Meu campus, minhas regras

Ainda sobre a “Semana do Dia Internacional da Mulher” organizada por/para feministas na PUC-Rio.

Tomei conhecimento que um professor de direito (não da PUC, pelo que vi) manifestou-se contra a petição, tecendo muitos comentários no facebook. Em meio a argumentos de matiz esquerdista (como “lógica do privado” e “apropriações capitalistas”) e alusões ao trabalho de implantação das UPPs, comparando o “Política e DSI” à polícia e os alunos filofeministas aos bandidos – pois é… – alguns pontos são interessantes de se analisar e esclarecer:

O tempo todo o professor refere-se a uma fantasiosa tentativa de “dominação espacial”. Isto não é verdade, em absoluto. Primeiro porque, como dito no artigo anterior, eu sou o responsável pela petição e não sou aluno da universidade, não possuo qualquer vínculo. Em segundo lugar, contrariando a hipótese hiperbólica proposta de que “levado às últimas consequências o raciocínio que expuseram, por ser a PUC uma “instituição católica”, ela estaria de portas fechadas aos alunos judeus, mulçumanos, ateus, presbiterianos etc” nada há no texto da petição que hostilize outros credos religiosos (ou a ausência de algum) ou demande a expulsão de alunos (de qualquer tipo). A prerrogativa do pedido de cancelamento do evento é a da inconveniência da sua realização nas dependências da PUC, por carregar em seu programa ideias e seus propagandistas que não só discordam da fé e moral católica como desejam combatê-la, derrotá-la nos corações e mentes dos alunos.

Como eu disse ao rapaz que me procurou ontem, a preocupação com o evento não é uma mera implicância. Duas das “atrações” divulgadas no cartaz original da programação defendem legalização do aborto e estimulam a masturbação e a prática homossexual. Ora, estes assuntos não são meros “tabus” para os católicos e a sociedade em geral. São respectivamente um crime e um pecado; logo, não devem ter espaço numa universidade fundada sobre bases católicas. Discutir alternativas ao aborto, por exemplo, tudo bem. Promover a sua aceitação, jamais. Se os organizadores

#MeuCampusMinhasRegras

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centro nacional de cultura católica“, “caráter confessional“, “compromisso com os valores cristãos“. Termos que encabeçam o estatuto da PUC-Rio, solenemente ignorados por alunos e professores laicistas, que a meu ver abalizam a sugestão de cancelamento do evento.

É patentemente sintomática a insistência tanto do professor como dos alunos apoiadores do evento em esvaziar o seu imaginário de uma Pontifícia Universidade Católica do seu caráter católico.

O restante das considerações do professor Continuar lendo

Penetras bons de grito

Faz uns dias, soube da preparação de um evento feminista a ser realizado dentro dos muros da PUC-Rio. Na qualidade de católico que, apesar de não estudar na PUC, compreende que instituição católica não é lugar de promoção de aborto, homossexualismo e masturbação (notáveis bandeiras do movimento feminista), organizei e fiz publicar, em nome do meu grupo de discussão política do facebook “Política e DSI”, uma petição online hospedada na plataforma CitizenGO destinada a chamar a atenção do reitor da Pontifícia Universidade Católica e autoridades eclesiáticas para o descalabro engendrado por seus alunos.

Disseminei a petição para que fosse apreciada pelos amigos católicos e de maneira que atingisse especialmente alunos – mormente as mulheres. Ato contínuo, a organização do evento tomou conhecimento da petição.

cartaz-originalSoube que o cartaz original do evento, este ao lado, foi “vetado pela PUC” (quem, exatamente, comandou, não sei). Aparentemente mentes mais abertas à realidade religiosa do campus também ficaram sabendo da história. Que bom.

O jornal O Globo foi acionado e fazendo contato com o DCE (diretório estudantil) da PUC-Rio, publicou uma matéria mal escrita, cuja manchete foi “Grupo de alunos da PUC-Rio cria petição contra evento que celebra o Dia Internacional da Mulher”. Está bastante errada, pois:
1) O responsável pela petição sou eu;
2) O evento não “celebra a data” (embora a data, por si só, seja ideal do feminismo mesmo), visto que as ações e atividades do movimento feminista NÃO REPRESENTA o pensamento, o sentimento ou os interesses da maioria das mulheres.

