Ao Brasil SEM carinho

Você trabalha e paga imposto de renda.
Daí decide viajar…
Paga imposto no combustível, duvido que não pague repassado nos pedágios também. Optando por ir de ônibus ou avião, perde um pouco pra impostos diluídos, certamente.
Já em seu feliz destino, as compras (seja crédito ou débito, pode ter também aquele “extra” que pede pra algum parente emprestar durante o passeio…) implicam em IOF, e taxas mais dos cartões nacionais (inclusive por ser uma compra “no exterior”).
Se, com sorte e mérito absolutamente próprio, você conseguir adquirir produtos num valor total maior que o limite que o seu governo federal impõe, fica obrigado a pagar imposto (de 50% do preço!!!) sobre o valor excedente, sob pena de confisco!

E para trânsito fronteiriço, esse teto fica agora ainda mais baixo. E olha que a regra vale até mesmo para quem gastar em país integrante do Mercosul, como a Argentina e o Uruguai…

A medida consta na portaria 307 do Min. da Fazenda, baixada em 17/07/14, que além de definir o regime para os free shops, dá nova redação ao inciso III do artigo 7º da portaria 440 do MF  de 30/07/2010.
Eu já fui surpreendido por tributação não de 50, mas de quase 100% do valor de um objeto adquirido pela Internet em site estrangeiro. E pior: só dá para ter ciência desse custo no momento da retirada da mercadoria na agência dos correios e o pagamento tem que ser em espécie.

Conclusão: o governo brasileiro, socialista, gosta muito do nosso dinheiro.

Atualização: Se tem outra coisa que socialista gosta tanto quanto dinheiro é poder. E, sendo ano eleitoral, o governo decidiu voltar atrás e adiar a medida até o ano que vem.

Socialismo é isso. É a igualdade, é a redistribuição de renda. Quando não conseguem nos expropriar, nos fazem pagar praticamente 2x pelas coisas que conquistamos, pra nós e para eles.

Estudando um pouco sobre o Plano Real, nesse seu aniversário de 20 anos, aprendi que quando da sua implementação, uma das estratégias aplicadas foi um preliminar estocamento de dólares, para garantir um elevado valor da nova moeda, alicerçado pelas reservas de moeda internacional (o que dá segurança aos investidores estrangeiros). Passada essa década, ladeira abaixo, nós não só temos um poder de compra bastante reduzido lá fora, como aqui dentro, visto que há artigos no mercado nacional cujos preços variam pela taxa do dólar (como produtos de informática).

Variação da taxa do dólar - de 1994 a 2012

Variação da taxa do dólar – de 1994 a 2012 (Fonte: Inst. Mises Brasil – http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294)

Enfim, quando estiver assinando um cheque, uma notinha ou passando a senha numa maquininha, você pode ficar certo de que está assinando a devolução de alguns reais ao Brasil SEM carinho


Veja também:

Cota de isenção para compras de turistas no exterior cai de 300 para 150 dólares

Governo volta atrás e mantém cota de de importação em US$300

Queria ter sido assim quando pequeno

biblioteca

“Quero ser assim quando crescer!”
Quem nunca disse ou ouviu isso? De fato com frequência eu brinco, ainda hoje, de falar assim. Afinal, sempre temos como crescer, amadurecer.

Mas o motivo desta postagem é olhar para trás: não raro agora, sou tocado por um sentimento que suspira “Queria ter sido assim quando pequeno!”.
Na busca por conhecimento, me esforço para ler muito, mantendo – e, se possível, ultrapassando – uma meta de um livro por mês. Há muito identifiquei um atraso grande na minha formação intelectual. Fique registrado, no entanto, que isso não é culpa dos meus pais! Minha mãe leu para mim quando criança e sempre achou lindo que eu pegasse em livros (mesmo raramente); meu pai cobrou notas boas de mim e do meu irmão a vida toda. Infelizmente crianças desvirtuam-se por conta própria, tantas vezes ludibriando os genitores.

Dias atrás, a caminho do escritório, captei o diálogo de mãe e filho que enfrentava no vagão do trem. Por algum motivo que desconheço, ela comentou que nos idos de 1997, ano de nascimento do garoto, discutiu-se na política um projeto de transporte ferroviário subaquático, cruzando a baía da Guanabara. O rapaz, então, comentou que estava lendo um livro onde as personagens principais estavam defendendo obstinadamente o emprego de um metal que diminuiria enormemente os custos de produção de trilhos, além de ser muito mais resistente que o aço. Eu sorri e pensei: A Revolta de Atlas. Vim a conhecer essa excelente obra somente há menos de dois anos! Ele, nos seus 17, já desfruta dessa leitura e quem sabe que outros magníficos e instrutivos textos mais já pode ter aproveitado?

