a pergunta, ou seja, todos deveriam ser questionados sobre os mesmos assuntos, sem tanto sorteio.

Mais uma vez, os candidatos nanicos me surpreenderam positivamente. Como não têm muito a perder, podem expressar-se com maior dose de destemor – ou mais legitimamente, como é o caso do Eduardo Jorge (e que é algo mau, no caso dele). O resumo está no último slide apresentado abaixo.

 

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Pensando o Brasil com a cabeça da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ou, para os íntimos,  CNBdoB), lançou uma cartilha de orientação para as eleições 2014. O download do pdf de 7 páginas que apresenta 29 pontos está disponível aqui.

cartilha-CNBB-eleicoes2014O valor primário de um tal documento é conquistar a atenção daquelas pessoas que se encontram tão desiludidas com a política nacional que decidiram se omitir, seja faltando à votação, seja desperdiçando o voto das várias maneiras possíveis (votando em branco, nulo, no “menos pior”…)

O texto se inicia bem, exortando a participação corajosa do cristão na política, inclusive citando o Papa Francisco em sua Evangelii Gaudium: “Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela“. Essa é a mensagem contida nos itens 1 e 2 do documento.

A partir do item 3, até o número 5, a CNBB fala de maneira mais objetiva sobre o panorama das eleições e resultados esperados destas. Minha primeira crítica brota dessas linhas, porque a Conferência absolve, desculpa os arruaceiros de junho/13 como pobres insatisfeitos que se expressaram mal (talvez).

Quando eu me interesso por um texto, quando vejo nele potencial e utilidade, acabo sendo detalhista. A meu ver, este trecho ficou perigosamente mal escrito/posicionado: “Destaca-se no ‘discurso das ruas’, também, a insatisfação com a maneira como políticos eleitos vêm exercendo o poder(…), onde se barganha bens da coletividade como se fossem particulares“. Contrariando o ensinamento do Magistério sobre a propriedade privada (ver Rerum Novarum, 3), essa má redação arrisca absolver atrocidades como a recente invasão de terrenos e prédios da Oi no subúrbio do Rio. Continuar lendo

Papa Francisco fala ao CELAM

LogoCELAMAo final da JMJ, Papa Francisco teve um encontro com os dirigentes do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano) – uma espécie de “CNBB das CNBBs” da América Latina e Caribe. Há quem poderá ver, nessa expressão que eu penso ter acabado de criar, uma verdade sublime… espero que não.

O tema do discurso do Santo Padre foi a aplicação prática das diretrizes emanadas da V conferência, realizada em Aparecida/SP no ano de 2007, da qual ele participou como arcebispo de Buenos Aires. A íntegra do pronunciamento foi publicada no blog do Carmadélio, da Comunidade Shalom, aqui. O artigo do Carmadélio, inclusive, está recheado de grifos assaz oportunos.

Falando francamente sobre a atividade missionária da Igreja, Francisco destacou muito bem uma verdade comumente negada pelos católicos progressistas, que parecem considerar a própria fé católica como uma mera feliz coincidência: “Uma posição como esta (do discípulo de Cristo, que não pode ficar isolado na própria “espiritualidade intimista”), que começa pelo discipulado missionário e implica entender a identidade do cristão como pertença eclesial, pede que explicitemos quais são os desafios vigentes da missionariedade discipular.“. Já ouviram a frase “fora da Igreja não há salvação”, né? Pois é…

Referindo-se a esses desafios, o papa destaca dois: renovação interna da Igreja e diálogo com o mundo atual. Antes que a mídia progressista-modernista consiga difamar o pronunciamento, alardeando que “o Papa falou sobre profundas mudanças na Igreja”, é importante destacar que a respeito da “renovação”, o discurso tratou apenas de uma refrescante melhoria do procedimento pastoral. Admitam, jornalistas: os 6 itens elencados no tópico possuem um caratér por demais “técnico” para seu conhecimento parco e limitado do organismo Igreja Católica. Procurem ficar quietos!

Dirigindo-se diretamente aos bispos da Igreja na América Latina, Francisco lançou interrogativas deveras pertinentes: Continuar lendo

Religião e política discutem entre si

Caros, embora meu domicílio eleitoral não seja a cidade de São Paulo, tenho acompanhado e comentado no twitter a repercussão do imbróglio entre um senhor chamado Marcos Pereira, identificado como “bispo” da seita protestante “Igreja Universal do Reino de Deus” – doravante referida como IURD – e a arquidiocese de São Paulo, na figura de Sua Ex. Rev. cardeal Dom Odilo Scherer.

Múltiplas correntes de pensamento levantam diferentes pontos de vista acerca do tema, e eu não me furtarei de lançar o meu olhar também. Afinal, política e religião se discutem, sim! O estranho é ficar indiferente a tudo isso.

Para ambientar quem não tomou conhecimento do fato (e ainda não clicou no link acima): o Marcos Pereira publicou em 2011 um artigo no qual ele culpa a Santa Sé (!) de se intrometer em todas as esferas possíveis do sistema de ensino brasileiro e que, por causa dessa influência, a Igreja Católica seria culpada da entrega do famigerado kit-gay nas escolas daqui. O artigo ainda consta no blog dele e foi replicado no blog do Edir Macedo (bata 3x na madeira mais próxima você também!). Por um acaso qualquer – para mim foi Providência Divina – a arquidiocese de São Paulo resolveu dar uma resposta a esses absurdos agora, às portas do pleito municipal.

Em primeiro lugar: o Marcos Pereira insiste que o artigo é velho e que não teve conotação política. Está sendo cínico, nada menos que isso. Notei, logo no início do seu artigo, Continuar lendo