Fui procurado por um rapaz que também ficou sabendo da repercussão interna da PUC . Ele era favorável à realização do evento, foi bastante polido e na conversa pude argumentar e justificar o porquê de ser contra a sua realização, quais pontos conflitam com a doutrina católica. De acordo com o que falamos, pelo que entendi, até foi aventada a possibilidade de abertura para a opinião divergente durante a programação. Pode ser uma atitude louvável, como lhe disse. Porém, ainda pesam sobre o evento os agravantes que ferem o caráter católico da universidade.

Em tempo: recebi solicitação Continuar lendo

Da imperfeição da lei dos homens

Existe uma lei inscrita na natureza, testemunhada pela própria, cognoscível pela observância da sua essência. A esta, chamamos lei natural. Perfeita, enquanto ordenamento elaborado pelo Criador com objetivo de sustentar e efetivamente dar vida à Sua obra. Seus preceitos conduzem, basicamente, à perpetuação da ordem das coisas; obedecê-la, defendê-la e pautar-se por ela é o segredo do sucesso da humanidade.

Mas há uma outra lei, vulgarmente chamada “lei dos homens”, que corresponde à coletânea de acertos e acordos elaborados pelas sociedades – normalmente independentes e variáveis de nação para nação – visando também o estabelecimento e a manutenção de uma ordem. Porém nem sempre, não em todos os casos, esta lei testemunha, promove ou honra a legitimidade das coisas. Algumas vezes – e temos visto isso deveras – criam-se mesmo dispositivos legais que afrontam a lei natural, com prejuízos inclusive para a dignidade humana (como no caso das legislações que favorecem o aborto, por exemplo). A imperfeição das ideias legislativas humanas é tal que, na intenção de dispensar indivíduos de sua obrigação moral (oriunda do direito natural), o reto cumprimento da lei vigente prejudica inocentes. É o caso que irei comentar a seguir:

A tutela dos filhos é responsabilidade dos pais. Para já combater as vicissitudes da novilíngua contemporânea que “metonimifica” pais em qualquer adulto responsável por um menor de idade, talvez eu devesse aqui preferir utilizar genitores no lugar. Assim como o vínculo entre pais e filhos é naturalmente perene (alguém pode até deserdar um seu descendente, mas é ato meramente de papel), é razoável esperar que ambos os genitores preservem também aquele vínculo afetivo que os uniu até às vias da procriação. Em outras palavras: se houve amor a ponto de o casal decidir por ter filhos juntos, não há sentido em desfazer esta união.

Esta é, claro, a minha lógica, de alguém que preza o casamento, a beleza do amor conjugal indissolúvel. Mas certamente concebo que muitos casos não se desenvolvem e tampouco progridem da maneira correta. Ocorre que, considerando com exagerada complacência esta realidade, as leis humanas foram afrouxando-se ao longo dos séculos, até o ponto de temeridades como o divórcio e a as disputas da guarda dos filhos tornarem-se dispositivos legais – absolutamente “não legais”, desagradáveis… – e passarem a ser desejados, a serem elevados à categoria de direitos adquiridos.

Graves são, pois, as palavras do memorável papa Pio XI, a respeito do casal e dos filhos:

É certo que tanto pela lei da natureza quanto de Deus o direito e dever de educar a prole pertence, em primeiro lugar, àqueles que começaram o trabalho da natureza de dá-los à luz, e eles estão de fato proibidos de deixar não terminada essa tarefa, expondo-a à ruína certa. Mas no matrimônio se encontra provisionado o melhor caminho possível para esta educação das crianças que é tão necessária, pois, uma vez que os pais estão unidos por um laço indissolúvel, o cuidado e auxílio mútuo está sempre ao alcance das mãos. (Encíclica Casti Connubii, 16)

que se aplica não só à sua educação, mas ao cuidado geral deles.

Numa cidade do estado da Bahia, um sujeito chamado Jailson dos Santos tem dois filhos mas, Continuar lendo

Pátria educadora

Meus pais sempre tiveram empregos humildes, motorista e professora. Fizeram o necessário para manter dois filhos matriculados em escolas particulares por todo o ensino fundamental, realizando malabarismos como sói todo casal de classe pobre (ou média-baixa, para quem achar mais nobre). É certeza absoluta que não fomos rara exceção, pelo menos à nossa época.