Num consultório outro dia, ouvi a queixa de uma mãe que recordava as exigências de livros paradidáticos das escolas à época do seu passado acadêmico (nem tão distantes assim, posto que faz parte do meu também) e, aparentemente, vai sendo reduzida.
Minha esposa, que é pós-graduada em literatura, trabalhava os clássicos gregos num colégio muito específico, com adolescentes do 1° ano do ensino médio. Livros que só agora, burro velho, tenho interesse em procurar.

Quão mais eficiente eu poderia ser na defesa dos meus valores e ideais tivesse seguido um caminho cultural mais dedicado? Só encontrarei a resposta no futuro. Certo estou de que atingirei o ponto e o reconhecerei.

Marcelo Moura, o belicoso

Registro de um opositor do desarmamento atirando pela culatra.

A campanha das eleições 2014 está a todo vapor. Quem acompanha minha página no facebook e pelo twitter viu já alguns repasses de artigos com sabatinas, entrevistas e declarações dos candidatos à presidência. Resolvi participar ativamente da página oficial do PSC para debater as propostas e combater os absurdos.

Recentemente identifiquei uma atividade a lá MAV na página. Algumas pessoas estão chegando para apontar acusações a que o Everaldo Pereira estaria respondendo por violência doméstica, um gayzista tentou tumultuar um tópico sobre adoção, essas coisas. Como as histórias de absurdos são mais divertidas, vou compartilhar uma dessas. Mas não é de um celerado dessa estirpe que quero falar.

O protagonista da historinha não é esquerdista, embora aja como se infectado pela doutrinação marxista. Seu nome é Marcelo Moura, um defensor do direito ao porte de armas:

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Dias atrás, numa postagem do PSC que trazia um vídeo falando de sua origem e princípios cristãos, Marcelo Moura aproveitou para queixar-se do apoio do partido ao desarmamento. Quando vi, entrei na conversa:

40Observação: Depois de anos com crescente taxa de homicídios, foi formada uma comissão na câmara federal para avaliar os efeitos (negativos, evidentemente) do estatuto do desarmamento. Há um deputado do PSC compondo o colegiado, André Moura (SE).

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Até o momento da edição deste artigo, não ficou clara qual será a escolha de candidato que Marcelo fará. Sei que o voto é secreto, mas para um cidadão que não vê problema em sustentar sua adesão e incentivo ao armamentismo (não acho errado), em tempos de leis e pressão politicamente estúpida, não vejo mal em revelar a escolha. Como pode ser visto mais à frente, dei várias oportunidades para que ele contribuísse com essa informação.

Infelizmente Marcelo, por aparentemente respirar mais pólvora que oxigênio, faz da sua defesa apaixonada um campo de batalha. Torna-se belicoso e visceral, pronto para revidar qualquer controvérsia “na bala”:

41Em meio ao tiroteio que é uma conversa de facebook, com essa estrutura de fórum ainda desorganizada e desorganizante, Marcelo e eu prosseguimos no debate:

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Conversas pelas redes socias sofrem ruídos diversos. Além de não ser possível transmitir entonação e intenção perfeitamente apenas com o texto escrito (mesmo com um amplo uso de emoticons), o tom da discussão é temperado pelo humor dos participantes. Levando tudo isso em conta e percebendo que Marcelo e eu temos amigos em comum no facebook (dois bons e mansos homens!) tentei levar a contenda para o chat privado, a fim de melhor desenvolver o assunto e minorar os desentendimentos. A oferta de tratado de não-agressão deu-se nesses termos:

Boa tarde.
Temos 2 amigos em comum. Podemos nos tratar como os tratamos. Jamais quis despertar animosidade.
Você já possui candidato à presidência e por isso está confrontando o do PSC? Ou está procurando algum digno de te representar?
Eu sou filiado ao PSC e por isso me dedico a interagir com quem participa da página, mas isso é iniciativa própria. Não estou atendendo a pedidos dos diretórios nem de outros filiados.
Paz e Bem

Se ele chegou a ver a mensagem, retribuiu com o silêncio de um caçador.