Entretanto, os servidores públicos efetivos e os que exercem cargos comissionados e função gratificada[1] da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebem há anos um benefício chamado de “auxílio educação” (um adicional) para poderem ter sua prole estudando na rede particular – extensível até três filhos (e até os 24 anos)! Talvez seja interessante conhecer os valores das remunerações por lá:

quadro-remuneratorio-alerj-2014

Numa tentativa interessante e louvável de redução das despesas (uma economia na ordem dos R$ 15 milhões/ano) da “casa do povo carioca”, o novo presidente propôs mudar o benefício para o valor de apenas um salário mínimo por servidor. Uma proposta salutar, eu diria, tendo em vista uma recente notícia de que diretores de colégios da rede estadual precisaram comprar fiado a merenda dias atrás. O imbróglio se deu porque o governo estadual culpou o federal de atraso no repasse das verbas. É o velho problema da exacerbada centralização de dinheiro na União, da fraca independência dos estados em relação a ela. Quanto mais livre puder ser o orçamento regional, melhor a gestão dos serviços locais.

Aliás, na falta de dinheiro para a merenda nas escolas do governo estadual, Continuar lendo

Natal e política

presepio-icone(Publicado originalmente no blog Vagápolis em 21/12/2014)

Sob alguns aspectos podemos considerar que vivemos um período natalino também na política brasileira. A palavra natal refere-se a nascimento, basicamente. O termo é amplamente difundido devido à celebração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo – aliás, cumpre relembrar à sociedade que este é o verdadeiro motivo para se comemorar a data: a chegada do Filho de Deus que se encarnou para nos trazer a salvação para nossas almas. Compras e demais gastos materiais, celebrações, folgas, momentos de afetividade entre amigos e parentes, tudo isso é secundário.

Mas, bem, dois detalhes do natal me remetem ao cenário político atual: a figura do bebê e a realização profética.
Um bebê traz alegria. Um bebê também inspira muitos cuidados, na alimentação, no asseio, na proteção, na educação… Um bebê, por natureza, chora, faz barulho para ser notado e conseguir o que deseja. Um bebê é a melhor aposta de futuro que alguém pode, literalmente, conceber.

Para alguns, a reeleição da presidente Dilma foi um parto. Entretanto, quem nasceu no procedimento, foi uma oposição renovada, não só no Congresso, como no meio do povo. Fala-se muito mais sobre política hoje, nos círculos sociais (virtuais ou não) que por ocasião do pleito passado. As pessoas estão aprendendo não só a opinar como a resgatar, pelo menos, o passado recente da política. Como aquele bebezinho, esse sentimento de insatisfação precisa ser alimentado, com informações verdadeiras, honestamente prestadas (a propósito, a mídia não é a mãe desta criança, não esperem o leitinho dela…). Também precisa ser cercado de cuidados, para que não caia nas armadilhas do caminho, posto que o mundo oferece muitos perigos, e ele pode ser ingenuamente manipulado para fins espúrios. Como toda criança, este movimento de oposição que ora berra nas ruas, clamando por justiça, retidão e probidade, renovação política, precisa ser muito bem educado, cuidadosamente instruído, para que possa desenvolver todo o seu potencial e se torne saudável, prestativo e útil à sociedade no futuro, e que seja motivo de orgulho para seus genitores. Tal qual um infante manhoso, no entanto, não pode ter todas as suas reivindicações acatadas – como sói acontecer com as exigências de meninos e meninas mimados, muitas vezes a demanda é irrefletida e egocêntrica – nem ficar abandonado sem a direção de uma liderança, sob pena de perder-se. Sim, refiro-me aos intervencionistas, mas também aos black blocs.

Da parte da realização profética, Continuar lendo

Entrevista com Leonardo Giorno, integrante do novo DCE da PUC-Rio

Se é verdade que o pior que pode acontecer no ambiente acadêmico é o sufocamento da pluralidade de opiniões – e esse é um alerta insistente que escuto de meus amigos universitários – era de se esperar que em algum momento surgisse uma resistência. Hoje trago a breve entrevista que fiz com um dos integrantes da chapa vencedora da última eleição para o DCE da PUC-Rio. A julgar pela repercussão na rede social facebook que a vitória teve e, conhecendo o ambiente cultural e político recente da instituição, parece-me uma mudança há muito desejada e muito bem vinda.

O Legado d’O Andarilho: Nos fale sobre você: Quantos anos tem, qual o curso você faz na PUC e em qual período está?

leonardoLeonardo Giorno: Meu nome é Leonardo Giorno, tenho 22 anos e vou para o último período de Filosofia na PUC-Rio. Estou à frente da Ouvidoria, que faz parte da Diretoria de Transparência do DCE, eleito agora em novembro de 2014, criada para que haja uma maior clareza e lisura nas ações que tomamos, coisa que sentíamos falta da última gestão, que não prestava contas aos alunos.

OLA: Conte-nos como foi a disputa para o DCE, o que o motivou a entrar na chapa, quais as dificuldades e a receptividade dos alunos.

LG: A gestão passada do DCE estava já no poder há 6 anos. Era uma gestão de viés estritamente de esquerda e que muito pouco fazia pelos quase 13 mil alunos que a instituição possui. Por outro lado, se envolvia demasiadamente com a política partidária.

Nesse sentido, um grupo numeroso de alunos, descontentes com esse cenário, decidiu se unir em prol de eleger um DCE eficiente, que, para isso, precisaria ser acima de tudo apartidário, para dar conta de representar todos os estudantes, que pensam de modo diferente. Assim, criamos a chapa Muda DCE e aos poucos foram se somando mais e mais alunos que iam aderindo a esse movimento de mudança.

Diante da proximidade das eleições deste ano e a polarização nacional PSDB x PT, começaram a nos tachar de direita e nos acusar de querer promover na PUC um terceiro turno das eleições presidenciais, uma vez que a chapa da situação fazia campanha de modo categórico à presidente Dilma. Logicamente, pensaram, se fazemos oposição a um DCE que faz campanha para Dilma, logo somos de direita. Falácia que tentaram, mas não conseguiram empurrar goela abaixo dos alunos. Acontece que nossa chapa foi um movimento que conseguiu a adesão de alunos tanto do campo da esquerda quanto da direita, bem como os de centro (que são a maioria). Conseguimos a proeza de unir liberais, conservadores e socialistas. Tudo isso, em vista de uma causa maior: o bem da comunidade universitária. O resultado foi o esperado, uma disputa acirrada, mas uma vitória que muito significa para o período que estamos vivendo hoje no Brasil. A chapa Muda DCE foi eleita com maioria dos votos, principalmente dos alunos de cursos que historicamente nunca se envolveram em peso com as eleições, como o curso de engenharia. Isso revela que mesmo aquelas pessoas que antes não se preocupavam muito com política, agora estão se dando conta de que precisam participar.

OLA: Na sua opinião, que temas se mostram mais importantes e necessários de serem abordados, atualmente, no ambiente acadêmico? Por vezes, alguns católicos até se sentem constrangidos ou chocados com a recorrência de atividades de promoção de opiniões e costumes contrários à moral cristã nas faculdades…

LG: O que tem acontecido, hoje, no meio acadêmico, é algo completamente avesso ao espírito universitário. As universidades nasceram justamente para poder confrontar as diversas formas de saberes com o intuito de se chegar à Verdade, mas o que tem acontecido é o efeito contrário. No confronto de ideias, não se tem conseguido chegar um lugar comum. Diante desse problema, Continuar lendo

Assistencialismo e Doutrina Social da Igreja

Disse-nos Jesus: “Sempre tereis convosco os pobres…”. Por essa razão a Sua Igreja sempre teve a preocupação com os mais necessitados. A questão da pobreza envolve variados aspectos sociais, econômicos e culturais. A própria formação das nações contribuiu para a situação atual delas e influenciou, sobretudo culturalmente, as suas potencialidades para lidar com o problema.