Alguns dias depois, nova postagem da página de facebook do PSC, com novo confronto. Mais uma vez Continuar lendo

Política e participação

Ontem à noite assisti ao final da sessão do plenário da câmara dos deputados federal onde pretendia-se votar a derrubada do decreto 8243 da presidente, que quer instituir a, assim denominada, Política Nacional de Participação Social (PNPS).

Pois sim! O que mais me chamou a atenção, depois do desfile de firulas filosóficas dos deputados, tão versados em futebol – aliás, como se fossem eleitos e pagos para opinar sobre assunto tão vulgar*! – foi que, encerrada prematuramente a sessão (a fim de que a votação não acontecesse), no intervalo de 3 segundo em que tirei os olhos da TV para uma garfada do jantar, o salão literalmente foi esvaziado!

É um assombro que “a casa do povo”, a casa das leis, onde boa parte do futuro da nação é oficializado, seja deixado para trás com rapidez maior que os estádios de futebol ao final dos jogos. É sinal da decadência do país.

Essa celeridade na retirada dos debatedores me remete ao decreto em si. Quer-se dar voz aos movimentos sociais, em nome de uma suposta carência de representatividade do povo nas pessoas dos parlamentares. Mas, veja:
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Vai por mim…

(Ou: Aposta tudo na zebra, digo, no número 20!)

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Desde que no Brasil se abriu espaço para a participação popular na escolha dos representantes políticos, a sugestão explícita é a forma de orientação mais usada. Voto por afinidade, voto de cabresto, voto comprado (ou trocado, se preferir), mensalão… a polêmica com o fim das votações secretas nas câmaras, essencialmente, era uma preocupação com o enfraquecimento das influências. Sendo assim, resolvi me aventurar na tática do “vai na minha…”.

Um ponto pacífico entre os conservadores é que o povão tem seu voto determinado por via de manipulação, seja de líderes sociais, religiosos ou mesmo pelas pesquisas de opinião encomendadas. Então o que é que nós estamos esperando para reclamar o nosso quinhão nessa disputa?!

Andei sondando, nos últimos meses, as expectativas dos meus contatos virtuais quanto às eleições 2014 e duas coisas se destacam:

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Pensando o Brasil com a cabeça da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ou, para os íntimos,  CNBdoB), lançou uma cartilha de orientação para as eleições 2014. O download do pdf de 7 páginas que apresenta 29 pontos está disponível aqui.

cartilha-CNBB-eleicoes2014O valor primário de um tal documento é conquistar a atenção daquelas pessoas que se encontram tão desiludidas com a política nacional que decidiram se omitir, seja faltando à votação, seja desperdiçando o voto das várias maneiras possíveis (votando em branco, nulo, no “menos pior”…)

O texto se inicia bem, exortando a participação corajosa do cristão na política, inclusive citando o Papa Francisco em sua Evangelii Gaudium: “Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela“. Essa é a mensagem contida nos itens 1 e 2 do documento.

A partir do item 3, até o número 5, a CNBB fala de maneira mais objetiva sobre o panorama das eleições e resultados esperados destas. Minha primeira crítica brota dessas linhas, porque a Conferência absolve, desculpa os arruaceiros de junho/13 como pobres insatisfeitos que se expressaram mal (talvez).

Quando eu me interesso por um texto, quando vejo nele potencial e utilidade, acabo sendo detalhista. A meu ver, este trecho ficou perigosamente mal escrito/posicionado: “Destaca-se no ‘discurso das ruas’, também, a insatisfação com a maneira como políticos eleitos vêm exercendo o poder(…), onde se barganha bens da coletividade como se fossem particulares“. Contrariando o ensinamento do Magistério sobre a propriedade privada (ver Rerum Novarum, 3), essa má redação arrisca absolver atrocidades como a recente invasão de terrenos e prédios da Oi no subúrbio do Rio. Continuar lendo

Galileu Galilei: viu a Terra girando e o sol nascer quadrado. Ou será que não?

Para o católico nunca deve ser demais defender a Igreja das injustiças históricas cometidas contra ela. Por isso, sem qualquer motivo especial, só porque estou concluindo a brilhante quadrilogia de livros “Guia politicamente incorreto”, reproduzo a seguir trechos do capítulo de um deles, que traz interessantes informações – devidamente documentadas – sobre esse que é um dos chavões mais clássicos do arsenal de acusações maliciosas que o secularismo deita sobre a Santa Madre Igreja: o caso do julgamento de Galileu Galilei.