A mecânica deveria ser simples: a pessoa trabalha e conquista o justo sustento através do seu esforço, com o salário suficiente recebido em troca. Entretanto, uma miríade de fatores proporciona o surgimento de uma condição de indigência que clama por ajuda. Diferentes setores das sociedades modernas propõem e desenvolvem soluções. A esfera governamental não se furta de elaborar e propagandear as suas e cada gestão reclama para si o reconhecimento ter sido melhor que a anterior em aplicar a assistência aos desvalidos. Por esta razão, a análise do assistencialismo é sempre atual, mesmo nos meses e anos distantes das disputas eleitorais. Assim, decidi estudar mais detidamente a nossa realidade e o resultado é o que se apresenta a seguir.

bolsa-familia-familiaAqui no Brasil temos o famigerado Bolsa Família. Este programa de transferência de renda foi criado em 2003, sob o governo do PT, pela Medida Provisória 132 (depois convertida na Lei 10.836/04) com a finalidade de unificar os procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal instituídos sob o governo do PSDB (com exceção do PNAA), especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, Programa Nacional de Renda Mínima vinculada à saúde – “Bolsa Alimentação”, Programa Auxílio-Gás e do Cadastramento Único do Governo Federal.

Curiosidade: inicialmente o valor do auxílio básico do BF era de R$ 50,00.

Embora a Medida previsse a criação de um “Conselho Gestor Interministerial do Programa Bolsa Família” possuindo, entre outras atribuições, a de “apoiar iniciativas para instituição de políticas públicas sociais visando promover a emancipação das famílias beneficiadas”, o que se pode acompanhar ao longo desses últimos 12 anos foi que o número de assistidos vem crescendo.

Pensando através de uma lógica simplista, se a proposta para minimizar a pobreza de uma determinada parcela da população é redistribuir a renda arrecadada a partir da geração de riquezas de outras parcelas, o que fica óbvio é que alguns ganham sem trabalhar (ou talvez desempenhando ofícios incapazes de lhes prover o sustento necessário).

Na Exposição de Motivos que acompanhou a proposição do Bolsa Família, o ministro da Casa Civil da época, alegava que o programa “pretende, também, contribuir para a emancipação dessas famílias, criando oportunidades de inclusão social, isto é, fornecendo meios para que possam sair da situação em que se encontram(…)é meio de acesso a melhoria das condições de vida”. Mas será que o programa de fato atingiu este nobre objetivo? Em 2013, o número de famílias beneficiadas era de 11.022.427. Em 2014, 11.591.870. E, apesar de o documento falar em condicionalidades, contrapartidas que Continuar lendo

Gladiadores de Belathron – Jogo de tabuleiro arrecadando apoio

Saudações..
Poderia dar muitas explicações para esta intervenção fora dos padrões, mas deixo a mais curta: estou movimentando o blog.

O estúdio brasileiro de desenvolvimento de jogos Behold Studios está com uma campanha de arrecadação virtual (vaquinha/crowdfunding) para o seu novo empreendimento: Gladiadores de Belathron.

Descrição copiada do site da campanha:

“Gladiadores de Belathron”: um jogo de tabuleiro, todo em português, voltado especialmente para o Brasil baseado nos jogos MOBA (Multiplayer Online Battle Arena).

Aqui, as batalhas mais emocionantes são travadas em uma arena intergalática projetada para competições, confrontos e para colocar um fim a velhas rivalidades. Você irá disputar as melhores batalhas já realizadas nesta arena, testando todas as suas habilidades táticas e seu jogo em equipe. Uma aventura sempre emocionante cada vez que você joga.

O público brasileiro merece jogos de tabuleiro de qualidade. Com Gladiadores de Belathron, estamos dando nossa total atenção ao jogador nacional, unindo a nossa experiência em criar jogos dinâmicos e estratégicos com uma produção de alto nível, realizando parcerias com empresas internacionais renomadas na produção de jogos de tabuleiro.

detalhe_gbelathronEu conheci o trabalho do estúdio através do seu jogo para plataforma android “Knights of pen and paper“, que é uma interessantíssima abordagem para jogos de RPG, onde o jogador (você) faz as vezes tanto dos “players”, os jogadores virtuais, como do mestre da partida de RPG. E um dos detalhes mais legais para nós: está disponível inteiramente em português brasileiro.

Essa nova investida do estúdio é muito feliz também, porque Continuar lendo

Legalizar a maconha JÁ(mais)

maconha-naoMaconha, a erva, de pronto, me evoca duas expressões populares:

1) A grama do vizinho é sempre mais verde

Defensores da legalização do consumo e venda baseiam-se em exemplos e experiências de outros países, embora não raras vezes eles fecham os olhos para o fato de que o ícone legalize queridinho dos maconheiros, a Holanda, hoje se arrepende de seu progressismo. Fato igualmente não desprezível é a diferença cultural entre nós e eles. Você pode achar que a grama do vizinho é mais bonita, mas é porque provavelmente ele dispõe de mais recursos para tratá-la. Talvez você sequer devesse tentar ter um gramado por enquanto…

2) Se mudar a cor da grama, o burro morre de fome

Percebo que há advogados da cannabis avançando na argumentação, defendendo supostos benefícios terapêuticos. Além de ser um viés controverso (dada, por exemplo, a existência de drogas psiquiátricas já longamente desenvolvidas), evidentemente não é a alegação principal que sustenta o movimento pela legalização. A juventude que ora se encanta com os “arautos do tapinha” quer mesmo é desafiar o sistema e salvaguardar seu prazer mas, claro, comprarão qualquer bagulho barulho que lhes ajude a confrontar os conservadores. Grande parte dos ideais da juventude – talvez em todas as gerações – são formados por bandeiras bovinamente defendidas, sem perspectiva, muitas vezes sem respaldo familiar, ou seja, sem a aprovação dos pais e portanto desligados da própria educação e tradição que receberam.

De dentro dessa nuvem escura, têm dificuldade de enxergar as implicações de uma tal medida irresponsável. Analiso alguns argumentos da discussão:

I) A ilegalidade da venda propicia a corrupção, pelo contrabando

Não é porque existe corrupção que deixa abertas as fronteiras para o tráfico que legalizar vai acabar esse foco de corrupção. Ter fronteiras vazadas, para contrabando de drogas, armas e quaisquer outros produtos é um problema em si, que deve ser combatido independentemente de que objetos passem ilegalmente.

II) Legalizar a venda geraria recursos para serem investidos em saúde, educação, etc

“Legalizar e usar impostos em educação” não é factível. Primeiro porque aumentando o uso, aumenta o abuso e com isso a demanda por tratamentos (sejam contra a dependência sejam colaterais, de outros aspectos da saúde) logo, esses impostos teriam de ir pra saúde – e não educação -, mas em caráter de socorro e não de investimento. Segundo que o Brasil precisa de uso racional e honesto da arrecadação que já faz, não estamos carentes de mais impostos, ou seja, de mais dinheiro público captado.

III) Com a venda e o consumo liberados, a compra nas favelas vai ser reduzida e com isso a guerra do tráfico também

Quanto à “guerra das drogas”, “aviõezinhos do tráfico” e demais efeitos sociais do tráfico, digo que o problema não acabaria com um esgotamento da demanda pela droga comprada dos traficantes.

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Contra fatos só há xingamentos

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Vou seguir o exemplo do Aécio desta noite e ser honesto: confesso que não acreditava que ele chegaria aqui, ao segundo turno.  Mas estou satisfeito em ver que ele merecia mesmo o espaço para confrontar a Dilma. Apesar das dificuldades impostas pela adversária, com as mentiras, subterfúgios e imitações, ambos os debates da segunda etapa (televisionados pelos canais Band e SBT) apresentaram bom conteúdo de apontamentos de falhas dos últimos governos, bem como alguns esclarecimentos, ampliando a visão de quem assistiu. E uma bela dose de entretenimento.

Aécio atendeu os anseios de uma parcela da população que esperava ver e ouvir, em rede nacional, alguém comentar sobre absurdos cometidos no governo do PT, como a safadeza com a Petrobras e o financiamento de um porto em Cuba. Há aqueles que esperam mais, claro, torcendo para serem evocadas as sérias ameaças do Foro de SP e do Decreto 8243, mas até aqui o saldo vai sendo positivo.

Agora falta muito pouco para ver qual será o resultado dessas eleições 2014.
O recado que deve ficar é:

Petistas, aceitem a derrota, caso ela sobrevenha para vocês. Não façam disso motivo de guerrilha. Porque todos os outros, os tucanos, os aecistas, nós conservadores, os liberais, continuaremos lutando de forma justa se a derrota for nossa – como, aliás, já viemos fazendo durante todos esses anos em que vocês deitaram e rolaram.

Parece que “agora é Aécio”.

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