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O texto abaixo é um recorte do interessantíssimo capítulo “Galileu Galilei” do excelente livro Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, de Leandro Narloch (@lnarloch). Recomendo efusivamente que comprem o livro, não só para terem acesso ao texto de Galileu na íntegra, mas porque há mais uma penca de outras boas narrações e informações “lado B” das grande figuras da História. A obra tem ainda irmãos, dois de autoria dele (embora um seja de co-autoria): Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e Guia Politicamente Incorreto da América Latina (leram isso, pjoteiros?). Além deles, há também o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, de autoria de Luiz Felipe Pondé, que segue a mesma linha.

Então, para que já fique claro: eu recebi autorização do autor para publicar esse retalho do capítulo; não é uma tentativa maliciosa de costurar trechos desconexos afim de validar o “meu lado” da história, insisto que leiam o capítulo na íntegra (pela quantidade de reticências entre parêntesis, dá pra ter uma noção de quanta coisa teve que ficar de fora desse recorte). Um diferencial dessa série de livros é justamente ser rica em referências bibliográficas. Praticamente todas as citações estão documentadas.

***

Galileu, um bom católico

A história que geralmente se conta sobre Galileu é esta:
Galileu Galilei, matemático nascido em Pisa no ano 1564, foi um dos primeiros astrônomos a fazer observações com o telescópio. Suas descobertas o levaram a defender a teoria do polonês Nicolau Copérnico[1], para quem a Terra girava em torno de si própria e do Sol, este, sim, o centro do Universo. Galileu defendeu tão ardorosamente o heliocentrismo que atraiu a fúria da Igreja Católica, então irredutível em relação à idéia de que a Terra era imóvel, como pareciam atestar os textos bíblicos. Aos 69 anos, Galileu foi considerado suspeito de heresia pela Inquisição, julgado e condenado a negar suas opiniões, sob ameaça de torturas e morte na fogueira. Ficou preso até morrer, em 1642.
Há um bocado de verdade nessa história. Mas, como acontece em muitos casos, há apenas uma parte da verdade.
(…)
Antes de Galileu, Copérnico entusiasmava cardeais e o papa

Em 1512, Copérnico foi convidado pelo Vaticano, junto a outros filósofos naturais de reputação, a opinar sobre a reforma do calendário juliano. (…) Após o convite ele publicou um pequeno livro, o Commentariolus,”pequeno comentário”. Era o esboço da ideia de que a Terra girava sem parar em torno de si própria e do Sol.
O livrinho tratava somente de uma hipótese, sem comprovações matemáticas; (…) Em 1533, um secretário particular do papa Clemente VII, o austríaco Johann Albrecht von Widmansadt, explicou as ideias de Copérnico ao pontífice e a alguns cardeais. A conversa parece ter agradado a todos, pois, em retribuição à palestra sobre o heliocentrismo, o papa presenteou o secretário com um manuscrito grego do ano 200.
(…)

Filósofos, cientistas e matemáticos também desprezaram Galileu

(…) Em 1610, Galileu fez a sua principal descoberta: Continuar lendo

O bullying estatal contra o brasileiro

Sentindo-se impotente contra os inimigos mais fortes e com uma imensa carência por atenção, nossos parlamentares vão, neste ano eleitoral, praticando um autêntico bullying contra nós, mirradinhos e fraquinhos cidadãos brasileiros.

Depois da aprovação da “Lei da Palmada”, chega agora a irritante notícia de mais um “refinamento” da força ordinária de segurança pública, a PM. E isso na mesma semana que se divulga que o PV, de forma retardada, quer refazer o plebiscito do desarmamento – que, apesar de ter dado a vitória aos armamentistas, foi solenemente ignorado. Afinal, o valentão não quer que os pirralhos andem armados por aí pra se defender.

placa-cuidado-caoUma reportagem do jornal Gazeta do Povo informa que o projeto de lei “proíbe o uso de arma de fogo contra pessoas desarmadas que estiverem em fuga ou contra veículos que desrespeitem bloqueios policiais em vias públicas, exceto se em algum caso houver risco imediato ao policial de morte ou lesão.”

É monstruoso! Os legisladores pretendem PROTEGER PRIMEIRO a vida de uma pessoa que apresenta comportamento suspeito – com forte possibilidade de ter cometido ou estar em vias de cometer um crime. Mas como é que o policial em serviço vai saber que a “pessoa em fuga” está desarmada? Com detector de metais? Lembrando que até uma faca de cozinha pode ser letal, ainda que não seja vista como armamento.

É admirável que a proposta tenha sido aprovada pela Comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara Federal. Veja bem: o colegiado de deputados que se diz atento ao crime organizado é quem ora enfraquece o exército de combate à criminalidade urbana. Ao amolecer o policiamento ostensivo, cria-se mais oportunidades de ataques à população, seja por palhaços como black blocs, seja por bandidos de verdade.

Mas, claro, é significativo que o projeto de lei apresentado em 2009 avance na tramitação sincronizado com a Lei da Palmada. O governo federal, como sói todo governo socialista, Continuar lendo

Vivendo o tempo pascal

Rezando o terço outro dia, enquanto trabalhava de casa por estar zelando pela saúde de minha esposa, detive-me um pouco mais demoradamente no segundo mistério doloroso, da flagelação de Jesus.

(Fonte: tulacampos.blogspot.com)

(Fonte: tulacampos.blogspot.com)

Na Sexta-feira Santa passada, quando tradicionalmente realizamos em nossa paróquia horas seguidas de adoração ao Santíssimo Sacramento – o Corpo de Cristo exposto na espécie do pão consagrado (hóstia) – conduzi uma breve reflexão que versava sobre o grande exemplo de superação das tentações que Nosso Senhor nos deu naquela noite dramática de quinta-feira, quando rezava no Jardim das Oliveiras.

Por tantas vezes, nós, diante da pressão de nossas angústias e frustrações, sofremos a tentação de pedir a Deus o alívio das tribulações. Quando a esperança nos falta e nos sentimos incapazes de cumprir os desígnios do Altíssimo, o diabo nos tenta como a Jesus no deserto, oferecendo toda a sorte de compensações sedutoras. Somos incitados a crer-nos fracos, mas pior: derrotados; para alguém que, portanto, supõe-se abandonado por Deus, que sobrevenham, pois, os prazeres mundanos! Imagino, inclusive, ser essa a essência da preguiça, do comodismo: em face de um benefício nobre, mas que nos parece inatingível pelas próprias forças, pela própria vontade, abandonamo-nos a qualquer agrado marginal, até mesmo indigno da vocação humana da santidade.

Jesus, prevendo os maus bocados violentos que passaria nas mãos dos romanos – a pedido dos judeus – teve a reação humana de pedir ao Pai: Continuar lendo

Celibato: há quem seja mais lerdo que a mulher do padre

Quem defende o fim do celibato de padres, além de não ter cabeça oriental, não deve entender bem o que significa um casamento católico. Digo cabeça oriental para concordar com Papa Francisco que afirmou que “A Igreja Católica tem padres casados, católicos ​​gregos, católicos coptas e no rito oriental.”

bolo-mulher-do-padreEu sou casado. Minha esposa tem total permissão minha para interferir e opinar em qualquer assunto da minha vida, seja no trato com os amigos e parentes, seja quanto à decisões que a profissão demanda; ela pode, inclusive, assumir o meu lugar em compromissos.

Agora: eu sou administrador de sistemas/redes e ela é professora de português/literatura. Evidentemente, se existe uma dúvida de caráter tecnológico, ela não estará apta a bater o martelo, talvez nem mesmo argumentar avaliando uma ou outra opção, julgar viabilidade ou não de determinado planejamento, etc. O mesmo vale para o contrário: eu, que atingi apenas a completude do ensino médio, jamais poderia elaborar uma prova de português ou uma aula decente de interpretação de algum clássico da literatura brasileira.

Muito bem. Os padres formam-se após longos 8 ou 10 anos de estudos (1 ano de propedêutico, 3 de filosofia, 1 ano de missão, 4 de teologia, 6 meses a 1 ano de diaconato) – de acordo com levantamentos dos amigos Cristiano Ramos e André Brandalise -, variando conforme a congregação. No seminário são instruídos em filosofia, teologia dentre outras disciplinas fundamentais para o trato com os homens e mulheres que eventualmente serão submetidos à sua direção espiritual. Aconselhar não é uma tarefa fácil. A respeitável “madre” Continuar lendo